David Bisbal: "conhecer o Brasil é sonho"; e quer cantar em português

ANDRÉ ALOI
Direto de São Paulo

David Bisbal chegou ao Brasil nesta sexta-feira (21.11), quando me recebeu em um luxuoso hotel na região do Brooklin, em São Paulo, para uma roundtable. Eu fui representando o Site RG (que você lê aqui) e o Aos Cubos. E o cantor espanhol falou sobre o sonho de vir ao Brasil, da vontade que tem de aprender português e das parcerias que fará no show de domingo (23), no HSBC Brasil, na capital paulista.

Carlinhos Brown e Sam Alves, vencedor do último “The Voice”, farão pontas na apresentação. Descobri que, com este último, cantará “Dígale”. Sobre Brown, ele fez mistério, tentei falar com ele depois da roundtable, mas despistou quando disse que estava em dúvida entre duas canções. O manager dele também falou que era surpresa e queria manter assim.

O cantor é bem pé no chão. Falou que nem quer conquistar o número 1 no mercado brasileiro, até porque ele conhece nossas pluralidades. Mas está feliz em se apresentar por aqui pela primeira vez. Ele – que gravou um dueto com Sandy (“Hombre de Tu Vida”) em seu mais recente trabalho “Tu y Yo” – quer tê-la ao vivo na próxima vez que vier. David já gravou com Miley Cyrus, Rihanna, Alejandro Sanz, “se tivesse uma varinha mágica”, gostaria de um dueto com Beyoncé e Tom Jones. Confira a íntegra da conversa:

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IMG_9445André Aloi – Sam Alves vai participar do seu show. Como surgiu o convite?
David Bisbal – Eu fui jurado do “La Voz” do México e da Espanha. Então, em cada país que me apresento, tenho convidado um participante de ‘reality’. Pensei que seria uma grande oportunidade… Vi muitos vídeos dele, é um artista para se considerar porque é muito talentoso, tem uma voz muito particular e tem a capacidade de cantar em diferentes idiomas. Portanto, acredito que ele terá seu tempo para se firmar como um grande artista.

Carlinhos Brown vai cantar, e vai ser muito divertido. É um artista que na Espanha pegou um ‘boom’ muito forte com algumas de suas canções e representa muito bem o Brasil nos países latinos. É uma grande honra cantar com ele!

AA – Você surgiu de um reality. Como foi pra você estar do outro lado?
DB – Muito difícil, não dá pra imaginar. Pra mim, prefiro ser participante mil vezes. Porque as decisões são muito difíceis. Mas bem, pensei que poderia ser uma oportunidade para descobrir novos talentos que estão aparecendo e dar a eles a chance de seguir com seu sonho. Sinceramente, não me considero um maestro, mas sabia que poderia dar bons conselhos.

AA – Você chegou ao Brasil hoje, mas já se planejou? Tô sabendo de uma partida de futebol… Até me chamaram pra integrar o time, mas né…?
DB – Na Espanha, o futebol é praticamente uma religião. Então, para nós, enquanto estamos em turnê é muito importante nos livrar dessa pressão. Aí jogamos… Amanhã (hoje, 22.11) vamos ter uma partida de músicos contra equipe técnica. Sobre minha relação profissional com o futebol, tenho tido a oportunidade de ter canções que se aliam a eventos esportivos, como a Copa do Mundo e a Eurocopa. Gosto muito de ter essas músicas nesses eventos.

AA – Torce para qual time?
DB – Torço para o Barcelona desde sempre, mas não sofro quando perde. Ainda bem que ultimamente temos triunfado com bastante frequência. Agora, (Daniel) Alves é um dos melhores jogadores, Adriano (Correia Claro) está jogando muito. Neymar, que é um ótimo jogador, e temos a felicidade de tê-lo do nosso lado para poder desfrutar seu talento na Espanha (risos).

Ele diz isso porque, em 2010, na Copa da África do Sul, foi chamado para gravar a música “Waving Flag” com K’naan, quando cada país indicou um artista para um dueto local. No Brasil, por exemplo, Skank foi escalado. “No Hay 2 Sin 3 (Gol)”, com Cali e El Dandee, foi tema da Eurocopa de 2012.

AA – Como é pra você, apesar de ter mais de 10 anos de carreira, ser hoje uma prioridade no catálogo da gravadora e ela estar centrada em te colocar em destaque no Brasil?
DB – A verdade é que era meu sonho chegar ao Brasil porque é um país que, musicalmente e culturalmente falando, é muito rico. Acho que é o sonho de muitos artistas estrangeitos. Era o único no continente americano que faltava chegar, e estou muito contente. Melhor tarde do que nunca (risos). Venho com o ânimo desfrutar de um público conhecedor da arte musical. Sinceramente, estou vivendo um sonho.

david_bisbal_tu_y_yo-portadaAA – Nesse CD, você gravou uma canção com a Sandy – chamada “Hombre de Tu Vida”. Como surgiu esse convite?
DB – Eu já conhecia a dupla Sandy & Junior de alguma premiação latina, não me lembro se foi o Grammy Latino ou outro. Naquele ano, gravamos com o mesmo produtor Sebastian Krys, em 2007 mais ou menos. Neste último disco, compus essa música com um brasileiro, e como voltei a trabalhar com Sebastian pensamos que poderia ser uma oportunidade ter a Sandy conosco. Para minha sorte, ela é da mesma gravadora que eu, a Universal. E tudo seguiu para que pudéssemos gravar juntos. Tomara que em breve possamos cantar ao vivo, que gosto mais.

AA – No clipe de “Diez Mil Maneras” você critica o “blá blá blá” das gravadoras. Até que ponto pessoas de fora interferem na sua produção e no jeito de administrar a carreira?

DB – Gosto de trabalhar em conexão com o selo musical. E não com eles. Gosto de pôr minhas ideias na mesa, projetos… Meus companheiros estão aqui para apontar ideias. Não gosto de ser um artista fechado, dizer o que quero e ponto. Sempre compartilho o que penso e pergunto se têm ideias e que gostaria de ouví-las.

AA – Ainda há preconceito do brasileiro em ouvir música latina até por conta da barreira de língua?
DB – Espero que em algum momento eu também possa me aventurar – por quê não? – a cantar no idioma de vocês. Ficaria encantado. Gostaria muito, com muito respeito, evidentemente. Mas eu acho que vou cantar em algum momento em português, teria que aprender, mas com o tempo e, sabendo que virei mais vezes para cá, podemos pensar…

AA – Você é um artista que se planeja muito? Sabe onde quer estar daqui 5, 10 anos…?
DB – Eu tenho muito claro para mim como quero trilhar minha carreira. Meus discos são muito diferentes. Se você comparar, desde o primeiro, “Corazón Latino” (2002), era muito tropical e uma pegada mais latina, e de repente houve uma mudança muito forte com “Premonición” (2006). Muito mais acertos latinos, mas houve uma puxada para o pop com um concerto acústico (“Una Noche en el Teatro Real”, de 2011), que me permitiu ir a teatros, como o Royal Albert Hall (de Londres), que somente tinha dado oportunidade a artistas da música clássica. Foi muito bonito!

Esse disco foi uma volta ao pop, um pouco mais universal, mesclando os sons orgânicos com elementos eletrônicos. Então, no futuro sempre vai haver uma mudança. Espero que possa me adaptar às sonoridades musicais e realizar projetos diferentes.

AA – Tem algum artista que gostaria de fazer dueto? E entre os brasileiros?
DB – Se tivesse uma varinha mágica agora mesmo, adoraria cantar com Beyoncé. Mas é claro que é só com uma varinha mágica (risos). De repente, com Tom Jones. Artistas que são muito grandes aqui… No domingo, vou cantar com Brown… Alexandre Pires foi muito bem no mercado latino durante um tempo. Para o mundo latino, ele é uma grande referência.

Me encantaria poder vir mais vezes ao Brasil, conhecer mais artistas e compartilhar minha música, seja com artistas grandes ou pequenos, que estão começando. Posso assegurar que todos são muito especiais.

AA – E quais seus planos futuros? Já está compondo para o novo CD? Vem DVD por aí?
DB – Tenho algumas coisas em mente, mas por questões contratuais ainda não posso divulgar. Mas adoraria montar um pequeno DVD com canções que vim fazendo ao vivo com um documentário da turnê, mas adianto que um projeto de concertos ao vivo estão no radar.

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