Com atraso de 45 minutos, Avril faz show com casa cheia em SP

A cantora Avril Lavigne esteve em São Paulo nessa quarta-feira (27) para dar início à turnê brasileira de Black Star com seu microfone colorido e cheio de brilhos (ora dourado ou prateado, ora vermelho). Com 1h45 de duração e 45 minutos toleráveis (vide texto abaixo) de atraso, Avril subiu ao palco às 22h16, e apostou em hit do início da carreira, como Complicated (do CD Let Go, de 2002), até o mais recente Smile (de Goodbye Lullaby, de 2011) para um Credicard Hall praticamente lotado e com ingressos esgotados.

Texto originalmente publicado em Música, no Portal Terra

Foi uma mistura de canções para tirar o público do chão junto com baladas, que deixaram alguns espectadores com lágrimas nos olhos, além de casais ainda mais apaixonados. A cantora divertiu os paulistas – um misto de fãs no auge da acne com uma geração acima, por volta dos seus 25 anos que a acompanham desde o início – com a atitude rock ‘n’ roll e jeito de adolescente, apesar de Avril beirar os 30 (ela é de 1984, tem 26 anos, completa 27 em setembro).

O show começou às 22h15, anunciado por um playback de Bad Reputation, um cover de Joan Jett na voz da loira – que junto com imagens de clipes da jovem artista fizeram o público ir ao delírio enquando a banda ia se distribuindo pelo palco. A plateia se dividia entre os fãs com bexigas verdes em punho, os com estrelas piscantes coloridas – predominantemente nas cores rosa e verde, que até pouco tempo estavam na ponta do cabelo da cantora – de LED (Diodo Emissor de Luz) e os que imitavam a cantora, seja no jeito de se vestir, pintar a unha ou os cabelos escorridos, e usar um coturno com uma roupa de patricinha (criticada por ela própria no início da carreira em Complicated em que ela pede para o affair tirar toda sua roupa de “mauricinho” – “preppy clothes” em inglês). A histeria dos fãs, que empunhavam cartazes com dizeres como: “Avril, você me faz sorrir”, foi demonstrada do início ao fim da apresentação. Emocionados, alguns tiveram de ser retirados da plateia por terem passado mal.

Minutos depois, no ápice da abertura instrumental de Black Star (música do CD Goodbye Lullaby, de 2011, que empresta o nome à turnê) surge uma Avril Lavigne loira (sem mechas verde e rosa), de topete, olhos carregados na maquiagem preta, com calça colada e escura, um coturno verde e uma camiseta cortada (com um ombro à mostra), que estampava o rosto dela mesma, sob o tema da turnê. Com uma mão segurava o microfone cheio de brilhos e, com a outra levantada, empunhava uma estrela piscante de LED verde, igual à dos fãs na pista. Emendou o primeiro single de seu último CD, What The Hell, emendado de Sk8er Boi (do CD de estreia Let Go), que no fim pediu para o público gritar “wow”. Ela encerrou subindo na bateria, fazendo caras e bocas.

Em suas primeiras palavras destinadas aos paulistas, disse: “é tão bom voltar ao Brasil”. Antes de começar He Wasn’t, pediu para o público ficar quieto, falou “calem-se”. Mas era apenas uma brincadeira porque o refrão dessa pede “façam barulho”. E foi o que aconteceu: em seguida ordenou para todos gritarem o máximo que conseguissem. E, então, pegou sua guitarra preta com detalhes em xadrez mesclado com branco, e uma estrela da mesma cor, para dar os acordes à música, cujo refrão de “la la la” teve a plateia elevando as mãos de um lado para o outro.

Em I Always Get What I Want, a cantora se abaixou e estendeu a sua mão em cumprimento aos fãs, que se esmagavam n fila do gargarejo. Foi quando também elevava a mão à orelha para brincar, informando pelo gesto que não estava ouvindo a gritaria generalizada. E colocou o microfone para o público cantar em coro. A trilha-sonora do filme de Tim Burton, Alice, foi convocada por imagens do clipe no telão: a introdução mais “pesada” deu lugar a um piano de cauda no meio do cenário (composto por cortinas sobrepostas nas cores vinho e branca, lembrando um salão imperial). Então, para entoar as primeiras estrofes da melodia, surge Avril Lavigne de pernas cruzadas. Admirada com o público que sabia de cor a letra da música, os presenteou, deixando-os cantar a última parte. E não poupou elogios: “vocês são bons pra caramba”, disse ela com um palavrão no meio da frase, que ganhou em resposta, de alguns fãs, o adjetivo de “linda”.

Ainda em cima do piano, posando ao lado de um sapo de pelúcia (presente de um fã), expressava sua dor pela fuga de um amor adolescente em When You’re Gone, apesar de estar longe dessa epítome. Avril Lavigne beira os 30 anos, hoje tem 26 e namora Brody Jenner, 27, desde 2010. Em 2008, a cantora se separou do vocalista da banda Sum 41, Deryck Whibley, após dois anos de casamento. À época, a imprensa noticiou que a distância teria sido o principal motivo do divórcio. O casal começou a ter problemas depois que Avril saiu em turnê, no começo daquele ano.

O público pedia Nobody’s Home, mas Avril quis dar uma mensagem ao invés de atender ao pedido. “Quero dizer que ficamos nove horas presos no aeroporto da Argentina e fizemos de tudo para estar aqui essa noite. Chegamos quase 24 horas depois do previsto. Peço um aplauso para a minha equipe, que esteve por trás de tudo para virmos. Eles são maravilhosos”, agradeceu, emendando Stop Standing There – com ela tocando piano. Na música seguinte, I Wish You Were Here, a cantora desceu para um fosso entre o palco e a pista VIP, na altura da plateia, onde cumprimentou e abraçou fãs cadeirantes. Uma delas, inclusive, teve a oportunidade de fazer um dueto, cantando um trechinho da faixa. Outra garantiu uma foto.

Pausa para o descanso da loira em uma performance instrumental da banda com Unwanted e o fôlego e pique da cantora foram recuperados com Girlfriend. Foi nessa hora que o público saiu do chão com uma pulante Avril. Ela mandou um cover do rapper B.o.B., Airplanes, emendou My Happy EndingDon’t Tell Me. Mas foi ao som intrumental de Smile que bateu a preocupação na loira: “São Paulo, vocês estão se divertindo?”. Depois, enquanto cantava, era ela quem mostrava sinais de que estava tendo uma ótima noite, brincando ao chutar as bexigas verdes que tomaram conta da plateia e algumas caíram no palco.

Como se precisasse, ela pediu para os fãs cantarem I’m With You com ela. E o público cumpriu seu papel sem decepcioná-la, e fez com que o refrão fosse estendido por duas vezes. E houve até demonstração de afeto da cantora: “estou com você, São Paulo (adicionando o nome da cidade à letra da música)”. Ela expressou sua gratidão pelo público, afirmando que eles (ela e banda) amavam a cidade. Os fãs responderam com “Avril, eu te amo”, e pediram para ela cantar Everybody Hurts: sem sucesso.

Pedido ignorado, ela se despediu “de brincadeira” e voltou com um casaco preto de caveira por cima da antiga roupa para o Bis: Keep Holding On – que voltou ao fosso para cantar para os fãs -, HotPush. Nessa última, mais uma vez agradeceu à equipe por ter conseguido chegar a São Paulo. “Queria muito estar aqui essa noite com vocês, queria muito voltar aqui”, comentou, pedindo para o público gritar. Em resposta, o público começou a fazer “corações com a mão” e, mais uma vez, falou: “amo vocês, Brasil”. “Tiveram uma ótima noite?”, questionou novamente.

O show acabou por volta de meia-noite com a música que fez a cantora ficar conhecida: Complicated. Ela foi de um lado a outro e saiu do palco acenando, dando tchauzinho e abaixando em sinal de agradecimento.

Atraso
Os 45 minutos para subir ao palco foram toleráveis, uma vez que a cantora enfrentou um sufoco em Buenos Aires, na Argentina, onde esperou por cerca de 24h para embarcar devido às cinzas do vulcão chileno Puyehue, que atrasou e cancelou diversos voos na região. A canadense aterrissou em São Paulo por volta das 18h, quatro horas antes de subir ao palco paulista, em sua primeira apresentação na cidade. Nesta quinta-feira (28), ela repete a dose. A turnê da moça ainda passa pelo Rio de Janeiro (31 de julho, no Citibank Hall), Belo Horizonte (2 de agosto, no Chevrolet Hall) e Brasília (4 de agosto, no Ginásio Nilson Nelson).

Cambistas
Meia hora antes do início previsto para começar o show, cambistas vendiam ingressos para as pistas comum e VIP. Sem querer se identificar, disseram ao Terra que os preços iam de R$ 150 para a comum e R$ 250 para a colada com o palco. Os preços iniciais na bilheteria eram de R$ 180 (comum) R$ 350 (VIP e camarotes).

Confira o setlist do primeiro show em São Paulo:

Bad Reputation (cover de Joan Jett em playback)
Black Star
What the Hell
Sk8er Boi
He Wasn’t
I Always Get What I Want
Alice (trilha sonora do filme de Tim Burton)
When You’re Gone
Stop Standing There
Wish You Were Here
Nobody’s Home (com um violão acústico)
Unwanted (Instrumental)
Girlfriend
Airplanes (cover do B.o.B)
My Happy Ending
Don’t Tell Me
Smile
I’m With You

Bis:
Keep Holding On
Hot
Push
Complicated

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