13 discos de 2013 pra mostrar que a música brasileira continua viva

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A música brasileira vive. Eu sei, parece um clichê, mas “só os clichês são verdade”. E em meio ao espaço limitado que a música nacional tem tido, em todos os lugares, muitos são os que apregoam que ela estaria morta. Mas ela vive, e vive intensamente. Sem levar em conta os fenômenos pop nacionais, do sertanejo ao funk, muito ainda se produz – independente, ou não – de música da mais alta qualidade, escondida ou restrita a nichos. Longe de julgar se isso é bom, ruim, desejável ou reprovável, cabe aos amantes da boa música encontrá-la e espalhá-la aos quatro ventos.

[alert type=”info”] Veja também: 13 discos pra escutar antes que 2013 acabe [/alert]

Em 2013, vários lançamentos foram bem sucedidos em mostrar a qualquer um a vitalidade da música brasileira. Muitos outros poderiam ter sido elencados aqui, mas os 13 que seguem, além de fazer um panorama bastante amplo também refletem um ponto fundamental: o meu gosto pessoal (que sempre pode divergir do seu, lembre disso!). Então, vamos a eles:

Vinicius Calderoni – Para abrir os paladares

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Segundo disco do paulistano Vinicius Calderoni, “Para abrir os paladares”, lançado em março desse ano, é uma verdadeira experiência musical. Com quase todas as faixas ligadas, em sequência (de modo a, em uma primeira audição, ser difícil identificar o término de uma e o começo da seguinte), leva-nos a um passeio permeado de canções, afetos, declarações e resoluções. Extremamente rico em sons e experiências sonoras, o álbum tem todas as canções assinadas por Vinicius (exceto “O Nome, A Pessoa”, que tem letra dele com música de Demetrius Lulo e “Ou Não”, com música de Tó Brandileone) e revela a genialidade de seu compositor. Com um time de peso, nenhuma faixa recebeu os mesmos músicos em sua gravação, o que mostra a pluralidade da obra, sem que com isso perca a sua unidade. Destaque para a participação de Tó Brandileone, que co-produziu o álbum e cuja importância pode ser percebida em uma simples leitura da ficha técnica de cada música.

Preste atenção em: “Juventude em Marcha”, a canção que contem o verso que dá nome ao disco é uma das belezas mais gritantes do álbum; tente perceber e identificar o coro de vozes no final.

Para Ouvir:

Para baixarhttp://viniciuscalderoni.com.br/album/para-abrir-os-paladares/

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Juliano Gauche – Juliano Gauche

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Um disco com um quê de melancólico e dono de uma beleza curiosa. Curiosa, porque “Juliano Gauche” não é um disco óbvio. A matiz principal e enevoada, cheia de densidade, e revela o lado próprio de um cantor que fez carreira em uma banda – Solana – e cujo único voo pessoal anterior tinha sido uma homenagem a Sérgio Sampaio. Aliás, a influência de Sampaio é clara em Juliano, com direito à regravação de “Sérgio Sampaio Volta”, de Tatá Aeroplano. O tom paulistano é uma das belezas do disco.

Preste atenção em: “Isto”, com seus belos teclados e guitarras, e letra intensa, envolvente.

Para ouvir:

Para baixarhttp://www.amusicoteca.com.br/?p=8435


Arnaldo Antunes – DISCO

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Pra quem imagina que só de cantores novos é feita a novidade da música brasileira, saiba que está redondamente enganado: com mais de 30 anos de carreira, Arnaldo Antunes continua se reinventado a cada lançamento. Depois de um Acústico comemorativo, ele volta a lançar um trabalho inédito que mostra o melhor da sua forma: letras trabalhadas, melodias contagiantes, um disco que passeia entre o pop, o concreto, o rock. É Arnaldo sendo o que ele é de melhor: Arnaldo.

Preste atenção em: “Vá trabalhar!”, faixa composta por Arnaldo no começo dos Titãs, aparece no filme “A vida até parece uma festa”, interpretada no primeiro show da carreira da banda. Aqui, aparece com um arranjo mais contemporâneo, mas com uma forte pegada rock.

Pra ouvir:


Leo Fressato – Canções para o inverno passar depressa

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Em agosto, o presente veio de Curitiba. Cenário profuso musical, a capital paranaense conta com vários nomes atuais que mostram a vitalidade da canção brasileira. Leo Fressato, sem dúvidas, pertence a este time. O cantor ficou conhecido por ser compositor de “Oração”, que em 2012 estourou como viral no Facebook com A Banda Mais Bonita da Cidade, e em 2013 nos brindou com seu próprio disco. Nele, além de Oração, constam mais 11 faixas, além de uma “canção escondida” no final, algumas dessas gravadas pela Banda, (quase) todas com a participação de Ana Larousse nos vocais. A densidade do disco é crescente, e o caminho que ele percorre cumpre o prometido: qualquer inverno passa muito mais rápido ao lado de Leo Fressato.

Para baixar: http://www.amusicoteca.com.br/?p=8348

Preste Atenção em:Veranizar”, que conta com um clipe lindo, e para mim é o ápice do disco. Todas as canções levam a essa música, como um clímax, que se desenrola nas seguintes.


Ana Larousse – Tudo começou aqui

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A cantora manauara, que também faz parte da cena curitibana, lançou em 2013 um disco delicado, intimista e muito pessoal. Engana-se quem pensa que os amores contados e cantados são parte do tema do disco: ele fala sobre quem canta, especialmente, e reverbera em quem o ouve como metáforas da própria identidade. Vale a audição e a visão, afinal o disco vem com 12 postais belíssimos, um para cada faixa.

Para baixar: http://www.amusicoteca.com.br/?p=8096

Preste atenção em:A Desenhista”, com participação de Leo Fressato e uma das músicas mais bonitas que ouvi nos últimos tempos!


Vanessa Moreno e Fi Maróstica – Vem Ver

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Inusitado. É a primeira palavra que me ocorre para descrever o duo de baixo e voz formado por Vanessa Moreno e Fi Maróstica. Mas engana-se quem pensar que o disco é só isso: participações diversas, além do talento da própria Vanessa no batuque, com “instrumentos” como uma caixinha de fósforo e o próprio baixo acústico de Fi. E o disco tem de tudo: o clássico “Conversa de Botequim”, o folclore em “Galho e roseira” e canções inéditas como “Relatividade”. Tudo na voz doce de Vanessa com o acompanhamento-protagonista dos baixos de Fi. Beleza da primeira à última nota.

Preste atenção em: “Um de Três”, canção com música de Vanessa e letra de Paula Mirhan, um baião diferente e delicioso.

Para conhecerhttps://www.facebook.com/vanessamorenoefimarostica/app_311253165568475

Para ouvir:


Tom Zé – Tribunal do Feicibuqui

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Podia ter sido um desastre na carreira dele, mas depois de uma saraivada de críticas por sua participação em um comercial da Coca-Cola sobre a Copa do Mundo, Tom Zé nos lembrou mais uma vez porque é considerado um dos artistas mais geniais do país. Juntou-se a um time de peso – compositores jovens, em sintonia com o que acontece no país e na internet – e lançou o EP “Tribunal do Feicibuqui”. 5 faixas, de autoria do próprio Tom Zé com Gustavo Galo, da Trupe Chá de Boldo, Marcelo Segreto, da Filarmônica de Pasárgada, Tim Bernardes, d’O Terno, e suas respectivas bandas, além de Tatá Aeroplano e Emicida. Com muito bom humor, ele põe em xeque as críticas que recebeu, questionando o papel do artista nesse mundo moderno, ideologica e artisticamente.

Para baixar: www.tomze.com.br

Preste atenção em: “Tribunal do Feicibuqui”, faixa homônima que abre o EP e mais claramente trata o problema. Tudo, do coro feminino às ofensas a Tom Zé, culminando no rap inacreditavelmente pertinente feito por Emicida “Que é que custava morrer de fome só pra fazer música?

Para ouvir:

Tiago Iorc – Zeski

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Tiago Iorc não canta em português mas, nem por isso, é um nome menos nacional. Em seu terceiro disco, “Zeski”, ele trouxe algo leve e ao mesmo tempo muito rico de sabores musicais. Virou trilha sonora de novela com “It’s a Fluke”, uma das mais bonitas do disco, e, de modo geral, entregou um trabalho capaz de atrair diferentes gostos. No final, ainda nos brinda com quatro faixas em português, duas inéditas com participações de Daniel Lopes, SILVA e duas releituras, “Música Inédita“, junto com Maria Gadú, e uma profunda e intensa de “Tempo Perdido”, da Legião Urbana.

Preste atenção em: “It’s a Fluke”, a delicadeza do dedilhado das cordas, a voz levemente displicente… Um prazer, sem dúvidas.

Para ouvir:


Cérebro Eletrônico – Vamos pro Quarto!

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Louco e Psicodélico, o Cérebro Eletrônico voltou em 2013 com mais uma pérola para a música brasileira. Em “Vamos pro Quarto!”, pela primeira vez as canções não receberam todas a assinatura de Tatá Aeroplano; ao contrário, foram feitas num inédito processo de criação coletiva. O resultado é o que vemos: 9 faixas completamente diferentes, mas que formam um todo bastante compreensível; repletas de bom humor, onde desfilam personagens identificáveis ao longo de cada uma delas.

Preste atenção em:Não Bateu Nosso Santo”, divertida e irreverente, como todo o disco, contém uma das letras mais geniais de todas.

Para ouvir:

Para baixar: http://cerebrais.com.br/

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Falso Coral – Falso Coral EP

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Viola caipira e rock indie. Combinação inusitada, e que deu muito certo. O duo Falso Coral – formado por Luis Coutinho e Bela Moschkovich – apostou e conseguiu combinar o melhor de dois mundos, tendo como resultado um folk leve, delicado, mas impactante. A experiência de ouvir a voz de Bela eclodindo no ambiente (recomendo ouvir com o volume alto, ou fones de ouvidos. Ou ambos) enquanto a viola dá o tom, ao fundo, surgindo em alguns momentos como protagonista,  é de tirar o fôlego. Apesar de, no EP lançado em setembro, constarem apenas canções em inglês, essa não pretende ser uma necessidade de ambos: o álbum completo é quem o saberá.

Preste atenção em:Waltz of the great”, e seus acordes iniciais, que crescem e se expandem, até o final da música.

Para ouvir:

Para baixarhttp://falsocoral.bandcamp.com/

Meno del Picchia – Macaco sem pelo

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Entre o humano e o animal, Meno del Picchia nos presenteou com seu segundo disco em novembro. Fruto de um longo processo, o álbum faz vir à tona não apenas o músico, mas também o antropólogo. Cheio de estranhezas, e dono duma linguagem direta, sem muitos meio termos, ele nos leva a um passeio pelos instintos mais primitivos humanos, ligados ao outro, ao desejo. Ainda assim, é possível ler nas entrelinhas as sutilezas e a elaboração, da música e da linguagem. Um disco completo, uno, uma refeição completa.

Preste atenção em: “Passou da minha porta”, parceria com Tatá Aeroplano, divertida e que encarna bem o lado “selvagem” do disco – selvagem em meio à dita “civilização”!

Pra baixar: http://www.amusicoteca.com.br/?p=8807

Pra ouvir:

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Vanguart – Muito mais que o amor

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Depois do sucesso de “Boa parte de mim vai embora” (2011), um disco melancólico e bastante depressivo, o Vanguart surge em 2013 com um dos mais belos discos de todo o ano. Ao contrário de seu antecessor, “Muito mais que o amor” traz alegria e leveza desde a primeira faixa. É impossível não sorrir ao ouvi-lo, e deve ser igualmente impossível não se deixar conquistar pela banda mato-grossense, que canta o amor com todas as suas qualidades. É um encontro entre a arte e o coração, capaz de arrebatar o mais frio dos seres.

Preste atenção em:Meu Sol”, que entrou para trilha sonora de novela e encarna em si toda a felicidade contagiante do amor cantado no disco.

Para ouvir:

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Cícero – Sábado

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Depois do retumbado sucesso de “Canções de Apartamento” (2011), seu álbum de estreia, era difícil para Cícero agradar gregos e troianos com seu segundo disco; de fato, “Sábado” dividiu opiniões. Pra mim, entretanto, ele supera ainda o primeiro: nas melancolias de um triste fim de tarde, cabe o lirismo simples e doce de Cícero. Aliás, simplicidade continua sendo conceito chave para definir sua obra, agora amadurecida e pronta para se firmar ainda mais.

Preste atenção em:Porta, Retrato”, doce e terna, melancólica na medida certa.

Para ouvir:

Para baixar: http://www.cicero.net.br/

Dandara e Paulo Monarco – Dois tempos de um lugar

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Ganha menção honrosa o lançamento desse projeto, que (ainda) não virou disco, mas é mais um prenúncio de futuro e vivacidade para a música brasileira.; “Dois tempos de um lugar”, de Dandara e Paulo Monarco, sela no palco uma união incrível, entre letras e vozes, o som das cordas de Monarco e os agudos de Dandara. Com direção de Vinicius Calderoni, o show mescla em si a atmosfera do teatro com a intensidade das canções. Dandara é, sem dúvidas, uma das melhores intérpretes que surgiram nos últimos anos.

Preste atenção: no casamento perfeito das vozes, letra e harmonia.

Para conhecer: facebook.com/doistemposdeumlugar

Para ouvir:

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