13 discos pra escutar antes que 2013 acabe

Longe de tentar ser uma lista de melhores do ano, esse post tem por objetivo mostrar 13 discos que você deveria ouvir assim que pudesse. Mesmo. Alguns deles são realmente um consenso nas listas de melhores do ano, outros passaram despercebidos pela galera que faz listas (mas, vai por mim, dê uma chance pra eles) e ainda tem aqueles que parecem excelentes agora, mas que talvez sejam destruídos pelo próprio hype que causaram. Então não perde mais tempo porque o ano já está acabando e você não quer deixar mais essa tarefa pro ano que vem.

[alert type=”info”]Veja também: 13 discos de 2013 pra mostrar que a música brasileira continua viva[/alert]

1. CHVRCHES – The Bones of What You Believe

01-Chvrches

O trio escocês CHVRCHES lançou um disco de estreia que está longe de ser ingênuo e reflete a experiência dos seus integrantes em outros projetos. O grupo juntou tudo que bandas como M83, Passion Pit e The Naked and Famous têm feito e montou uma coleção de explosões pop que parecem ter como único objetivo dominar o mundo. Todas as músicas têm uma força extraordinária (como todos os bons discos, algumas pérolas crescem mais devagar que as outras) e a voz de Lauren Mayberry evoca ao mesmo tempo um retorno à nostalgia de infância e um chamado para uma noite futurística que está prestes a começar (um sentimento que eles copiaram com maestria do M83). Estaríamos diante do primeiro disco de synthpop de arena do mundo?

Para ver e ouvir: a perfeição pop de “Gun”

2. Castello Branco – Serviço

02-CastelloBranco

Me corrijam se eu estiver errado, mas há uns cinco anos o Brasil não tinha (muita?) gente que conseguisse misturar o rock alternativo contemporâneo feito no mundo inteiro com estilos tipicamente brasileiros e ter bons resultados nessa empreitada. Vimos várias tentativas repletas de pretensão e esvaziadas de qualidade mas diante de uma leva apaixonante de artistas como Tulipa Ruiz, Silva… e agora, Castello Branco, uma “nova” música brasileira alternativa parece ser finalmente realidade. Fugindo, talvez até inconscientemente, de vícios irritantes da mpb (tanto a nova quanto a velha), da preguiça do rock falado-sabichão e do pós los-hermanismo que parasitam tanta gente na nova música nacional, Castello lança um álbum memorável e dolorosamente honesto. Serviço tem um conceito forte e muito palpável, melodias e produção extraordinárias, e letras repletas de epifanias capazes de amolecer até os mais céticos dos corações. E mesmo que você não se identifique com absolutamente nada que o moço disser ao longo do disco, Serviço é uma viagem sonora tão satisfatória que ao final dela você vai agradecer por ter ouvido o que ele tinha pra dizer.

Para ouvir: a beleza inesgotável de “Necessidade”

Para baixar (de graça): www.castellobranco.nu

3. Laura Marling – Once I Was An Eagle

03-LauraMarling

Laura Marling tem 23 anos e em 2013 lançou seu QUARTO disco: um trabalho de uma densidade, diversidade e qualidade melódica que simplesmente não condizem com a idade que ela tem. Laura passa a impressão de trazer uma bagagem de mil vidas passadas ao relatar ao longo de 16 músicas sua luta (iniciada no álbum anterior, “A Creature I Don’t Know”) para se livrar de uma criatura nociva, que ela chama às vezes de homem, às vezes de besta, e outras vezes de demônio. Todo mundo tem muita pressa em definir a tal criatura como um ex bem difícil de superar, mas depois de ver qualquer apresentação em que Laura toca e canta olhando para os céus em desespero, é fácil pensar que o buraco é mais embaixo. P.s.: rumores indicam que Laura talvez seja a profetisa de uma nova era.

Para ver e ouvir: o vídeo de gelar a espinha “Devil’s Resting Place” (um dos melhores refrões do ano?) e as quatro primeiras músicas do álbum, que funcionam como uma peça só, e viraram o video “When Brave Bird Saved”.

4. Lorde – Pure Heroine

06-Lorde

Alguém conseguia imaginar  no início do ano que a neo-zelandesa de 16 anos (agora 17) Lorde ia ficar tão grande? Depois do manifesto anti-pop “Royals” ficar 9 semanas em primeiro lugar no Top 100 da Billboard (!!!) o excelente álbum “Pure Heroine” ganhou novos contornos contraditórios mas continua sendo um álbum obrigatório pra se ouvir em 2013. Lorde é o primeiro grande nome de uma geração que cresceu ouvindo o rock alternativo da última década – ela diz que “Odd Blood” (2010) do Yeasayer foi um álbum life-changing pra ela. Só resta saber se tanto sucesso fará Lorde desmoronar no seu próprio sucesso, porque não há a mínima chance de se dar tanto poder e razão para um adolescente de 17 anos e não criar um monstro.

Para ouvir: Vamos deixar os hits um pouco de lado e ouvir as brilhantes “pequenas” canções como “Buzzcut Season” que fazem toda a diferença pra consistência tanto do álbum “Pure Heroine” como do EP “Tennis Court”.

5. Márcia – Casulo

07-Marcia

Um álbum etéreo de uma delicadeza sem igual: guitarras que parecem saídas de um disco do The National e atmosferas que parecem saídas de um sonho. Reflexões sobre questões aparentemente pequenas e outras imensas como maternidade e a crise econômica na Europa. Em seu segundo disco, a portuguesa Márcia amplia seu projeto sonoro, e às vezes trata o português como um instrumento a mais, tamanha a dedicação com que parece ter lapidado as letras nas melodias e vice-versa: uma lição para os artistas brasileiros da “nova mpb” de como compor em português. Esse disco também pode servir pra você como um cartão de convites para a excelente cena alternativa portuguesa, que conta com ótimos nomes como Deolinda, David Fonseca, Samuel Úria

Para ouvir: a grudenta (no melhor dos sentidos) Menina“, parceria com Samuel Úria, e a delicada “Deixa-me Ir”.

6. Vampire Weekend – Modern Vampires of the City

04-VampireWeekend

Nada do que eu disser pra você ouvir esse álbum vai ser mais convincente do que: eu odiava Vampire Weekend. Mesmo. Muito. E esse foi um dos três discos que eu mais gostei e escutei esse ano.

Para ver, ouvir e analisar: Poucas pessoas vivas no mundo conseguem compor uma música e uma letra tão definitivas quanto “Ya Hey”, e se você achar a letra trivial depois de ouvi-la vai mudar de ideia depois de analisar um pouquinho.

7. Veronica Maggio – Handen i fickan fast jag bryr mig

09-VeronicaMaggio

Já virou senso comum que a Suécia tem os melhores compositores de pop do mundo. Se antigamente tínhamos nomes como ABBA e Roxette hoje em dia temos Avicii e Icona Pop. Mas a melhor artista pop do mundo (na minha opinião) é o furacão Veronica Maggio: absurdamente popular em sua terra natal mas completamente desconhecida para os reles mortais que não falam sueco. Mas você não precisa entender nada da língua nem saber qual som fazer ao se deparar com um å pra entender em poucos minutos porque Veronica é tão sensacional. O quarto disco da cantora continua seguindo a mesma fórmula dos também excelentes álbuns anteriores: cada música com uma identidade sonora muito definida – passeando por rock pop indie folk blues… – uma voz única e melodias tão bonitas e pegajosas que tornam ouvir Veronica um caminho sem volta.

Para ver e ouvir: a apocalíptica, maravilhosa e desconcertante “Sergels Torg”

8. Kanye West – Yeezus

10-Kanye

Você já deve ter ouvido uma chuva de adjetivos sobre esse álbum: visceral, minimalista, auto-destrutivo… É impossível separar a figura midiática de Kanye West do trabalho que ele faz, até porque boa parte do que ele canta em “Yeezus” são reflexões sobre a “barra” que é ser alguém tão foda como ele. Mas mesmo que você odeie Kanye com todas suas forças é difícil não se impressionar com a genialidade (sim) que ele imprime aqui. É um disco do qual é impossível passar impune: Kanye canta com tanta urgência e autoridade que você se sente obrigado a escutar o que ele diz. E ele não ganha essa guerra só no grito, também ganha com silêncios avassaladores.

Para ver e ouvir: a pancada “Black Skinhead” (quem diria que um dos rocks mais pesados de 2013 viria de Kanye?), a apresentação minimalista e avassaladora de “New Slaves” no SNL, e a paródia de James Franco e Seth Rogen pra “Bound 2”: “Bound 3“.

9. Young Galaxy – Ultramarine

08-YoungGalaxy

Não, você não vai ver o “Reflektor” do Arcade Fire nessa lista. Pelo contrário, acho que o álbum vai melhorar muito daqui um tempo sem todo o hype em cima de seu lançamento. Mas se você quiser dançar com um disco canadense de indie épico repleto de batidas eletrônicas, experimente o incrível “Ultramarine” do Young Galaxy: o grupo está de certa forma no mesmo balaio de bandas de nostalgia semi-eletrônica e melodias grandiosas e melancólicas de bandas como Stars e Metric mas em seu quarto álbum expande essa fórmula pra melodias ainda mais bonitas e batidas extremamente certeiras e eficientes. Dá até pra pensar que algumas melodias do “Reflektor” voaram do estúdio do Arcade Fire direto para o álbum do Young Galaxy.

Para ver e ouvir: o vídeo SENSACIONAL pra belíssima  “New Summer”, o maior hit que 2013 não teve

10. Volcano Choir – Repave

VC.SP_DP_Gate_Cover_rev [Converted]

Como fugir da pressão de lançar um sucessor de um álbum absurdamente bem sucedido? Justin Vernon, dono do Bon Iver, parece ter achado a solução. Depois de lançar “Bon Iver” em 2011, disco que ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa e figurou no topo de várias listas de melhores álbuns de 2011 (inclusive a nossa), Justin se juntou a um de seus projetos paralelos, o Volcano Choir – com o qual já tinha lançado o disco “Unmap” em 2009 – e lançou um disco que soa… exatamente como seu projeto principal. E o maior êxito de “Repave” é não ser um sucessor, porque é um disco excelente mas várias das coisas que o tornam excelente seriam um fator pra diminui-lo caso fosse de fato um disco do Bon Iver e fosse comparado ao álbum “Bon Iver”, e se tivesse sido feito sob a responsabilidade de sucedê-lo. Confuso né? Pois é… Então vamos só ouvir o disco.

 Para ver e ouvir: Deus do céu, o que são esses riffs em “Comrade”?

11. Active Child – Rapor EP

05-ActiveChild

Um dos discos que mais ouvi em 2013 foi na verdade um disco de 2011, o mil vezes maravilhoso “You Are All I See” do norte-americano Pat Grossi – que trabalha sob a alcunha de Active Child – e sobre o qual eu já havia falado em outro post, pedindo com carinho para que vocês o escutassem. Para a minha e a nossa alegria, o Active Child voltou com um EP de 6 músicas que valem por um álbum inteiro. Épico, emocional e com texturas inacreditáveis, misturando a sutileza de artistas como Anthony and the Johnsons com elementos de pop dos anos 80 e urban music, “Rapor” conta com participações de Mikky Ekko e um dueto com Ellie Goulding de chorar de tão bonito: “Silhouettes“. A parceria se repete já que Ellie havia gravado uma versão para “Hanging On“, cuja versão original aparece em “You Are All I See”.

Para ouvir: Vem dançar, ou ficar meio deprê, com “Feeling is Gone”

12. Keane – The Best of Keane (Segundo Disco)

13-Keane

Antes que você ache que estou mandando você “perder” seu precioso tempo ouvindo vários singles que já foram lançados ao longo da carreira da amada e odiada banda britânica Keane, minha atenção aqui vai para o segundo disco repleto de excelentes lados B que explicam um pouco porque o grupo é tão amado por quem conhece seu repertório a fundo. A coletânea precede um hiato do Keane por tempo indeterminado depois de cinco álbuns lançados (todos alcançando o primeiro lugar da parada britânica, êxito que os deixa atrás apenas de Led Zeppelin, ABBA, Beatles e Eminem!) e as 11 primeiras músicas do segundo disco são o melhor álbum inédito que eles nunca lançaram. A sequência que apanha lados B de 2003 até 2007 é excelente e obrigatória pra quem gosta de brit-pop e pra quem só conhece parte da discografia dos moços. A qualidade das canções que jamais foram lançadas em nenhum álbum é espantosa e mais uma prova do quanto, preconceitos à parte, eles são mestres em criar composições absurdamente sólidas, reconfortantes, e que envelheceram muito bem. Tirando as 11 primeiras músicas, sobram 7, mas jogue tudo fora e conserve apenas “Myth” um dos poucos lados B de “Strangeland”, álbum em que a banda se recupera de um período pouco criativo entre 2008 e 2012, e “Russian Famer’s Song“, música gravada apenas para a coletânea. Esta última é uma chama de esperança para o caso de a banda voltar a gravar algum dia, e mostra que se eles quiserem ser um pouco menos acessíveis, poderiam até ter o reconhecimento dos críticos que tanto os odeiam.

Para ouvir: Aperta play aqui, por favor:

13. Angèle David-Guillou – Kourouma

11-AngeleDavid-Guillou

A francesa Angèle David-Guillou lançou em 2013 seu primeiro álbum usando seu próprio nome após lançar dois apaixonantes discos sob o codinome Klima e cantar em algumas das melhores músicas da banda britânica Piano Magic (como “Comets” e “The Unwritten Law“). A pessoalidade se reflete num disco bem diferente dos seus trabalhos anteriores, mas conservando a delicadeza e a qualidade melódica que os caracterizavam. Quase todo instrumental, “Kourouma” é uma trilha sonora para um filme que não existe ainda: cabe a nós ouvintes criar paisagens para as belíssimas peças de piano pontuadas aqui e ali pela hipnótica voz de Angèle. O disco perfeito para seu primeiro dia de férias, deitado numa rede, andando num jardim, sentado na praia ou encostado na sacada olhando o sol depois de uma chuva de verão.

Para ouvir: “Kourouma” é um disco que talvez não funcione muito bem em pedaços, mas experimente “Hesperides” antes de ouvir o disco inteiro.

Você com certeza sentiu falta de “clássicos instantâneos” como “The Next Day” do David Bowie, “AM” do Arctic Monkeys e “Random Access Memories” do Daft Punk, mas se todo mundo já mencionou esses discos, quem é que ainda não ouviu eles, certo? O quê? Você ainda não ouviu esses clássicos instantâneos? Tudo bem, desses três que eu mencionei eu só ouvi um, e achei que poderia ter feito isso em 2015 sem que a minha vida tivesse perdido muita coisa.

Talvez você também goste...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *