Britânicos do Jungle justificam hype com show competente

Jungle no Audio Club 13-05-15

Fotos retiradas do flickr Marcos Bacon

O grupo britânico Jungle chegou ao Brasil envolto por grandes expectativas. Presença garantida e elogiada em festivais importantíssimos ao redor do mundo (Coachella, Sasquatch, Primavera Sound…) e trazendo na bagagem um álbum de estreia badalado, o Jungle entregou na última quarta dia 13 o que prometia: um show sonoramente impecável e dançante. Mas tanta perfeição técnica nem sempre se traduz num show emocionante.

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A dupla Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, criadores do Jungle e que ao vivo comandam teclados, sintetizadores e baixo, já trabalharam em vários projetos antes de encabeçar o grupo e isso se traduz na ambição sonora que apresentam ao vivo. Ao todo são sete músicos no palco pra materializar o soul eletrônico com fortes influências de vários sons dos anos 60 e 70, mas em boa parte do tempo os outros cinco integrantes são apenas peças de um quebra cabeça mais do que integrantes de uma banda com personalidades próprias. A iluminação do show também não ajudou muito a ver quem eram as caras fazendo aquele show.

Jungle no Audio Club 13-05-15

No entanto o objetivo dessa ambição foi alcançado porque a atmosfera complexa do Jungle soou palpável e orgânica ao vivo e o Audio Club abrigou bem o tamanho do projeto. Foi um privilégio dançar sob tantas camadas de nostalgia e modernidade sonora se misturando.

Os melhores momentos foram os hits que parecem pequenos clássicos perdidos a décadas (“Time”, “Busy Earnin”, “Julia”…) e quando a banda se permite sair da fórmula que faz muito bem mas que fica entediante em uma hora e meia de show – e em uma hora de disco também. As vozes processadas pra emular os vocais de soul e de disco e as batidas boas mas meticulosamente calculadas viram música de fundo depois de um tempo, e são poucos trechos como “Drops” que quebram essa monotonia.

Talvez seja por isso que o disco funciona tão bem em lounges e o show tinha um público bem disperso que fazia mil coisas além de dançar e ouvir a apresentação. O Jungle provou que tem qualidade pra segurar o hype que carrega mas falta um repertório mais arriscado e uma abordagem menos polida pra virar uma banda memorável.

Jungle no Audio Club 13-05-15

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