Miike Snow quebra clima de inverno sueco da Popload Gig 4 de SP

Na madrugada de quinta-feira (23) foi a vez de nevar no Estudio Emme, na capital paulista. Ou pelo menos foi essa a impressão que o Miike Snow deixou com a grande quantidade de fumaça que saía do palco e com uma rena –  símbolo da banda, no pano de fundo. No entanto, esqueceram de contar com o imenso calor (literalmente) humano de um público de 900 paulistanos (ou não) empolgados que encheu o local e quebrou o clima de inverno sueco – de onde a banda veio.

Não é para menos: o show do Miike Snow é muito bem produzido. O destaque fica para o espetáculo de luzes e a força dos sintetizadores da banda, que não deixa ninguém parado. As músicas são um pouco mais alongadas durante a apresentação, pois a banda recorre à estratégia de, depois de tocar a música, fazer uma improvisação, ou às vezes um silêncio, e retomar o refrão com uma explosão de luz e som.

O Miike Snow apresentou as músicas do seu cd homônimo, lançado em 2009. Quem já o ouviu, certamente teve a impressão de que as músicas se complementam, por uma linha melódica que percorre todo o cd. Essa mesma base faz parte da apresentação: eles embalam uma música na outra e conversam pouco com o público, aumentando o clima criado pela fumaça e pelas luzes.

Black and Blue, uma das melhores do cd, é uma das músicas que sobressai na apresentação, assim como Silvia e – claro – Animal. Nessa última, que termina o show, caem bexigas sobre o público, que é iluminado com uma luz à la Yellow.  E fim: eles saem sem bis ou goodbyes.

A abertura ficou por conta da The Name, uma banda de Sorocaba. O trio tocou em meio a uma confusão de pianos, teclados e sintetizadores do Miike Snow, e conseguiu animar o público com um som cheio de distorções e uma bateria bastante animada. O vocalista Andy Alves, bastante performático, desfilou com uma caneca de bateria pela plateia, tocou os pratos do baterista, se divertiu com seus amigos de banda, enquanto o público ia chegando para ver a atração principal da noite.

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O vídeo acima foi filmado no show do Miike no Rio de Janeiro, no Circo Voador, na última segunda-feira (20). É daí também que vem a brincadeira do primeiro parágrafo deste post, dos 900 paulistas empolgados. Explico: foram 60 cariocas, com a iniciativa de Bruno Natal, Tiago Lins, Felipe Continentino, Pedro Seiler e Lucas Bori, que tomaram a frente para trazer o Miike Snow para o Rio.

Se não houvesse essa iniciativa, o show não aconteceria, porque os produtores estão alegando uma certa apatia do público carioca. Bruno Natal explicou melhor o trabalho dos (que ficaram conhecidos como) 60 cariocas empolgados aqui. E agora eles estão tentando levar o Belle and Sebastian. How cool, né?

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Gif animado de André Camara/Party Busters, do Urbe:

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Clima família (de verdade) no lançamento do CD do Holger

A banda paulistana afro-pop-indie Holger teve várias razões para se sentir em pleno verão no show de lançamento do primeiro disco “Sunga”, no último dia 11 em São Paulo (no Estúdio Emme). Os motivos foram hospitalidade do grupo estadunidense Lemonade, os mashups divertidíssimos de André Paste, o calor dos amigos – que eram maioria na plateia – e os sets sempre interessantes dos DJs Dago e Kurc.

Lemonade, primeira a subir no palco, pessoalmente não me agrada mas fez show bastante interessante para uma banda fora do seu habitat: os três integrantes  pareciam bem à vontade para dançar, pular e tomar conta do palco. A música que mais chamou atenção foi o single do EP Pure Moods, “Lifted”,que lembra a sonoridade de sol e praia do Holger.

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André Paste roubou a cena. Apesar de um set curto, no intervalo entre as duas bandas, se destacou por fazer dançar ao misturar funk (o carioca, de “Eguinha Pocotó” a “Eu sou Jonathan da Nova Geração”), pop, rock, Basckstreet Boys, Stereo Love e muito mais em seus mashups. Preciso lembrar que ele tem só 19 anos?

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O Holger só subiu ao palco às 4h da manhã.  Mesmo assim, ainda prevalecia o clima ‘restártico’: familiares – pais, tios, avós (família de verdade, diria Felipe Neto) – de alguns integrantes estavam na plateia, além dos amigos. Em cena, havia também fraternidade que os faz trocar a toda hora de instrumentos, de voz, e cantarem todos juntos.

O mix de teclado, bateria, baixo, vozes (dos cinco) e guitarra soa como um todo improvável.  É difícil dizer o quanto do que eles produzem é uma mistura que deu certo ou produto de uma grande formulação sobre seus instrumentos e sonoridades. Não importa: funciona bastante bem.

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Coerente e coesa: por incrível, esses são os melhores adjetivos para a noite do Sunga. A tempo, uma dica: Paste mashupou “Let’em Shine Below” em seu Myspace. Puro amor!

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Agradecimentos pelas fotos: Estúdio Emme

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Ok Go: direito a dueto com plateia, b-side, guitarras peludas e laser

Foto: Luis Coutinho

Sabe aqueles dias que você tem certeza que vai voltar pra casa, no fim do dia, colocar um pijama e dormir? Sexta (17) era um dia assim. Mas, depois de uma sucessão de surpresas, lá estava eu no Estúdio Emme pra ver o show do Ok Go. A banda sempre esteve na minha lista de espera de “bandas legais que eu posso gostar muito um dia”. Então, ao saber que eu iria ver o show, a primeira pergunta que veio na minha cabeça foi “Quão arrependido ficarei por não ser um fã ainda?”. A resposta foi: muito!

Primeiro, porque o carisma do vocalista Damian Kulash te pega desde a primeira música e, se eu já fosse fã, provavelmente surtaria ao vê-lo, assim como as histéricas representantes da “família Ok Go” que estavam do meu lado. E também porque o grupo faz todas aquelas coisas legais que você espera que uma banda (que você goste) faça num show: teve convite pra subir ao palco pra tocar guitarra (Here it Goes Again), música tocada no meio do público (Last Leaf), b-side – improvisada de última hora – para atender pedido do público (It’s Tough to Have a Crush…), performance com jaquetas de LED (Diodo Emissor de Luz) e guitarras peludas que soltavam raio laser… Tá, talvez você nunca quis que uma banda fizesse isso, mas deveria!

Foto: Luis Coutinho

Aliás, é impossível falar do show sem lembrar de pirotecnia. Quase toda música teve algum elemento visual ou instrumental que fazia a diferença. E já dava para deduzir que seria assim desde antes do show, devido ao verdadeiro arsenal de instrumentos que ocupavam o palco, incluindo até uma mesa com sinos (usada numa performance a capella de What to Do). Só a chuva de papel picado foi meio redundante. Se ela já não tinha mais tanto impacto na segunda vez, depois da quinta vez então…

Como lembrança ruim fica o atraso do show, que estava programado pra começar 23h30, e começou pouco mais de uma hora depois. Mas a melhor lembrança é, com certeza, o final com a ótima This too Shall Pass (que teve Damian mais uma vez indo pro meio do público com direito a todo mundo fazendo coro) e o encore com as tais guitarras peludas.

Se antes do show quase todas as pessoas que eu chamei para ir comigo disseram “Ah, é aquela banda dos clipes legais?”, depois do show estava provado – pelo menos pra mim – o Ok Go é muito mais do que isso.

Foto: Luis Coutinho***

Nesta segunda (20), a banda lançou novo clipe no programa The Ellen DeGeneres Show, da Warner americana.

Mais um para o hall da criatividade: Ok Go – White Knuckles
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[Atualização às 12h28]

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Mariah Carey canta para ‘seu rebanho’ em Barretos

A cantora Mariah Carey esteve no Brasil para show da turnê do seu mais recente álbum, ‘Memoirs of an Imperfect Angel’,  neste sábado (21), na 55ª Festa do Peão de Barretos (distante 423 km da capital paulista). Tida como grande atração da noite, a apresentação começou por volta da 1h25 da madrugada deste domingo (22).

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Durante o show, abriu o leque de sucessos com Shake it Off – mas faltaram hits, como Emotions, Close My Eyes e Without You. Não estevivemos lá, mas reunimos algumas manchetes que contam como foi.


Confira o setlist (por MC forever):
01. Butterfly Intro/Daydream Interlude
02. Shake It Off
03. Touch My Body
04. My All
05. Always Be My Baby
06. It’s Like That
07. I Still Believe
08. Make It Happen
09. Love Hangover/Heartbreaker
10. Dreamlover
11. I’ll Be There
12. Rock with you (Trey Lorenz)
13. Obsessed
14. We Belong Together
15. Hero
16. I Want To Know What Love Is

Mariah Carey…

Canta sucessos e reúne tribos em Barretos (UOL)

Faz show para “fãs de verdade” (Terra)

Não lota arquibancadas da Festa do Peão (G1)

Encanta com carisma e sucessos (R7)

Twitta sobre demora para chegar em Barretos (Vírgula)

Festa do Peão “minimiza” baixo público de Mariah (Folha)

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Em madrugada fria, Ne-Yo esquenta SP

Era 00h20, já madrugada de sexta (13) para sábado (14 ), quando começaram os testes de luz para o primeiro show, na capital paulista, de três que o rapper Ne-Yo – de nome verdadeiro Shafefr Smith, de 30 anos – faria no Brasil (estavam por vir Rio de Janeiro e Minas Gerais nas noites seguintes). Confira o setlist.

Um grande telão de LED (Diodo Emissor de Luz) compunha o fundo do palco que, ainda nos testes, alimentava a ansiedade da plateia reproduzindo imagens iguais às de um eletrocardiograma, como se estivesse monitorando a pulsação do coração de quem foi acompanhar, sob uma noite madrugada de frio cortante, a apresentação do cantor num sambódromo gelado.

Uma homenagem ao rei do Pop, Michael Jackson, antecedeu a aparição do ‘rapper’: “Numa era em que a música está morrendo, temos de fazer tudo para mantê-la viva. Descanse em paz MJ”, disse Ne-Yo. Exatamente à 0h30 – meia hora de atraso – as luzes se apagaram, imitando um curto-circuíto. Para histeria dos fãs, aparece o cantor sob canhão de luz, de terno e gravata brancos, camisa e chapéu pretos, para as estrofes do hit ‘Because of You’.

Antes da segunda música, Stay, ele dá boas vindas aos fãs paulistas e pede para ser acompanhado com palmas. A cada grito, em Nobody, ele desliza pelo palco com passos semelhantes aos do rei do Pop. Termina a música deitado no chão e se recompõe para mais, demonstrando acanhamento com cara de quem não acreditava na histeria dos gritos. Mas vergonha não está no dicionário do cantor, que começa a se exibir com o pedestal do microfone no pescoço.

O público balbuciava o refrão de Single, e ganhou um agrado das dançarinas do cantor: foram arremessadas dúzias de rosas vermelhas no mar de gente. Ganhou a noite quem conseguiu pegar a única jogada pelo cantor. Nos primeiros acordes da música seguinte, mais um gesto de carinho, que silenciou a multidão. Fez um coraçãozinho com as mãos antes de cantar Sexy Love e ao pronunciar a estrofe inicial, puxada na versão ao vivo por “My love…”, e então título.Ne-Yo

Um ar de cabaré tomou conta do show, quando em Champagne Life (atual single, do álbum Libra Scale, que será lançado em setembro) propôs um brinde (com a bebida que dá nome à música) a São Paulo: “Esta taça é para vocês”,disse, quando recebeu uma camiseta “I ♥ SP” das mãos de uma fã que estava na frente do palco (à esquerda). Em Mad, o cantor pensou que o público não estivesse preparado, mas no refrão aprovou o coro sinalizando com um positivo para a galera. Por fim, disse: “te amo”, carregado no sotaque americano.

A plateia foi ao delírio logo nas primeiras notas de So Sick sem saber que, lá pelo meio, a música ganharia arranjos reggaetown. Sem dúvida foram surpreendidos porque soou como a música mais diferente da versão de estúdio. Como já havia dado certo na anterior, Ne-Yo bancou novamente o regente do coro durante o refrão. Pediu para a galera o acompanhar com os braços para cima e, ao final, emendou mais uma declaração de ‘te amo’ antes de Do You.

Dono de um vozeirão, Ne-Yo cantou sozinho Knock You Down (canção que divide vocais com Kanye West e Keri Hilson) – sem suporte de vídeo ou do clipe com aparição dos companheiros de single ou de um playback com as vozes deles. E, na sequência, Beautiful Monster (outro single que ainda está nas paradas) teve um trecho a capela.

Terminado o show de voz, insinuou que tiraria a roupa: abriu a camisa, dobrou as mangas. Ficou com ar de amante latino para cantar outro sucesso: Miss Independent, que teve um solo de dança – as imagens exibidas no telão, durante a performance, ficaram focadas nos pés do cantor, que deslizava em cada passo. Soltou mais um “te amo”, desta vez mandando beijos para cada canto da plateia.

Um solo da banda e o público gritando o nome do cantor anunciaria o fim do espetáculo? Ainda não era a hora. Voltou novamente sob um feixe de luz e explicou: “acho que estou esquecendo de uma música”, e era Closer, cantada em coro por quem estava lá. Na dancinha, que incluiu perfomance com uma bengala, destaque para o espacate estilo James Brown encenado por Ne-Yo. Estava, de fato, encerrada a apresentação: ele recebeu dois presentes. O primeiro, uma carta gigantesca – daquelas com declaração de fã, e um sapo de pelúcia.

Ali era definitivamente o fim, que não quis ser encarado de forma natural pelo público: afinal, Ne-Yo não repetiu uma só música. Nenhum hit sequer – não faltavam opções. Apenas uma hora cravada tinha passado desde que o coração havia acelerado para espantar o frio na capital paulista.

Agradecimentos: Taiz Dering, do Mosh (Portal MTV).
atualizado em 17/08, às 17h02.

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