Em SP, Flogging Molly faz celebração irlandesa com chuva de cerveja e pessoas voando

Fotos de Pedro Henrique Cardoso retiradas do flickr P.Photographer Project

Caos, Irlanda e mosh. Em sua primeira passagem por São Paulo (no último sábado, 11), a banda irlandesa/norte-americana Flogging Molly transformou o Via Funchal num grande covil pirata repleto de gente usando verde, kilts e trevos de quatro folhas. Se o termo punk-celta é usado pra definir o som da banda, durante o show vemos que não dá pra resumir tudo que acontece nessas duas palavras. De qualquer forma a regra principal é se divertir e repetir na pele as letras sobre aventuras inconsequentes e bebedeiras épicas cantadas pelo Flogging Molly.

Antes da atração principal entrar no palco, quem abriu o show foi a dupla Brothers of Brazil, formada pelo auto-explicativo Supla (que vestia um kilt verde brilhante carnavalesco) e seu irmão João Suplicy. Apesar da recepção não ter sido muito amistosa, a dupla até que segurou bem sua apresentação, com um som bem rico mesmo formado apenas pela guitarra acústica de João e a bateria de Supla. Os destaques entre o repertório esquizofrênico e o discurso meio xarope do Brothers of Brazil ficaram por conta do bem recebido semi-clássico “Garota de Berlim” do Supla e a presença do Senador Eduardo Suplicy, que foi pro meio do público e foi elevado nos ombros da galera por alguns momentos.

Quando o líder do Flogging Molly, Dave King entrou no palco e a primeira guinada musical de “The Likes of You Again” soou no Via Funchal, todo o primeiro nível da pista particionada do local virou um grande mosh generalizado e todos aqueles que seguravam um copo de cerveja a jogaram para o alto. A cena – tanto do mosh quanto da chuva de cerveja – se repetiu por pelo menos metade da apresentação, o que justificou o termo “punk”, apesar de que o que aproxima o Flogging Molly desse gênero seja mais uma questão de atitude anárquica e de ter músicas com mais de 140bpm do que o som propriamente dito.

O que separa o Flogging Molly de qualquer outra banda punk/hardcore que resolva cantar hinos sobre aventuras piratas, exílio, desesperança adolescente e bebedeiras sem fim, é a figura de Dave King e a presença do violino e do acordeon. Dave, no alto de seus 50 anos, é uma figura de boca suja e energia interminável, que emana constantemente a alegria de ser líder de uma banda como a que tem. Num de seus papos sobre futebol com o público durante o show, Dave apresenta sua mulher Bridget Regan, que responde prontamente com um reluzente dedo do meio. Bridget é quem toca violino e canta “A Prayer for Me in Silence”.

Tanto “A Prayer…” quanto outras músicas mais lentas como “If I Ever Leave This World Alive” serviam para que os brothers do mosh (não os Brothers of Brazil) interrompessem os acotovelamentos para se apoiarem nos ombros uns dos outros num “lamento pirata” generalizado, e para que o público enchesse novamente seus copos de cerveja. E só bastava algum dos hits do Flogging Molly para a “brodagem” cessar e a cerveja voar novamente pelos ares. E não era só a cerveja que voava, o crowdsurfing era tão intenso que o chão parecia feito de elástico.

Os grandes momentos da noite ficaram por conta de “Drunken Lullabies”, um cover hiperativo de “The Times They Are A-Changin” do Bob Dylan, a catártica “Devil’s Dancefloor” e o rompante final de “What’s Left of the Flag” e “Seven Deadly Sins”. O bis teve “The Worst Day Since Yesterday”, “Salty Dog” e “Float”, música do álbum de mesmo nome e o menos lembrado da noite. E o público que se ensopou, acotovelou e gritou sem medo ser feliz, pôde levar na memória uma amostra das desventuras épicas cantadas com saudosismo pelo Flogging Molly. E alguns hematomas também.

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