Em 'Tropical Splash', Copacabana Club tenta encontrar lugar ao sol

DE SÃO PAULO

Após três dias de intensa divulgação do lançamento do seu primeiro CD, Tropical Splash, a banda curitibana Copacabana Club pôs um ponto final nessa grande comemoração com uma festa no Lions Nightclub no sábado (18), onde fez um show (seguido de DJ Set) para um público pequeno de amigos, admiradores e gente do mundo da música.

Para entender a energia do Copacabana Club você precisa vê-los ao vivo. O que pode passar batido por você nas gravações de estúdio fica impossível de ignorar quando você está cara a cara com a banda. O maior êxito do Copacabana é fazer ótima música pra dançar, e no show do sábado isso ficou claro: principalmente nas músicas que já eram conhecidas pelo público, como a grudenta Just do It e King of the Night. Além do repertório do cd de estreia, a banda apresentou uma música nova, a ótima Feel It (uma das melhores da noite), que só vai entrar no segundo CD. Mas quando ele virá?

O Tropical Splash, está saindo com dois anos de atraso. Fica claro ouvindo o álbum agora e conhecendo o repertório dos shows da banda em festivais como o Planeta Terra de 2009, que era lá que o álbum devia ter sido lançado. E falando em timing e oportunismo musical é impossível não citar os também curitibanos do Bonde do Rolê.

Desde que o CSS (ex-Cansei de Ser Sexy) estourou internacionalmente, em 2006, houve muita especulação sobre qual seria a próxima it-band de electro-rock vinda do Brasil. Quem se deu bem nessa (além do próprio CSS) foi o Bonde, que aproveitou a onda dos compatriotas e logo em 2007 lançou o CD With Lasers pela Domino Records (mesma gravadora de gente como o Arctic Monkeys), com um disco que pode ser chamado, sem entonação pejorativa, de “completamente despretensioso”, mas que emplacou dois singles no top 100 do Reino Unido.

As pretensões que o Copacabana Club tem de estourar internacionalmente são bem claras, vide as músicas cantadas em inglês, o próprio nome da banda, e o fato de aproveitar esse clima de “tropical exploitation” que anda tão em voga no indie rock mundial. Nada mais justo. Se existe um sem número de bandas norte-americanas e europeias tentando fazer um som “tropical”, por que uma banda brasileira não poderia fazer o mesmo, certo?

Infelizmente, o som apresentado no Tropical Splash apenas remói o que já é bem conhecido no “mundinho” do new wave, electro rock e similares, sem acrescentar diferenciais e qualidades que os colocariam a frente desse estilo. Pelo contrário, o som da banda está bem atrás de bandas gringas que incorporaram essa vibe com perfeição apesar de sua tropicalidade soar tão verdadeira como um protetor de tela do Windows repleto de praias e tucanos (exemplos: Friendly Fires e Two Door Cinema Club).

Assim, a excelente produção desse disco de estreia é ofuscada por melodias que raramente alcançam a intensidade que almejam, letras que tentam ser cool mas acabam sendo simplesmente vazias, e vocais afetados que estão tentando todo o tempo soar como alguma outra coisa mas sem encontrar sua verdadeira personalidade. E a banda tem sim potencial para ter um som próprio de qualidade que conquiste o mercado mundial como eles tanto querem, e talvez até consigam isso com o próprio Tropical Splash, mas já seria meio caminho andado se sua música estivesse desligada de pretensões sonoras que aparentemente tentam adivinhar “o que as pessoas acham legal” e principalmente “o que as pessoas esperam ouvir de uma banda de electro-rock vinda do Brasil”.

Vale lembrar que o sucesso do CSS e do Bonde do Rolê veio justamente da quebra resultante da atmosfera realmente despretensiosa de sua música, e que o segundo disco do CSS afundou justamente quando tentaram se levar a sério. É a prova clara de que é um tiro no pé tanto se levar a sério quando ainda não se tem força para tal, quanto tentar soar despretensioso demais tendo capacidade para se levar a sério.

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