“É uma reverência às Kardashians”, brinca Gretchen sobre novo reality do Multishow

Maria Odete Brito de Miranda Marques, mais conhecida como Gretchen, e sua família são as estrelas do novo reality do canal pago Multishow. A cantora participou de uma conversa com o podcast Aos Cubos, no ar nesta quarta (18.04), para falar sobre o programa, que estreia no dia 23, às 22h, logo após o “Vai que Cola”. “Diferente de tudo o que já fiz na vida”, explica ela sobre seu terceiro programa da vida real. Ela já participou anteriormente de “A Fazenda”, em 2012, e “Power Couple”, em 2016, ambos da Record. Uma equipe a acompanhou nos últimos quatro meses e passou por diferentes situações e locais, desde o encontro com Katy Perry a viagens nacionais e internacionais.

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Samantha Schmütz estreia musical na TV: "Sem medo do que vão falar”

Samantha - Pop - Páprica Fotografia 2Quem acompanha com atenção a carreira de Samantha Schmütz sabe que ela nunca fez questão de esconder sua inclinação para a música. Em “Samantha Canta”, nome do novo programa do canal BIS, que estreia nesta quarta-feira (13.04), às 23h30, ela solta a voz sem fazer rir. Em três episódios, vai da Soul Music (uma ode aos artistas da Motown) ao Pop atual, além de prestar uma homenagem à Elis Regina, com participação do rapper Criolo. “Eu acho que o medo paralisa as pessoas. Eu não tenho medo nenhum do que as pessoas vão falar”, frisa.

Além de estar no ar na pele de Dorinha, na novela das 19h, “Totalmente Demais”, na TV Globo, ela volta a embarcar na nova temporada de “Vai Que Cola” (Multishow), que começa a ser gravada em maio, deve lançar um álbum até o fim do ano e está trabalhando para voltar aos palcos com um novo show ainda este semestre. Seu novo filme “Tô Ryca” (cuja estreia está programada para agosto) tem um cover inédito de “Don’t Stop Me Now”, do Queen, que ela gravou com exclusividade. Junto com o marido, Michael Cannet, também acaba de lançar a animação “Juninho Play e Família”, baseada em seu personagem de maior sucesso, que está disponível em seu canal no YouTube. Haja fôlego!

A artista acredita que o programa musical tenha ficado bem bonito. “Pode ter segunda, terceira temporadas. Amei. Foi feito com amor e qualidade. Eu supergosto de me ver e ouvir. Acho importante para você ver de fora, de um outro ponto de vista. Quando você está fazendo, está sob a ótica de dentro”, explica, dizendo que está aberta a propostas do canal pago para fazer um show baseado no repertório do programa do canal pago. “Quero achar o lugar legal pra fazer meu show. Não acho que seja teatro. Tipo, um lugar que seja para dançar e pra beber”, especula. Também está sendo estudada a possibilidade de as faixas entrarem em plataformas digitais.

Se não acontecer, ela mesma tem ideia de lançar um single autoral ainda este semestre, parte de um EP ou disco, com lançamento até o fim do ano. Por isso, explica referências: “Eu gosto muito de Black Music, Michael Jackson, que também tem uma coisa pop, Amy Winehouse, Nina Simone, Elis…”, enumera. Se há alguém vivo entre seu gosto, entre risos, citou: “Tem o Criolo, um artista que admiro muito. Faz música que tem conteúdo, letra para ser ouvida e não só balançar o corpo”. Ela disse que sempre foi fã dele, começou a ir em shows, e foram se aproximando por causa da Ivete Sangalo (quando fizeram série de shows em homenagem a Tim Maia). “Ele já conhecia meu trabalho da TV, e acho que ele curte o que faço, então tive essa ideia. Tinha muita vontade de trabalhar com ele porque é o exemplo de artista e o que me representa. Foi um sonho realizado”.

Foto: Divulgação

Ela tem uma banda, a Brasov, montada para seu extinto programa “Não Tá Fácil Pra Ninguém”, do Multishow: “foi um casamento super legal e a gente acabou seguindo em frente”. São eles que vão acompanhá-la nos shows. Mas ela também já fez parte de outras bandas – incluindo Mulheres Cantam Beatles (de Niterói), foi backing vocal do Serjão Loroza, já fez um trabalho com Donatinho (filho de João Donato) etc. “Já cantei em bar em violão e voz, andei bastante na música, mas uma coisa mais underground”, revela. Para o programa do BIS, músicos de São Paulo foram chamados para as gravações.

A atriz, humorista e cantora é também… compositora! “Eu já componho há muito tempo. Sempre fui muito ligada à arte, dança, cinema, TV, música. Não toco nenhum instrumento, mas componho. Nunca me senti preparada para colocar essas músicas para o público. Ainda estou aprimorando elas”, explica. “Tem várias: umas que falam de amor, outras da dificuldade do País e da situação política, que já vem de muito tempo. Tem uma – chamada ‘Índios no Asfalto’ – que fiz nos anos 2000, por causa dos 500 anos”. Em sua opinião, para o ator ser completo, tem que saber cantar e dançar.

Samantha - Black Music - Páprica afaotografia


NA TV
Samantha gosta de ver filmes e seriados. O último para a “coleção” foi Vynil, da HBO, produzido por Mick Jagger. “Hoje, por exemplo, estava vendo o filme do James Bown. Gosto de filmebiografias, histórias de vitória, superação, pessoas que correm risco em nome da sua carreira”. Indo mais a fundo, ela diz que a pergunta é muito difícil, quando pedimos para ela apontar mais coisas.

Como no País não há um humor mais político, estilo dos americanos Jimmy Fallon e James Corden, ela afirma que não tem vontade de seguir essa linha. “Danilo Gentili já faz o ‘The Noite’, Fabio Porchat vai fazer um na Record…. Não tenho talento para isso. Tem mais a cara de (Marcelo) Adnet, Gregório (Duvivier). Eu sou mais da interpretação, artista… Menos pessoa física. Mas eu admiro e sempre assisto”, completa.

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siterg Por André Aloi, especial para o Site RG
O texto acima é uma r
eprodução; veja a publicação original

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“Acho que eu sou um romântico mesmo", confessa João Suplicy

“Acho que eu sou um romântico mesmo e, no show, conto isso. Percebi que quando estou, de fato, apaixonado, faço música sem parar”. A frase é de João Suplicy, que vai levar seu quarto para o Ao Vivo Music Hall, nesta sexta (08.04), em Moema, em SP. É um novo show, baseado em seu programa semanal “Violão Ao Vivo do Quarto”, quando apresenta faixas inéditas e covers no Facebook Live, em sua página na rede social, ao vivo de sua casa. Mas é verdade, seu quarto será recriado em cena..

Ele descarta a possibilidade de duetos, mas quem sabe não role uma participação de seu pai, Eduardo Suplicy, ou o próprio irmão, Supla. Na apresentação, ele conta as histórias de quando se apaixonou e fez determinada música em homenagem ao amor, ou quando conquistou outra mulher, e não deu certo. Todas as faixas são autobiográficas, meio que um relato de sua vida. “Tem uma de quando estava apaixonado por uma garota e ela não estava afim, que virou o blues ‘Deixa o Tempo Trabalhar’.”

João Suplicy 5Há ainda “Dicionário do amor” e outra chamada ‘Tudo Ou Nada”, todas quase inéditas (porque já havia apresentado em seu semanal), que ele pretende reunir em um EP até o fim do ano. Até lá, vai soltar singles , um por vez, nas plataformas digitais. Ele revela que não está namorando ninguém agora e há uma uma música – chamada “Solteiro e Vagabundo”, cuja letra diz: “Daquele amor já me despedi, agora tá tudo bem, não devo nada a ninguém, quero sair por ai (…) Eu tô na pista, pode procurar. Também estou no virtual (…) Largado no mundo, vou ficar até que chegue outro amor para me apaixonar”.

Apesar de a letra citar relacionamentos em tempos de Tinder (rede social de relacionamentos, destinada a encontros), ele diz que não saiu em nenhum date com alguém que conheceu no aplicativo. “Não, não”, riu. A letra fala sobre a patrulha digital, de quando alguém curte a foto do outro etc. “Dentre essas músicas, tem algumas que foram feitas há algum tempo, mas não cabiam no conceito da banda, o Brothers Of Brazil (seu projeto de verve mais rock ao lado do irmão, Supla”, explica. “Muitas ficaram esperando o momento correto pra ganharem vida”.

Segundo ele, enquanto o repertório de sua banda era a maior parte em inglês, as novas faixas flertam com a música popular brasileira – isso, se você considerar Paralamas do Sucesso e Arnaldo Antunes como parte dessa vertente, mais do que Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. “Tenho referências muito diversas, mais amplas do que a MPB, como Blues e Rock. De muitas coisas que coloco na minha música, e não me importo (sua classificação), componho muito mais focado num Blues ou compor um Samba e transformar ele num Rockabilly. Uso essas referências, do que ouvi a vida inteira, pra fazer minha música”.

Esse formato voz e violão permite infinitas possibilidades. Ao vivo, ele vai fazer um cover de Elvis Presley e, em outro momento, interpretar Vinicius de Moraes com Baden Powell. No mínimo, curioso!

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siterg Por André Aloi, especial para o Site RG
O texto acima é uma r
eprodução; veja a publicação original

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"Ser menina" no Of Monsters and Men não é problema para a vocalista

Ser única menina de um quinteto não é problema para a vocalista do Of Monsters and Men, Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, que está ao lado dos marmanjos Ragnar “Raggi” Þórhallsson, Brynjar Leifsson, Arnar Rósenkranz Hilmarsson e Kristján Páll Kristjánsson desde 2010. Há três anos vem mostrando a cultura do folk islandês, quando estourou com o meteórico hit “Little Talks”.

CQBlbtHXAAADlEl“Toda minha vida estive cercada de garotos. Estava interessada nas coisas deles, de um jeito estranho, como música, skate, quadrinhos. Fico muito confortável (hoje em dia) porque, no fim das contas, é coisa de garota também”, conta Nanna, de Nova York, onde estava para se apresentar na TV, divulgando o mais recente CD (“Beneath The Skin”, Universal, 2015). O grupo vem, pela segunda vez ao Brasil em março de 2016, mais uma vez para o festival Lollapalooza, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Antes, esteve em maratona de shows pela Europa e América até o fim do ano passado.

A dúvida – clichê, a gente sabe – é se ela tem algum temor. Monstros, talvez? “Tenho muito medo dos homens. Às vezes não se sabe a diferença”, zoa. Mas talvez ela não aguentasse ver sua intimidade exposta nos tabloides. Por ser a garotinha, de 26 anos, de um grupo é mais fácil se blindar do que quando se tem uma carreira solo. “Não poderia imaginar ter minha vida assim, fico muito confortável com a privacidade. É muito estranho imaginar que há muita coisa além da música”.

“Me enjaule como um animal, me coma como um canibal”, diz a letra de “Human”, faixa de onde vem o título do novo trabalho. “Quisemos fazer um álbum mais humano. E falamos disso em todos os sentidos, não só emotivo, mas no corpo também. Seja humano! Lide com as suas emoções, e é muito aceitável você ter defeitos e conviver com isso”, exclama, citando que a arte da capa foi criada por Leif Podhajský.

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Depois de uma turnê bem-sucedida, e todo o auê em torno do primeiro CD (“My Head is an Animal”, 2011), voltaram pra casa pra compor este novo. “Queríamos imprimir honestidade nas letras, mesmo sem ter discutido isso entre nós, ou onde queríamos chegar. O que foi positivo no fim, porque tínhamos diferentes ideias. Se tivéssemos feito isso, as diretrizes poderiam ter se perdido e poderíamos ter nos restringido um pouco. Neste novo, entramos numa sala para tocar, passar um tempo juntos, e o que tinha que sair, saiu”.

CR3llowWEAApCilLigada à moda, a vocalista explica que vê o mundo fashion como um jeito ótimo de se expressar. “Quando você vai para um show, está no palco, faz parte do jeito que você conta uma história”, explica. Assim como outra islandesa famosa – e apontada como ícone fashion – ela não sabe dizer que Björk é uma inspiração clara em algo. A única certeza – e ela faz questão de frisar – é que ela é a “madrinha” de seu país. “Ela inspira mesmo sem inspirar”, brinca.

Nanna sinaliza que a banda tenta não se deixar levar pela pressão da indústria da música. “Vê o que está acontecendo, e se lembrar quem você é”, diz o mantra para se manter focada. “E voltar para casa, onde não há nada louco acontecendo. Por isso, a maior parte do nosso processo criativo é lá”. Ela fala com emoção de sua primeira passagem pelo País, no Lolla de 2013: “amamos tocar no Brasil porque foi um dos shows mais memoráveis pra gente, falamos muito sobre isso. Estamos muito animados em voltar. Por favor, ouçam (o CD “Beneath The Skin”)”.

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"Ninguém é santo o tempo inteiro", diz Flávio Renegado com novo EP

Se você assiste TV por volta das 19h de segunda a sábado, com certeza ouve Flávio Renegado. É sua voz que acompanha Anitta na abertura da novela das 19h na TV Globo, “Totalmente Demais”, e o projeta para o Brasil. O cantor mineiro acaba de lançar um novo EP, chamado “Relatos de Um Conflito Particular” (Som Livre).

As sete músicas, disponíveis nas plataformas digitais, tratam sobre os pecados capitais. “Me identifico um pouco com todos. O pecado pode ser uma força motriz. A gente fica com esse pensamento católico de que é uma coisa ruim”, pondera. “Ninguém é santo o tempo inteiro. Pecar é legal pra você ter um lance criativo, ter avareza e saber pra onde caminhar. Tudo na medida certa. Se exagera, vira veneno”.

O rapper explica que o álbum nasceu de um processo natural, pois ficou estudando como fazer. Quatro anos separam este do seu último trabalho (“Minha Tribo é o Mundo”, de 2011). Tudo começou com a ideia de lançar o oitavo pecado capital, em janeiro.“Cheguei à conclusão de que o mundo já tá do jeito que tá (cheio de pecados), ainda vou inventar mais um? O que é pecado pra você, pode não ser pro outro. Se torna um conflito particular seu, a sua leitura de mundo”, filosofa. “Sou um cara com vários conflitos. Mas eu acho que o que mais me inspirou para esse disco foi esse, pautado pela religião: do certo e errado. Amar e ao, mesmo tempo, ter raiva porque a gente poderia evitar coisas, como a desigualdade”.

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A mãe do cantor o levou para todas as religiões possíveis, segundo ele, até começar a se inclinar pela qual gostava. “Tenho uma queda muito grande pelas religiões de matrizes africanas. A fé tem que ser renovada sempre”, analisa. Mas não é sobre religião que sua vida é pautada, mas de música: “sou um resumo de tudo o que já ouvi. Sou um cara que a música me influenciou a vida inteira, como James Brown, dai me apaixonei pelo rap, que possibilitou ampliar meu leque de visão e a coisa mais nova que tenho flertado é o rock. E isso transparece no disco”.

Ele conta que cada compositor o levou para uma experiência diferente. “Quando fui fazer o disco em janeiro (de 2015), comecei a compor, pré-produzir. Foi tudo meio junto. Ia estruturando as música pra compor de alguma forma, com letra ou melodia”, explica, citando que “Beagá” está cada vez mais bem posicionada na cena rap, apesar de atualmente morar no Rio de Janeiro e já ter vivido por dois anos em São Paulo. “Até brinco, falo que moro no Sudeste. Fico um pouco aqui, ali. Não sou eu quem escolhe, vou no fluxo do trabalho. A música que me conduz sempre, me leva para onde eu tenho que ir”.

Apesar de estar com um EP para trabalhar, ele diz que o processo criativo não parou. O desdobramento deve ser um CD para o ano que vem, ainda sem pensar muito. “O que mais motiva a compor é a vida, o dia a dia. Acho que sou um grande observador. Gosto de andar e observar as pessoas, como elas se comportam, o que está acontecendo, o rosto, o olhar. Sou muito sensitivo nesse sentido. Gosto de sentir essa energia e transpor para o papel”, garante, enumerando referências de outros estilos do rap, que não se assemelham à sua vertente, como o trap e algumas bandas, como os roqueiros Black Keys e Arctic Monkeys.

Renegado conduz um discurso mais denso e profundo. Com uma carga mais emotiva pra poder representar esses pecados. “Descola um pouco das coisas autobiográficas que tinha nos anteriores. Ele é crítico da situação, uma reflexão da sociedade. Mais do que uma culpa pessoal, é uma culpa social”, reflete. “A gente está num lugar muito doido. Quantas pessoas são assassinadas e ninguém fala nada. É só mais um dia. Cadê o respeito com o ser humano?”, pontua.

Em seu single de estreia, um clipe 360º chama a atenção. Veja “Só Mais Um Dia”!

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Conheça Jaloo, o cantor paraense que lança CD com aval de Grimes

Logo que lançou seu álbum de estreia, “#1″ (selo Skol Music), o cantor paraense Jaloo (de Castanhal, distante cerca de uma hora e meia da capital Belém) – radicado há quatro anos em SP – queria que Grimes, a cantora cool canadense, ouvisse seu trabalho. Tanto fez, que pediu para os fãs darem uma ajuda e repassassem a mensagem até ela dar um sinal de vida.

O movimento deu certo, e ela tuitou: “música encantadora! Bonito visual”. A capa a que ela se refere é uma obra criada por Junior Franch (fotógrafo) e Vitor Nunes, e que também está no clipe de “Ah! Dor”. Junto com o cantor, buscaram referências e chegaram a esse denominador. Mas antes dela, Pitty usou a mesma plataforma pra compartilhar sua “obsessão”.

O nome artístico é basicamente um personagem por trás do músico. “Acho que isso está muito claro que o Jaloo não é o Jaime. Eu comecei a separar as coisas com tempo porque é um projeto. No caminho, eu fui entendendo que era uma coisa que estava criando e eu não tinha muito controle. Por conta disso, ele é algo alheio a mim, tem as próprias pernas”. E não tem medo de ter criado um monstro: “se eu criei, também, esta tudo certo porque é tudo expressão. Por enquanto, ele é legal”.

Foto Jaloo - credito Junior Franch 1Jaloo diz que o nome surgiu de uma conversa com amigos. “Não tinha nome pra dar ao que fazia. E meu nome é meio zuado, Jaime. A gente entrou num consenso, de juntar meu nome com meu sobrenome. Jaloo é isso: Jaime e Melo, e pronto. A gente colocou mais um ‘o’ pra ficar com som de ‘u’ pra ter só eu no Google, YouTube”, divaga.

O disco é muito pessoal, segundo o produtor. “Tudo o que reflete, a minha personalidade e todos os caminhos que percorri até chegar aqui. No Pará, a gente tem um sincretismo religioso gigantesco. Por exemplo, eu sou ateu. Mas me interesso muito pela festa do Sírio, que é linda e legal, pela história do Candomblé e Umbanda – que é fortíssima. Fazia festa com estas pessoas, mesmos não tendo fé. Pela festa e energia, gosto muito. Me adentro em qualquer lugar que acho positivo e legal”.

O nome do disco também foi uma um processo natural, diz ele. “Não tinha muita pretensão, não (de ser número um nas paradas). Tomara! A ideia é só primeiro porque a hashtag mais 1 tem o mesmo significado em qualquer lugar do mundo. Basicamente isso: soar universal, ser entendido em qualquer lugar do mundo como o primeiro. Se colocasse o ‘ozinho’, em alguns lugares não funcionaria”.

Ele diz que a produção, do disco foi bem solitária. “Composição, arranjo. O acabamento que foi com algumas pessoas, como Kasin, que ajudou a nivelar algumas frequências do áudio. O que a mixagem também eu fiz no estúdio do Rodrigo Sanches, foi bem legal. Mas a produção em si do material , a composição foi bem solitária nesse processo”, revela. Algumas dessas músicas existiam há uns 2 ou 3 anos, e outras saíram na semana que tinha pra entregar o disco. “Criar é um exercício natural. Acordo, ligo computador e começo a fazer coisas. Às vezes, estou ouvindo uma música e produzir fazer também”, diz ele, comentando que seu workroom estava cheio de projetos inacabados e o álbum pôs um ponto final.

Jaloo crê que sua música destoa de outros artistas paraenses porque nunca se preocupou em ser embaixador ou usar o tecnobrega para se promover. “Esse disco só tem dois tecnobregas, se é que você pode chamar assim. Lembro que quando comecei a fazer os remixes, tava preocupado em não soar parecido com o pessoal da cena. Até por respeito a eles porque não fazia parte. Sou mais um artista, um ser humano, do que um embaixador de qualquer ritmo. Eu acho que sou mais preocupado em me expressar naturalmente”, pontua.

Se esse disco tem na tristeza uma pauta – porque entre 2013 e 2014, Jaloo viveu um período difícil com o rompimento de uma relação -, em 2015, as coisas estão mais tranquilas. Segundo o artista, a sensualidade e sexualidade estão mais afloradas. “As composições de agora estão indo muito para esse lado. Eu acho que o segundo disco vai ser sexy”.

Foto Jaloo - credito Junior Franch w

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Jaloo - credito Junior FranchCHEGADA A SP
A história de fazer música começou quando ele assistiu ao documentário “Brega S/A”, do diretor Vladimir Cunha. “Fala sobre a indústria do tecnobrega. Não tinha nenhum contato com o estilo a não ser o sonoro e gostar mesmo. Não conhecia ninguém do meio nem nada do tipo”, diz ele, que ia bastante nas aparelhagens. “Nele, vi o programa que faziam música. Catei o nome, fui lá no Google, comecei a ver umas coisas no YouTube. Ali já estava fazendo música. Foi uma curiosidade que cresceu e tomou conta”.

Ele fiz que já produziu muita coisa abstrata e ruim no começo. “Mostrei para os meus amigos, que falaram: ‘olha, continua’. Mas, né? Gosto muito deles porque são sinceros. Continuei e não parei. Ai teve uma hora que eu pensei: isso já está bom para mostrar. Foi um remix de ‘Rude Boy’, da Rihanna. Foi parar no site do Diplo, que publicou no Twitter. Tinha uma galera de São Paulo que estava me curtindo, e começou a trocar ideia. Aí começou tudo”.

Por conta deste trampo que lhe foi oferecido, o músico mudou pra São Paulo. “Era um projeto muito sólido de produção musical na periferia paulistana, carteira assinada. Tava no Pará sem fazer nada, fazia quatro meses que havia me formado em Publicidade, curtindo a vida. Vou voltar pro trampo e vim diretão pra SP. Comecei a trabalhar na Zona Leste, conhecendo a cena do Funk Ostentação, lá em 2012 tava bombando. Aprendi muita coisa”. Segundo ele, há algumas coisas produzidas por ele ainda pelo YouTube. “Tanto gostava que acabei fazendo uma homenagem no disco em ‘Fluxo’.

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Entrevista Disclosure: "criamos nossa própria vibe, reconhecem"

Para falar sobre o novo CD “Caracal”, entrevistei o Guy Lawrence, do Disclosure. Uma parte, publiquei no Site RG, e a entrevista completa entrou no Popload, do Lúcio Ribeiro. Também saiu minha resenha do CD na Rolling Stone Brasil. Leia a transcrição abaixo!

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image* Finalmente chega à luz o disco novo da dupla inglesa dance Disclosure, do irmãos Guy e Howard Lawrence. Nova sensação na época do primeiro disco e superconsagrados agora com a chegada deste segundo, “Caracal” lançado hoje, o duo é como o Midas da nova safra da música eletrônica. O que toca, vira ouro. Em parte, é deles o crédito de a dance music estar de volta e com força às rádios.

Guy e Howard, ambos ainda com 20 e pouquinhos anos, chegaram ao status de serem reconhecidos pela própria vibe (com texturas inusitadas e muito sintetizador). “É algo que sempre quisemos ter. É igual você ouvir um cantor e reconhecer a voz de imediato. Gostamos de acreditar que, com a nossa melodia, as pessoas saibam quando é o Diclosure que está tocando”, explica Guy. “Tivemos a vida toda para compor o primeiro disco. E um ano para escrever e produzir este novo. Tentamos esquecer a pressão. É como se estivéssemos voltando para o começo, fazendo música só por diversão”, diz.

Com tantas parcerias louváveis (Sam Smith, Lorde, The Weeknd, Lion Babe…), um artista que eles ainda sonham em trabalhar é Prince: “Seria incrível”. Apesar dos holofotes estarem voltados para os irmãos, eles gostam de manter suas vidas privadas longe do burburinho. “Não somos do tipo Instagram, Twitter ou coisas assim. Nós não queremos ser ‘famosos’, apenas trabalhar com música”, reflete. E o lance de serem irmãos não atrapalha. “Nunca brigamos. Somos melhores amigos.

O mais velho, Guy Lawrence, de 24 anos, falou por telefone com André Aloi sobre o antes muito aguardado – e agora já badalado – novo álbum “Caracal” nas lojas. Confira a entrevista completa abaixo:

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ANDRÉ ALOI – Vocês já têm um estilo definido. Quando a gente ouve uma música do Disclosure, as batidas já entregam que a produção é de vocês. É algo pensado?
GUY LAWRENCE – No Reino Unido, muita gente nos credita por colocar a Dance Music de volta à rádio. Não digo House, mas essa estrutura mais pop, mesclando a House Music com vocal. Então acho que é uma coisa boa ser creditado a isto. As pessoas reconhecem nossa música porque ela é warm, synth e jazz pop, melodias interessantes e ritmos que não soam como a Pop Music comum que ouvimos na rádio. Criamos nossa própria vibe, essa é a coisa boa. É algo que sempre quisemos ter. É como quando você ouve uma música de um cantor, e reconhece pela voz. Eu gosto de acreditar que, com nossa melodia, as pessoas reconheçam a gente com uma identidade própria.

O que mudou nesse CD para o anterior? Muita gente diz que sente a pressão de fazer um segundo CD, há sempre esse estigma. Vocês se identificam mais com esse novo som que criaram em “Caracal”? Acham melhor que o álbum de estreia?
Ouça o novo álbum e me diga você (risos). O processo de feitura do novo disco foi muito similar ao do primeiro. Acho que a razão pela qual as pessoas dizem que é mais difícil conceber o segundo álbum é porque você não tem o mesmo tempo para escrever… Você teve sua vida toda para compor o primeiro. Nós, basicamente, tivemos um ano para escrever e produzir este. Mas foi exatamente o mesmo processo. Tentamos esquecer toda a pressão e a base de fãs que criamos. É como se estivéssemos voltando para o começo só para fazer música por diversão. E foi o que fizemos. E este álbum é melhor do que o primeiro, sim. Digo isso porque as composições são melhores. Conseguimos ter letras mais interessantes, ótimos artistas e cantores participando. As produções se encaixaram. Porque somos jovens, temos mais a oferecer. Há uma progressão natural do que fizemos no primeiro álbum. Fizemos o que podíamos de melhor para entregar aqui.

Como a primeira faixa se chama “Nocturnal”, minha dúvida é: vocês são mais pessoas do dia ou mais notívagos? E como foi a escolha do nome para esse álbum (que tem referência a um gato selvagem)?
Acho que sou uma pessoa da noite, enquanto Howard é mais do dia. A razão pela qual escolhemos esse nome tem a ver com os convidados. Quando se trabalha com diferentes artistas, toda canção tem concepções distintas, uma história diferente. E seria muito difícil nomear o álbum com apenas um aspecto. Já que as músicas falam de coisas diferentes, então pegamos algo que tivesse uma boa visão e fosse interessante. Daí chegamos a esse animal, que achamos bem legal, e é também o animal favorito do Howard. E seria legal colocar a máscara do Disclosure nele. E poderíamos dar a ele esse lado selvagem, dos festivais e clubes noturnos que fazemos…

O que vocês ouviram e que pode ter servido de inspiração para o trabalho novo? Teve algum cuidado especial na concepção deste novo disco que foi diferente da do anterior?
Não tínhamos ideia de como seria o álbum no começo. Compusemos umas duas ou três músicas e daí então tivemos uma ideia para onde iríamos. Mas há uma variedade maior e mais ampla de tempos, texturas. Não há música instrumental. Todas as músicas são tracks vocais, o que é ótimo porque adoramos trabalhar com a voz. Talvez essas sejam as duas principais mudanças do último álbum para este.

Vocês quase não aparecem, não são do tipo que expõem suas vidas pessoais, que circulam as páginas de tabloides nem são cercados por paparazzi. É assim mesmo?
Nós gostamos de manter nossas vidas privadas. Não somos do tipo Instagram, Twitter ou coisas assim. Nós não queremos ser “famosos”. Apenas trabalhar com música.

E como é manter uma unidade, ainda que haja tantos artistas num mesmo trabalho?
Quando trabalhamos com cantores, seja um artista grande ou pequeno, popular ou nem tanto, pode ser do jazz ou de qualquer gênero, o que importa pra gente é a voz, desde que seja boa, que se sobressaia, seja única, excitante. Nós não escrevemos as músicas e mandamos. Eles escrevem junto, vêm ao estúdio, compomos em conjunto. Não há algo como um fator específico. Eles têm que ser ótimos cantores, tem que ser legais… Temos que ser amigos deles. Não queremos “big superstars”, queremos gente bacana. Nós temos o mesmo agente que o Sam Smith. E a Lorde nós a conhecemos quando nos apresentamos juntos numa premiação. Os outros a gente era meio fã ou gostava, então entramos em contato com eles, ou eles conosco, e fomos para o estúdio.

Vocês têm um programa de rádio no serviço de streaming na Apple. Mas você acha que há algum serviço perfeito para lançar música?
Pergunta difícil. Estamos prestes a descobrir, para ser sincero. Mas uma coisa que estamos inovando para este CD, desta vez, é preparar um curta para cada música que lançarmos como single. Cada parte será um trecho de enredo do filme para, no fim, concluir um longa (veja o trailer abaixo). Como temos um programa de rádio na Beats 1, na Apple Music, é um jeito diferente de fazer uma entrega musical para novas pessoas. Mas acredito que cada serviço tem que ser entregue de um jeito diferente, que se encaixe para diversos artistas. Artistas pop, de repente, o melhor jeito é Spotify e YouTube. Para um artista underground, que queira entregar sua música de graça, Vimeo. Há muitos meios. É difícil dizer qual se enquadra melhor com cada artista.

O fato de vocês serem irmãos, ajuda ou atrapalha. Não há um momento em que a intimidade atrapalha? Ou é tranquilo ir para a estrada com o Howard?
Funciona para a gente. Mas não somos irmãos normais Nós nunca brigamos. Se fôssemos irmãos convencionais, acho que seria uma péssima ideia ter uma banda juntos. Somos melhores amigos, saimos bastantes, somos bem próximos.

Hoje vocês são referência no que fazem. Mas há outros produtores de quem são fãs?
Tem um cara em Montreal, chamado Kaytranada, que faz uma mistura de disco com influências hip hop. Hommy, ele faz uma mistura disco bem boa, como DJ também. E tenho ouvido algumas bandas, como o novo do Foals, que é maravilhoso. Lianne La Havas, ela tem um álbum incrível, que está prestes de ser lançado.

Qual a melhor memória do Brasil? Vocês conhecem algo de música brasileira?
Foi tocar no festival Lollapalooza, no autódromo de Interlagos (em 2014), foi muito legal. Foi divertido. Ayrton Senna foi o maior corredor de todos os tempos e eu era muito fã dele. Então tocar num lugar que a gente sabe que ele correu foi mágico. Meu irmão tem ouvido muita música brasileira (pausa no telefone para perguntar a Howard). Antonio Jobim tem ótimas canções.

Se você fosse um jornalista e pudesse perguntar uma coisa para o Disclosure, o que seria?
Perguntaria: Como vocês conseguem ser tão bonitos? (risos).

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A mensagem aos fãs brasileiros é aquela coisa: “animados em voltar”, o que deve acontecer no ano que vem. Sabendo que agora eles começam a turnê promocional lá fora, devem desembarcar no Brasil no primeiro semestre de 2016. 

 

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"A gente está disponível o tempo inteiro", reclama Tiago Iorc em CD

A música de Tiago Iorc é ubíqua na TV Globo: já foi trilha de diferentes novelas, desde “Malhação” até a mais recente das seis, “Sete Vidas”, em que fez uma versão repaginada de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. Mas outro programa da vênus platinada tem a ver com a inspiração do novo disco: a geração que se expõe demais e faz um overshare da vida, o Big Brother Brasil (no ar desde 2002).

Com esse gancho – só trocou a TV pelas redes sociais – , o cantor brasiliense (que hoje mora no Rio de Janeiro) propõe uma análise pessoal da geração “Troco Likes” (SLAP) neste quarto CD de inéditas – com todas as faixas em português, exceto pelo bônus track. Apesar de ser “médio conectado”, ele está na internet por causa de trabalho e em contato com quem interessa.

“Comecei a sentir que essa de estar o tempo inteiro disponível me desgasta. Gosto da proximidade que essa realidade internética nos proporciona, mas não gosto de ir demais”, explica, comentando que há uma carência do ser humano em significar algo para o próximo, fazer parte de um convívio em que o que se faz é interessante.

Tiago Iorc 2014

O nome do álbum começou de uma brincadeira com seu empresário, Felipe Simas, e essa carência manifestada nas redes sociais foi dando forma ao disco.

Na capa, o artista dá um sorriso forçado, na arte criada por Nestor Canavarro. “No avatar, as pessoas querem mostrar, não necessariamente o que estão sentindo. Tenho amigos ou pessoas que conheci há pouco – na superficialidade – que, pelas redes sociais, imaginava uma coisa. A pessoa estava o tempo inteiro viajando, com pessoas interessantes. Quando conheci de fato, não era nada daquilo: era tímida e pouco interessada. Existe essa dicotomia com a vida real”.

Para Tiago, a curtida é quase que uma conquista, um voto de apoio em torno de alguma coisa. “Eu apoio essa foto, ideia, pessoa ou a motivação por trás daquilo. Mas se tornou muito gratuito, funciona como um comércio de significado para as pessoas”, reclama.

Tiago Iorc divulgação

Seu único grupo no Whatsapp é o da família, que raramente vê. “Sou mais inativo. Aí, quando vejo, tem mais de 200 mensagens, acabo não lendo. Prefiro ligar para os meus irmãos, minha mãe, para saber das novidades”, defende-se. Entre os assuntos desse grupo, coisas do cotidiano. “É muito legal para quem só tem essa alternativa, mas estou em turnê, então tem toda essa coisa de passagem de som, ir pra TV. Gosto de ter um momento em que consiga organizar a cabeça”.

Sua relação com o violão neste álbum fica mais evidente. Todas as canções nasceram de sua relação com o instrumento. “No processo, houve cuidado de nada abafar isso, que ele fosse o centro e as coisas viessem para dar suporte”, avalia. E ele quis brindar o público brasileiro, cantando em seu idioma nativo. “Antes, achava que tinha preferência por compor em inglês, mas percebo que era mais prática”.

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O romantismo sobre as coisas, por vezes pessoas, são um reflexo do que ele viveu no período anterior à composição e gravação do disco. Mas não gosta de se encaixar em um rótulo: garoto apaixonado ou “bad boy”. “Depende da leitura das pessoas. Posso manifestar coisas que são do meu interesse ou não”, despista.

Mas a materialização do amor está em outras faixas, como “Coisa Linda”, em que é nítida a participação da atriz Isabelle Drummond como protagonista da vida amorosa do rapaz de 29 anos. Ela tem 21. “Tem coisas que me inspiro a partir da minha relação com ela, mas nuances de romance podem ser simplesmente observações sobre esse assunto”, opina.

“A gente divide muito, tanto ela no trabalho dela, quando eu no meu. Somos muito parceiros, de gostar e acompanhar o que o outro está fazendo. Tem coisas que trabalho um pouco mais e apresento, mais formadinho”, explica. Por enquanto, ele não acredita que um dia essa proximidade possa fazer os papéis se interterem: “acho que ela não tem vontade de cantar profissionalmente, assim como não é, em princípio do meu interesse virar ator, embora eu acabe fazendo isso nos meus videoclipes”.

Por falar em dividir tudo, eles só não dividem o mesmo teto. “A gente se gosta muito, mas também gosta muito do tempo da vida de cada um. Daqui a pouco, quando sentir que é o momento de dar um up. Por enquanto, estamos curtindo o namoro”, pontua.

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LANÇAMENTO
Tiago Iorc autografa seu recém lançado disco “Troco Likes” na segunda-feira (31.08) da próxima semana, na livraria Cultura, do Conjunto Nacional. Até dezembro, vai somar mais de 50 shows em todo o País. O encerramento da turnê deve ocorrer na capital paulista, mas as datas ainda não foram divulgadas.

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"Sem medo de ser triste. A tristeza não é feia", afirma Mariana Aydar

Mariana Aydar está de CD novo. Mas não é um disco que ela encare como de carreira, autoral, apesar de ter faixas inéditas. “Pedaço duma Asa” (Brisa/Pommelo), de universo próprio, era um projeto especial, chamado “Palavras Cruzadas” e organizado por Marcio Debellian, em que ela interpretava as músicas de Nuno Ramos. E foi daí que resultou o processo inverso: começou nos palcos e só depois maturou no estúdio.

A densidade poética de Ramos é sentida nesse álbum em que se fala muito de sol, mas não tem nada de ensolarado (sinônimo de alegria). É uma das características do trabalho, segundo a cantora. “Não temos medo de ser tristes”, diz, fazendo contra-ponto à crença popular. “Hoje, no Brasil, está instaurado de que as coisas precisam ser felizes, precisam dançar… Nas músicas do Nuno, a poética não é ensolarada. Mas a tristeza não é feia”.

A cantora paulistana crê na beleza da tristeza. “Acho que faz você ficar humilde, é um passo muito importante até para a felicidade acontecer. É um contraste, como aquela música do Lulu Santos: ‘Não existiria som, se não houvesse o silencio’. São emoções que passam… A gente quer ser feliz, não triste. Mas tem que passar por isso, às vezes, pra conquistar a felicidade de novo”.

Foto: Simone Elias
Foto: Simone Elias

Em seu mais recente trabalho solo, “Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo” (2011), Mariana havia dito que foi um parto conceber o trabalho. Hoje, dois anos depois de ter tido Brisa, sua filha com Duani (marido e parceiro musical), ela volta a fazer a comparação: “esse parto (do CD) foi o mais normal e humanizado possível. Foi muito tranquilo. Não sei se foi porque eu tive a minha filha, que foi mais punk, mas foi bonito e com muito amor”.

Esse projeto, segundo Mariana, a assaltou como uma paixão e, quando viu, estava com um disco na mão. “Eu, o Duani e o Guilherme Held (guitarrista) começamos linguagem musical ali (em ‘Cavaleiro’), mas tinha mais a explorar. E casava muito bem com as músicas do Nuno. As composições dele têm um DNA de samba. E eu não queria fazer um samba tradicional. Adoro mexer nos alicerces, sem mexer com a alma”, explica.

Foi seu disco mais “gostoso”, diz ela. As faixas com composições de Nuno estavam rolando em seu iPod, faixas de seus dois últimos discos que ficaram de fora. “E eu estava com aquele repertório ali comigo, amando, ouvindo e reouvindo. Já estavam prontas quando fiz o show, e já eram músicas que queria cantar pra sempre”.

Foi gravado em um estúdio em sua casa, em Pinheiros, São Paulo. “Podia gravar a hora que quisesse com Duani, que é meu companheiro e parceiro de música há 10 anos. Houve também um depuramento dessa linguagem que a gente estava criando, com nossa filha ali em cima, foi muito fácil. As letras e arranjos vieram de maneira super fácil, tudo bem tranquilo”, resume.

Com o CD na rua, ela prepara uma turnê que começa em 1º de outubro, em Belo Horizonte (MG). Em 21 de novembro é a vez de São Paulo receber a nova versão das músicas de “Pedaço duma Asa”. Mais um músico se juntará à banda na estrada, mas a cantora ainda está buscando finalizar a produção: “não está sendo tão fácil, como imaginei”.

Foto: Mihay Freire
Foto: Mihay Freire

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NOVO CD AUTORAL
Como antes do processo ela já estava pensando em gravar um disco próprio, os fãs podem esperar novo material para 2016. “Agora vou voltar para esse trilho”, ri. “A maternidade, assim como neste, em que fala muito sobre a mãe, servem de inspiração”, explica, dizendo que Nuno perdeu a dele (2011) e ela virou mãe (2012).

HISTÓRICO
Mariana e Nuno se conhecem desde 2007, mas nem sabia que ele era artista plástico. Nem achava que ele era brasileiro. É dele o samba-fado “Atrás dessa amizade”, do disco “Cão” (2006), de Rômulo Fróes.

A primeira composição dele gravada por ela é “Carcará” para uma do artista, que ficou famosa na Bienal de 2010 por conta da polêmica envolvendo o uso de urubus. Além de Carcará, a instalação era sonorizada com trechos de “Bandeira Branca” e “Acalanto”.

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“Mulher tem que ser vista como ser humano, não bibelô”, diz Ana Cañas

Ana Cañas leva sua MPB feminista com atitude rock ‘n’ roll para o teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. A nova turnê do novo álbum “Tô na Vida” (lançado em 31.07 via slap) desembarca na capital paulista com a participação de Arnaldo Antunes. Acontece depois de uma apresentação prévia e de teste em Curitiba (PR). Às 18h deste domingo (16.08) é pra valer!

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