Em gravação de DVD, Coldplay entrega show democrático em SP

No show que o Coldplay fez no Allianz Parque, em São Paulo, nesta terça-feira (07.11), Chris Martin e asseclas entregaram uma apresentação democrática, com direito a dois palcos, além do principal (um deles na pista comum). Eles subiram para cantar com bastante atraso, próximo das 22h20 (estava previsto para começar 21h), mas tinha uma “longa história”, segundo o vocalista, envolvendo demora na entrega de equipamentos. Um fato inédito aconteceu esta noite: pela primeira vez na historia da banda, o baterista Will Champion entoou um de seus hits.

Apesar de vaias que antecederam o apagar das luzes, o motivo especial não foi ofuscado: a banda escolheu SP para gravar o DVD da turnê “A Head Full of Dreams”, que já tinha passado pelo Brasil no ano passado. Mas, como a energia foi tamanha, decidiram voltar para deixar registrado para sempre, com direito a apresentação de música nova, que não teve o nome divulgado, mas é baseada no hino de torcida “olê, olê, olê, olá”.

Voltando aos palcos, o primeiro deles, na pista premium, cantaram três musicas, incluindo “Always in My Head”, “Magic” e “Everglow”, e o outro na pista comum, onde pisaram pela primeira vez do meio pro final do espetáculo. Lá, cantaram “Us Against to World”, “In My Place” e “Til Kingdon Come”. Esta penúltima foi cantada pelo baterista. “É difícil convencer os outros da banda a canta em um estádio”, disse Chris ao anunciar Champion, fazendo algo “pela primeira vez na vida”.

De resto, a apresentação seguiu o script de sempre: corridinhas de Chris de um lado ao outro do palco, textão de cunho social (propagando o amor, inscrito do bóton distribuído antes do show junto com uma pulseira de LED), telões de alta resolução, pirotecnia, balões gigantes, explosão de cores com chuvas de papel picado.

Outra atração da noite foi a câmera suspensa, que conseguia percorrer 100% do gramado – a mesma usada em jogos de futebol. Ela conseguia captar, em velocidade avançada, as corridinhas de Martin pelo palco-passarela e, com uma visão privilegiada, obter momentos de cima pra baixo, que nenhum celular ali iria conseguir. Inclusive, antes de “Charlie Brown”, Martin deu a letra: “não me importo que fiquem no celular o tempo inteiro, gravando ou tuitando. Mas vamos fazer dessa uma apresentação memorável, que a gente possa lembrar daqui 50 anos”. A maioria aceitou o desafio e ficou apenas com suas pulseiras multicoloridas balançando no ar.

Apesar de gigantes e de shows lotados em estádios, faz tempo que eles não lançam nada muito relevante. Houve ate una tentativa com “Charlie Brown”, “Paradise” e uma faixa ou outra dos dois recentes trabalhos. Mas parece que a banda se perdeu ao chegar ao máximo de popularidade com “Viva La Vida” – música que até minha mãe diz amar.

De lá para cá, ninguém os resgatou da pegada psicodélica e colorida que sucedeu dessa fase. E, apesar de nenhuma faixa que lançarem daqui pra frente vai chegar aos pés dessa, a gente fica saudoso do tempo que gostar de Coldplay era cool, trend setter, e podia até curtir uma fossa. Hoje, a gente encara uma galera apática, querendo registrar apenas os hits – do publicou que pagou até R$ 750 (pista premium) até os ambulantes de cerveja.

Confesso que sinto falta de ver um show deles menor, em casas tipo o Teatro Renault e até o Citibank Hall (saudades Via Funchal) – e olha que isso está longe de ser algo bom… O momento mais marcante é quando eles saem do mood pirotecnia e entregam sua musica, sem cor, apenas eles, Lembro do primeiro show deles que vi, em 2010, no Morumbi. Eles já eram gigantes… o que dizer agora, depois de tantos sucessos e uma megaapresentação no intervalo do Super Bowl? Mas de todos que vi deles (quatro ou cinco, entre shows de estádio e uma no Rock in Rio), a gravação do DVD fez a banda ganhar mais corpo. Eles estavam realmente empolgados.

O Coldplay se tornou aquela banda que a gente gosta por osmose. Ao vivo, eles vão te levar para uma época boa da música que eles próprios ajudavam a construir a cena, no início dos anos 2000. Mas não digo que o show é ruim, pelo contrário. A cada tour, eles se superam, entregam souvenires para os fãs, e parecem ter consciência que eles atingiram outro patamar nessa industria: “obrigado por virem no ver em uma terça, pagando caro nos ingressos e encarando filas. Queria poder agradecer um a um”. Pena que não é possível quando se lota duas noites de 45 mil pessoas em um estádio de futebol.


ABERTURA
Apesar de não ser seu tipo de público, Iza entregou uma performance segura e, para garantir empatia, foi certeira em hits alheios: fez cover de Rihanna, com “Rude Boy”, e Major Laser, “Lean On”. Apesar de não ter a fama de Dua Lipa, artista que abre os próximos shows do Coldplay no Brasil, ela tem a seu favor beleza, presença de palco e uma voz marcante – não à toa ela nos conquistou quando se apresentou no Rock in Rio ao lado de Cee Lo Green. Prestes a lançar seu álbum de estreia, cantou “Engano Seu” e “Vim pra Ficar”, além de seus já consagrados sucessos: “Pesadão”, que a parte do Falcão, do Rappa, entrou numa base pré-gravada, “Te Pegar” e “Quem Sabe Sou Eu”.

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Fotos: André Aloi (celular) / Tatiana Lafraia (galeria)

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Coldplay Setlist Allianz Parque, São Paulo, Brazil 2017, A Head Full of Dreams

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