Em SP, “O Rei Leão” estreia com previsão de estender temporada

Luis Gustavo Coutinho

Primeiro musical montado no Brasil em  parceria da T4F (Time 4 Fun) com a Disney Theatrical Group (DTG), “O Rei Leão” estreia só na quinta-feira (28), mas já tem planos de expansão da temporada – prevista para durar nove meses. A informação foi dada pelo presidente da T4F Musicais, Fernando Luiz Alterio, na manhã desta segunda-feira (25) na última etapa de divulgação da produção, em coletiva de imprensa para jornalistas de todo o país.

Luis Gustavo Coutinho
> A partir da esquerda: Alterio, Schumacher, Julie, Rice e Stephanie

As três primeiras semanas de espetáculo já estariam “praticamente esgotadas”, segundo a diretora de conteúdo da divisão de family entertainment da T4F, Stephanie Mayorkis. Há uma conversa para prorrogar a temporada brasileira para mais algum tempo, seguindo o sucesso que o musical tem na Broadway, nos Estados Unidos, e em Londres, mas vai depender do público. Também participaram do evento o produtor e presidente da divisão teatral da Disney, Thomas Schumacher, e a criadora do espetáculo e diretora da adaptação brasileira, Julie Taymor, além do diretor associado John Stefaniuk, que apresentou um sneak peek da montagem.

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Na apresentação desta segunda, jornalistas puderam acompanhar três músicas da versão brasileira: “Ciclo da Vida”, “Está em Ti” e “Estão em Ti”. Até agora, o musical passou apenas pelo crivo de um seleto grupo de convidados dos patrocinadores. Apesar de injusto fazer resenhas ou tecer críticas antes da estreia, posso afirmar – pelo pouco que vi – que a cada vez que as luzes se apagam, a cortina sobe, e os artistas soltam a voz em cena, o espectador se arrepia da cabeça aos pés. (Claro, se ele tiver alguma relação afetiva com o filme. É o meu caso e de tantos outros que viveram a infância nos idos de 90)

Ingressos variam de R$ 50 a R$ 280. As sessões ocorrem quartas, quintas e sextas, às 21h; sábados em dois horários: 16h30 e 21h; e domingo: 15h30 e 20h30. Ingressos são vendidos pela Tickets For Fun.

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Montagem
Stephanie Mayorkis explicou que foi natural a escolha de Gilberto Gil para adaptar as músicas para o português: “(Ele) foi o primeiro nome que veio à cabeça. Estamos muitos felizes com o trabalho deste musical”, reforçou, explicando também a indicação de Rachel Ripani para assinar a tradução e adaptação do original. “Já havíamos trabalhado com ela, e havia trechos que precisávamos tropicalizar. Sabíamos da exigência da Disney para que frases e piadas fizessem efeito e o público se identificasse”, argumentou.

Vencedor de três Oscars de canção original (“Aladdin”, em 1992; “O Rei Leão”, 95; e “Evita”, 97), Tim Rice endossou a escolha de Gil, ausente por conta de uma turnê. Um dos integrantes da bancada da T4F para reforçar o apoio que a Disney está dando para a montagem brasileira, disse que já conhecia o trabalho de Gilberto Gil. “Ele é um dos artistas do século, muito conhecido em Londres. Não o conheci (pessoalmente), mas acompanho seu trabalho não só musical, mas político e seu entusiasmo pelo mundo”. Questionado sobre o que faz do musical singular, que não é visto em outras produções, Tim disparou, em tom de ironia, arrancando risos da plateia: “as hienas, oras”.

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AdaptaçãoDivulgação
Os atores brasileiros Tiago Barbosa (Simba, foto ao lado), Oswaldo Mil (Scar) e César Mello (Mufasa), além da sul-africana Phindile Mkhize (Hafiki, ao fundo da foto) participaram do encontro. Sorridente e falante, em um inglês carregado de sotaque, Phindile – que está há 10 anos na montagem – brincou ao dizer que o maior desafio é também a maior satisfação: “aprender o português, viver novas histórias… A química (com o elenco principal está sendo muito bacana e cúmplice”. E mandou um recado àqueles que ousarem se atrasar: “Quem perder o ‘Ciclo da Vida’ (ato inicial), vai perder o espetáculo, pois é a única cena com todos os animais na savana”.

O intérprete de Simba destacou que sua dificuldade foi alcançar o movimento felino e o instinto de leão com exatidão para que ficasse, cada vez mais, perfeito. “Tentei colocar meu coração para sentir a batida (do personagem), a rotina é cansativa, mas me joguei… Tudo foi muito minucioso (…) está sendo uma escola. Apesar de todo esse cansaço, é muito satisfatório, há um sentimento de missão cumprida, saber que está acontecendo, está nascendo (esse personagem)”, brincou, ao satirizar sua pronúncia carioca: “tá vendo? Consegui até falar o nascer sem sotaque”.

Barbosa usou o termo “muito grato” para expressar como  se sente ao interpretar o principal papel do musical de maior bilheteria da Broadway. Usou o mesmo adjetivo que César Mello para descrever a honra de interpretar seu personagem, que acabou lembrando de uma memória emotiva da adolescência: “Chorei ao ver Mufasa morrer… É um ser (de alma humana) tão lindo”. Osvaldo Mil seguiu o raciocínio: “sou pai, então tenho que segurar a onda quando Mufasa fala para Simba que vão estar sempre juntos”.

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Reprodução/InstagramBrasil x África
A história de “O Rei Leão” é muito forte e nos faz retornar às origens, segundo a diretora Julie Taymor. “Outra coisa importante dessa produção é o intercâmbio de culturas. Na montagem de Nova York, por exemplo, é muito importante ter atores que descendem de lá porque eles trazem essa questão da sonoridade musical… No Brasil, isso se torna ainda mais profundo porque já há uma conexão com a África”.

O intérprete de Mufasa (à dir.) comentou que o contato com os africanos desperta nos brasileiros a espiritualidade, a união do povo e a sonoridade. “Quando vem a música, não dá para pensar. Vai primeiro para o coração”, explicou Mello. Mil complementou: “Nos ensaios, a Phindile soltou a voz como se já estivesse na estreia… Essa verdade com que ela se posicionou, nos contagiou. Os africanos se dão com uma força intensa e isso me fez entender a visceralidade que nós brasileiros temos, o porquê que a gente se entrega tanto”. Segundo ele, esse contato com a técnica necessária, fundamental, e de precisão intensa está colocando o Brasil em outro patamar de interpretação.

Luis Gustavo Coutinho

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Números
Apresentada por Bradesco Seguros e Ministério da Cultura, e copatrocínio de Cielo, a versão brasileira tem custo estimado de R$ 50 milhões e espera atrair 350 mil espectadores (comporta 1530 pessoas por apresentação). Cenários, figurinos, objetos de cena e demais apetrechos foram importados dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, que vieram em 22 containers, somando mais de 35 toneladas de material. Ao todo, 53 atores dão vida ao musical, sendo 11 sul-africanos, cantores, atores e bailarinos.

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