Cirque du Soleil: “Amaluna” chega à reta final em SP; vai de Shakespeare a empoderamento


A montagem de “Amaluna”, do Cirque Du Soleil, entra na última semana em cartaz, em São Paulo. A trupe canadense faz o último ato neste domingo (17.12), no Parque Villa Lobos. Daqui, parte pra o Rio de Janeiro, onde fará sua primeira apresentação no dia 28 de dezembro.

A montagem conquista antes do primeiro ato, com ‘clowns’ que divertem a plateia. A história complementar desses palhaços é irreverente, que quase rouba a cena da narrativa principal. Mas esse jogo é equilibrado. Em cena, acrobatas saltam em monocletas e o cântico libertador de belas mulheres, que parecem ninfas, te levam para outro universo. O Cirque é a prova viva de que a forma como circo nos foi apresentado na infância, com globos da morte ou de animais vítimas de maus tratos, não precisam para te deixar de queixo caído. Aqui, eles celebram a vida.

“Amaluna” é uma conquista para o Cirque, que há poucos anos ia mal das pernas – pelo menos no Brasil, com o impasse das empresas que trariam novos espetáculos para cá, o que nunca aconteceu. E não por falta de sucessos anteriores: só no Brasil, haviam vendido 2,5 milhões de tickets. Eles conseguiram virar o jogo, trazendo depois de quatro anos uma apresentação marcante: 65% do elenco de 120 pessoas, de 20 nacionalidades diferentes, é formada por mulheres. A banda ao vivo, inclusive, é toda composta por garotas: voz, guitarra, percussão, bateria, baixo e violoncelo.

A cenografia do espetáculo e o texto foram inspirados pela mitologia nórdica e clássicos de Shakespeare, como “A Tempestade”, em que ao invés de Ferdinando, eles usam Romeu como o nome do mocinho. O texto soa familiar e cria identificação com o público. Na trama, uma ilha do mediterrâneo é “invadida” por pescadores que naufragaram. Miranda é uma jovem que busca liberdade e vê no amor de Romeu uma conquista – ele mesmo se interessa pelos nativos. No entanto, esse amor é permeado por sentimentos inóspitos, sombrios e de discórdia, quando o povo da ilha se sente ameaçado por esses novos moradores.

A parte mais incrível da montagem é uma em que Miranda faz acrobacias na beira de uma piscina (em formato meia-taça). Ela se equilibra nos dois braços, em um, até cair na água cristalina. Em algum momento, Romeu aparece para flertar. Esse embalo dos corpos é hipnotizante.

Pausa de 20 minutos para banheiro e repor a pipoca e o refrigerante.

O segundo ato começa com uma disputa de território entre as guerreiras nativas e os pescadores. Em um trapézio, eles encenam movimentos sensuais. O suingue coreografado de um lado outro te prende a atenção. No ato seguinte, a dança enigmática do corpo de baile, formado em uma fileira, representa a tentação de Miranda frente aos novos desejos de libertação e de querer ficar com o humano – possivelmente tido como invasor.

Outra performance que te faz ficar ofegante é uma de equilíbrio. A performer vai empilhando pedaços de madeira de diferentes tamanhos até criar uma espécie de árvore com essa obra. Ápice é quando ela coloca essa dúzia de peças suspensas em um caule de madeira. Para mostrar que nada estava colado, ela pega a menor, que está na ponta, e a obra desmorona inteira.

Mais dois números conquistam: o de uma bailarina que desce ao centro do picadeiro com um pano, suspenso na lona, e o de um jovem que se equilibra no centro de um bambolê. Ele rodopia, transita pelo palco até quase cair no chão e se reerguecomo nos movimentos iniciais.

O espetáculo termina de forma épica, com todos os bailarinos, acrobatas, palhaços, bailarina no pano e banda no palco. Você, então, se dá conta que o controle do próprio corpo e o desafio à gravidade se fizeram presentes o tempo inteiro.


Perdeu a montagem em São Paulo? Faça desse um bom motivo para ir ao Rio de Janeiro curtir um fim de semana. É um presente pra si ver aquele palco com visão quase que 360, totalmente ocupado por coreografias majestosas e que ornam as cores do figurino. Inclusive, as 1200 peças de roupas são modelos exclusivos.

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