2010 em 10 discos

O mais legal em listas é a possibilidade de conhecer coisas novas, tendo a liberdade de discordar da opinião de quem a fez. Então, aproveite! Esta é a minha lista de álbuns favoritos de 2010:

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10º Fyfe Dangerfield – Fly Yellow Moon

Esse foi um ano produtivo pra empreitadas solo: Brandon Flowers do The Killers, Fran Healy do Travis, Kele Okereke do Bloc Party… todos lançaram álbuns fora de suas bandas, mas poucos fizeram dessa empreitada mais do que uma mera cópia do que já faziam com suas bandas. Fyfe Dangerfield, vocalista do Guillemots, se trancou num estúdio por apenas uma semana e saiu de lá com 25 músicas: 10 lançadas neste disco e 15 extras como faixas bônus, b-sides etc. A produção difere do seu trabalho superelaborado com o Guillemots, mas o que pode soar cru numa primeira vez, revela o gênio criativo e compulsivo que é Fyfe, se levarmos em conta o tempo em que o disco foi realizado. | Para ouvir: Faster Than The Setting Sun, She Needs Me.

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9º The Naked and Famous – Passive Me, Aggressive You

The Naked and Famous é uma banda neo-zelandesa que estudou direitinho a cartilha do new wave de bandas, como o MGMT, e apresentou como dever de casa esse disco de estreia. A ambição do grupo é audível em cada música, mas eles sabiamente se diferem dos seus “vizinhos de estilo” ao fazer um som mais pesado maduro e sóbrio, mesmo conservando espaço para os hits mais imediatos. | Para ouvir: Young Blood, Punching in A Dream

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8º Marina & The Diamonds – The Family Jewels

O álbum de estreia da meio-grega-meio-britânica Marina Diamandis não deveria ser classificado como música alternativa. Para mim, The Family Jewels é puro pop, mas com pretensões diferenciadas. Marina soube criar para si um som original e acessível que você consegue reconhecer em 5 segundos. Põe também um pouco de graça no preguiçoso campo da música feita pra rádio e  atitude numa cena dominada por cantoras que soltam chantilly pelo peito. | Para ouvir: Mowgli’s Road, Shampain.

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7º Tulipa Ruiz – Efêmera

Na música brasileira, principalmente na mais recente, é praticamente um milagre encontrar a combinação equilibrada dos seguintes elementos: qualidade lírica, melódica, vocal, boa produção e capacidade de lapidar os versos na melodia sem soar atropelado ou como uma poesia falada. Tulipa Ruiz consegue isso tudo no seu primeiro disco e, por isso, merece todos os elogios que vem recebendo. Mas fique avisado, ouvir Efêmera é um caminho sem volta! Os versos delicados de Tulipa ficarão na sua cabeça por semanas! | Para ouvir: Efêmera, Do Amor.

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6º The Radio Dept. – Clinging to A Scheme

Depois de quatro anos sem lançar um álbum completo, o grupo sueco The Radio Dept. volta com um disco pequeno e ensolarado. Cada música em Clinging to A Scheme é como uma perolazinha pop pra colocar numa caixa e levar pra sempre com você. O som é atemporal – não se define em nenhuma época certa – e inova ao acrescentar elementos de urban music sem soar afetado ou pretensioso. | Para ouvir: Never Follow SuitHeaven’s on Fire.

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5º Janelle Monáe – The Archandroid

O termo “genial” vem sendo usado de modo displicente, mas o que Janelle Monáe fez aqui é isso: genial. The Archandroid é a segunda e terceira parte de uma ópera retro-futurista sobre libertação que mistura um milhão de referências por minuto e joga no lixo todos os estereótipos sobre o que uma cantora negra precisa fazer para se firmar na cena pop. Muitos artistas vão morrer sem conseguir fazer uma dobradinha tão boa quanto Cold War e Tightrope, e Janelle fez isso em seu primeiro disco. | Para ouvir: Tightrope, Cold War.

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4º Jónsi – Go

Jónsi Birgisson, vocalista do Sigur Rós, foi criticado por parte dos fãs por fazer com esse disco uma versão “enlatada” da banda: trocou o islandês e as músicas de 8 minutos por pequenas explosões pop de 4 minutos cantadas em inglês. O mundo agradece. Assim, Jónsi pode “se vender” sem mexer na estrutura do Sigur Rós e mais gente pôde conhecer o som precioso e celestial que ele faz, mesmo sem dispor da paciência – também celestial – necessária para ouvir um disco inteiro do grupo islandês. | Para ouvir: Go Do, Sinking Friendships.

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3º Apparatjik – We Are Here

O Apparatjik é o supergrupo mais estranho feito nos últimos tempos: formam ele Jonas Bjerre, vocalista do Mew, Guy Berryman, baixista do Coldplay, e Magne Furuholmen, tecladista do A-Ha. É difícil descrever o som do Apparatjik e suas referências científicas, mas é como um Mew mais eletrônico, mais urgente e não menos maluco. O excelente disco passou quase despercebido, o que torna sortudo quem quer que o tenha ouvido. | Para ouvir: Antlers, Datascroller.

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2º Arcade Fire – The Suburbs

O disco mais aguardado do ano, terceiro do Arcade Fire, entregou tudo que prometia e muito mais. The Suburbs é uma viagem de mais de uma hora sobre tentar sair de um lugar que na verdade nunca sairá de dentro de você. Para ouvir o disco de uma tacada só é necessário se preparar como quem está prestes a presenciar um culto. Inacreditavelmente grandioso, ainda expande o som do Arcade Fire com novas referências sem abandonar o som característico do grupo. | Para ouvir: ouça ele inteiro!

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1º The National – High Violet

High Violet é um álbum linear. Mas não como andar em uma estrada reta e vazia, e sim como cair em um penhasco sem fundo. O The National se firma como uma das bandas mais respeitadas do mundo com um disco que fica maior e melhor a cada vez que você escuta, com melodias simples, porém extremamente eficientes. Quando você menos espera, já foi tragado pela voz grave de Matt Berninger e pelo desespero iminente ao tratar das desilusões do homem moderno (tema que o une ao The Suburbs do Arcade Fire). | Para ouvir: Bloodbuzz Ohio, Anyone’s Ghost.

E se fosse um top 15 ainda teria: Caribou – Swim, KT Tunstall – Tiger Suit, Stars – The Five Ghosts, These New Puritans – Hidden, Tigers That Talked – The Merchant.

One thought on “2010 em 10 discos

  1. Achei que The Suburbs fosse ficar em 1º.

    Os que não tive a oportunidade de ouvir, caem fora da minha lista: é o caso do The National. Subo o Arcade Fire, e incluo Hurts. Senti falta do” Contra”, do Vampire Weekend, e “Hurley”, do Weezer. Acho que meu Top 5 – bem mais pop, senão os melhores, os que mais ouvi:

    5. Neon Trees – Habits
    4. Rihanna – Loud
    3. Sia – We Are Born
    2. Hurts – Hapiyness
    1. Arcade Fire – The Suburbs

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