Laura Marling e sua divina timidez transformam Cine Joia em catedral

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Fotos de Ana Laura Leardini, exclusivas para o Aos Cubos.

Ao vivo, Laura Marling às vezes é uma criatura divina e outras vezes deixa transparecer que é apenas uma inglesa muito tímida de 26 anos. Celestial e humana, Laura é acima de tudo uma musicista fenomenal. Na última vez que veio ao Brasil, 5 anos atrás, Laura tinha 21 anos, dois discos e um prêmio na bagagem de Melhor Artista Britânica no Brit Awards. Hoje, já no quinto disco, faz obras-primas em sequência e definitivamente não precisa provar mais nada a ninguém.

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Sónar Festival: ver o The Chemical Brothers pela décima vez como se fosse a primeira

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Texto de Fabiano Liporoni e fotos de Eduardo Magalhães/Divulgação

O Sónar é um festival catalão que voltou a ter uma edição brasileira depois de alguns anos sem passar por São Paulo. O lema dos caras é “Música, Criatividade e Tecnologia”. Por alguns dias a cidade foi tomada por essas 3 vertentes: sessões de filmes bem alternativos ligados à música, workshops sobre tecnologia e arte e exposições de fotos como a do fotógrafo Thales Leite chamada “Área 91” onde ele fotografou a força do tecno brega paraense e suas máquinas sonoras que mais parecem discos voadores.

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Charmoso e com ótimas atrações, Primavera Fauna é um bom destino para fãs de música alternativa

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Fotos por Luís Gustavo Coutinho

O Movistar Primavera Fauna, apesar de novo, chega na sua quinta edição como um dos mais importantes festivais de música alternativa da América do Sul. A edição de 2015 aconteceu no sábado – 14 de Novembro – nos arredores de Santiago no Chile, incrustado entre montanhas e piscinas, e com line-up e clima ensolarado de darem inveja a qualquer grande festival.

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Primavera Fauna reúne num só dia principais atrações de Novembro

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Quando chega Novembro, os fãs de música alternativa e órfãos do Festival Planeta Terra sempre consideram dar um pulo em Santiago no Chile para conferir o Primavera Fauna. Esse ano não é diferente, e o festival que existe desde 2011 chegou com um line-up incrível que concentra em um só dia, 14 de Novembro, artistas e bandas que se apresentarão espalhados por São Paulo e Rio de Janeiro ao longo do mês, e alguns que nem vão por os pés no Brasil. É o caso do The Cardigans, Simian Mobile Disco, DIIV e o Wild Nothing, grupo queridinho de dream-pop ainda inédito por aqui.

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Damien Rice leva público ao delírio com show épico de um homem só

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Fotos de Tatiana Otaka exclusivas para o Aos Cubos

Quem conhece o irlandês Damien Rice apenas pelo ultra-hit “The Blower’s Daughter” poderia imaginar que uma apresentação ao vivo do rapaz fosse majoritariamente romântica. Longe disso. Apesar do número de casais aproveitando o show que Damien fez no Cine Joia na quinta (22), seu complexo repertório é muito mais sobre o inferno que os relacionamentos provocam do que seus momentos felizes.

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Após problemas de som, Spoon triunfa em show solo no Beco

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Fotos por Jozzu Ribeiro, retiradas da página do evento no facebook.

O Spoon é um dos grupos de rock alternativo mais respeitados do mundo e o público paulistano teve duas oportunidades de vê-los no último fim de semana. Pra quem teve que escolher uma delas, se deu melhor quem esteve no Beco 203 no Domingo (18). O Popload Gig com o Spoon e o DJ Set do Holy Ghost funcionou como uma terceira noite do Popload Festival, que aconteceu na sexta e no sábado e onde o Spoon já havia tocado.

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Iron & Wine atende pedidos de fãs em show leve mas emocionante

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Fotos de Ana Laura Leardini exclusivas para o Aos Cubos.

Samuel Beam, mais conhecido pelo seu stage name Iron & Wine, é um dos nomes mais icônicos do folk dos anos 2000. Aparecendo absolutamente sem pretensão com um disco gravado por conta própria em 2002 que alcançou status cult, seguiu uma carreira elogiadíssima, e até esbarrou no mainstream quando “Flightless Bird, American Mouth” embalou o romance vampiresco do filme “Crepúsculo”.

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Sobre Emicida, rap, sonhos e mudanças.

Eu não gosto de rap. Assim, sendo sincera ao extremo, o estilo jamais me agradou. Tentei ouvir pequena, mas nem os mais famosos como Gabriel, o Pensador, jamais me empolgaram. Crescida, tentei entender o fascínio causado nos meus amigos pelos Racionais e, mais tarde, Criolo. Mas nada, nenhum deles conseguia sequer tocar na superfície do meu gosto. Apesar de nascida e criada na periferia, e de entender muito bem a realidade de todos aqueles discos, eles não conseguiam me convencer. Era uma música cuja importância e qualidade eu reconhecia, mas o prazer em ouvir, não.

Meu primeiro contato com o trabalho do Emicida veio em 2013, por ocasião do lançamento de seu “O Glorioso retorno de quem nunca esteve aqui”. Na época eu já escrevia sobre música – brasileira, essencialmente – e o álbum estava recebendo uma crítica extremamente positiva por parte de muitos jornalistas cujo trabalho admirava. Decidi enfrentar meu preconceito e ouvir. Não adiantou nada, na terceira música eu desisti e concluí: rap não é pra mim.

De lá pra cá, dois anos e muita água debaixo da ponte depois, Emicida encerrou a turnê de sucesso do seu disco, viajou pra África, se juntou a músicos consagrados. Eu, claro, não sabia nada disso, já que não acompanhava a carreira e o trabalho dele. Até que, numa noite, eu tive um sonho. Sim, caro leitor, um sonho: sonhei que me encontrava com o rapper, dizia que não gostava de rap até então, que havia ouvido seu disco anterior e não havia me tocado, mas que o trabalho novo, ah, o trabalho novo estava incrível, merecia todos os elogios. Acordei achando engraçado, sonho curioso até. Abri o facebook e descobri que ali, naquela data, o seu novo disco estava disponível para audição nas plataformas virtuais. Disco que eu não sabia da existência até então. Ou melhor, sabia: eu descobri no sonho.

Guardei a audição do álbum para um momento cuja minha concentração pertencesse toda a ele. Nada de ouvir no metrô, na rua, em pedaços. Não: achei que a mensagem do cosmos que havia chegado a mim merecia atenção especial, exclusiva, dedicada.

E foi assim que “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa…”(2015) entrou na minha vida. Pela porta da frente, vi a mistura de ritmos, do rap com samba, o flerte com a musica mais pop, as participações especiais, tudo, e concluí que a menina do sonho tinha razão: o disco era realmente incrível.

A viagem de Emicida à África é marca tocante, que perpassa cada canção do álbum, da sofrida e confessional “Mãe”, que abre o disco e remete ao estilo mais primitivo do rap nascido em São Paulo, dos anos 90, à animada “Mufete”, que passeia entre o samba e a música afro, com texturas diversas na melodia. As religiões africanas e seus orixás se entremeiam nas canções, citadas como exemplo de manifestação da opressão branca e como realidade do negro. Nada nas letras é forçado, é imposto como “tema de negro”: a vitalidade das canções vêm da vivência real do rapper, de sua experiência social, humana, racial. “Favela ainda é senzala”, ele canta, em “Boa Esperança”, que ganhou clipe polêmico antes da estreia oficial do disco. E a ideia de que a favela, a senzala, a África-Mãe, o Brasil, filho bastardo pra sua cor e classe, se mostra até na levada quase pop de “Passarinhos”, com participação de Vanessa da Mata e escolhida como primeira música de trabalho.

A respeito de polêmica, Emicida enfrentou uma com a faixa “Trepadeira” de O Glorioso Retorno… Na letra, ele fala de uma mulher faz sexo e diz que “(…) biscate/ Merece era uma surra de espada de São Jorge”. Rechaçado e criticado pelo movimento feminista, ele apresenta agora a faixa “Mandume”, que lembra: “Se os homem é de tirar chapéu, nóiz (mulheres) é de arrancar cabeça”, que ganha participação (entre outras) da rapper Drik Barbosa.

Ainda no que remete às suas raízes, a canção “Chapa” tem uma das letras mais bonitas do disco. Expõe com lirismo a saudade do amigo, a preocupação, traz à tona e ao ouvinte o sentimento de perda, de necessidade, de impossibilidade de ação. Caetano Veloso empresta sua voz à faixa “Baiana”, que revela sensualidade, exaltando as raízes africanas da Bahia, na personagem da mulher baiana cantada pelo músico. Mistura perfeita da busca incessante do disco com a cor local tão forte que Emicida carrega consigo.

Fechando o disco, a faixa “Salve Black” une uma letra forte e carregada de referências pessoais a um ritmo brasileiro, e lembra a famosa frase do músico “A rua é nóiz”.

Eu não gosto de rap. Mas, depois de “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa…” eu não gostava. Obrigada, Emicida. A rua é nóiz.

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Sharon van Etten canta seu apocalipse amoroso no Dia dos Namorados

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Fotos de Ana Laura Leardini exclusivas para o Aos Cubos

Pela primeira vez no Brasil, a norte-americana Sharon Van Etten mostrou duas características quase conflitantes que acabam sendo seu grande triunfo. Ao mesmo tempo que encarna uma potência musical espantosa, tanto na performance como cantora e guitarrista quanto na qualidade de suas músicas, era só o Cine Joia ficar em silêncio para que Sharon virasse a mais humana das artistas, conversando com o público de igual pra igual, fazendo piadas e respondendo absolutamente qualquer coisa que fosse gritada pra ela da pista.

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Britânicos do Jungle justificam hype com show competente

Jungle no Audio Club 13-05-15

Fotos retiradas do flickr Marcos Bacon

O grupo britânico Jungle chegou ao Brasil envolto por grandes expectativas. Presença garantida e elogiada em festivais importantíssimos ao redor do mundo (Coachella, Sasquatch, Primavera Sound…) e trazendo na bagagem um álbum de estreia badalado, o Jungle entregou na última quarta dia 13 o que prometia: um show sonoramente impecável e dançante. Mas tanta perfeição técnica nem sempre se traduz num show emocionante.

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