Empurra-empurra, falhas de som e sinalização no primeiro dia de @SWUBrasil

O primeiro dia do SWU (Starts With You) – festival de música e arte, realizado neste sábado (9) na Fazenda Maeda, em Itu (no interior de São Paulo), serviu de grande aprendizado – tanto para o público quanto para a organização do evento. Durante o tão esperado Rage Against the Machine – headliner do dia, que fez seu primeiro show na América Latina em quase 20 anos de sucesso – houve três pausas por causa de empurra-empurra e falhas no som.

Zack de La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk subiram ao palco dentro do horário programado, por volta de 22h15. A energia do metal e funk da banda logo na primeira música do setlist, Testify, levou o público ao delírio. A primeira interrupção veio na segunda música, Bombtrack. A produção precisou interromper o grupo e pedir que todos dessem “medíocres” três passos para trás, para impedir uma tragédia. Não é exagero. O empurra-empurra foi tão grande, que pessoas correram o risco de serem pisoteadas. (Detalhes no depoimento ao fim deste post).

O vocalista, simpaticíssimo e muito carismático, pediu para que tomássemos conta uns dos outros e que esperaria o público estar em segurança novamente para continuar o show. Com tudo sob controle, aparentemente, o som simplesmente parou. Eles continuaram tocando como se nada tivesse acontecido. Levou uns cinco minutos até o problema ser resolvido. Ainda na mesma música, outra falha no som, porém mais prolongada.

Pulando e vibrando mesmo com o ‘mute’ acionado, ao longe, era possível ouvir a bateria. Mais uns minutos até a resolução, e o show seguiu sem mais problemas. La Rocha interagiu com o público durante toda a apresentação. Depois de mais de uma hora de apresentação, a banda saiu do palco, mas logo voltou para o bis, encerrando com Killing in the Name, um dos pontos altos do show. Apesar dos fatos, os caras do RATM fizeram o melhor show do dia.

Outros shows – Chegamos à Fazenda Maeda por volta das 18 horas. Perdemos o show do Curumin, que eu queria muito assistir. Era tanta informação, tudo ao mesmo tempo, que não sabia para que lado seguir. Na tenda Oi Novo Som, o Cidadão Instigado tocava sem entusiasmo para um público reduzido. Cheguei no final do show. Perdida, sem o horário das apresentações, fui ver o que estava rolando nos palcos principais. No Água, os Mutantes tocavam Balada do Louco. Consegui assistir apenas as três últimas músicas do show, infelizmente.

Os Los Hermanos fizeram show morno, quase sem interação entre banda e público. Rodrigo Amarante (guitarrista) assumiu os vocais por três vezes. Para felicidade de todos, “Anna Júlia” foi deixada de fora do setlist. Em seguida, The Mars Volta, liderado pelo performático Cedric Bixler-Zavala, tocou cinco músicas. O vocal e a guitarra marcante – e distorcida – de Omar Rodriguez-Lopez são os tons da banda que mistura hard rock, psicodelia e free jazz.

Organização
A maioria dos brasileiros não está acostumada com festivais de grande porte como esse. Notava-se um “e agora, para onde eu vou?”, rondando a cabeça das pessoas, durante os shows e principalmente na hora de ir embora.  Sem sinalização de onde pegar ônibus, vans e fretados, e como ir embora, uma grande parte precisou caminhar alguns quilômetros até a rodovia. A fraca iluminação do estacionamento prejudicou aqueles que estavam procurando o próprio veículo, entre milhares.

O desenvolvimento sustentável, tão reforçado pelo festival, não foi notado na entrada do SWU. Na portaria, alimentos confiscados eram descartados na grama, enquanto lá dentro uma garrafa de água custava de R$ 5 a R$ 7. Seria interessante que, ao menos, fossem recolhidos de maneira higiênica para serem reaproveitados em instituições de caridade ou até mesmo pelos próprios trabalhadores do evento.

SWU – Eu sobrevivi
Quando vi a tenda de camisetas dentro da Fazenda Maeda, pensei que a estampa ideal para mim seria ‘SWU – Eu sobrevivi’. Sim, porque estava bem no meio da confusão do show do Rage Against the Machine. Quando os caras começaram a tocar, pulei e gritei, assim como todos que estavam por perto – aproximadamente 20 metros do palco – na pista comum.

Com as rodas punk se formando, levei empurrões, cotoveladas… Tudo bem! Era o esperado nesse show. Só tomei cuidado para me proteger e não perder a Hosana (@hosanapadma) de vista, que me acompanhou na jornada. Do nada, as pessoas começaram a se empurrar: a multidão me levava para os lados como uma onda, e por diversas vezes “quase” caí. Só gritava para a Hosana: “Não cai!”, e não largava o braço dela. Por um momento, a senti caindo. Não sei de onde veio força para puxá-la. Só me passava na cabeça que, se caísse, já era. Seríamos pisoteadas.

Depois de alguns minutos intermináveis – e uma garota megalerda na minha frente – consegui sair daquele meio, com taquicardia e falta de ar. Sem forças nas pernas, precisei sentar na grama. Tremi até o final do show, mas pelo menos consegui forças para pular e cantar na última música. Sobrevivi. Por fim, a saga da volta: o trânsito, a falta de transporte e sinalização até chegar à Rodovia e, então, ao hotel de uma cidade próxima. Hoje continua.

4 thoughts on “Empurra-empurra, falhas de som e sinalização no primeiro dia de @SWUBrasil

  1. Menina, que loucura hein?!
    Nossa, vi pelo Multishow e parecia realmente que todo mundo queria se matar ali haha. Tive medo só de olhar. Ainda bem que vc saiu inteira 🙂

    Ah, esses probleminhas de som e na organização geral do evento como a falta de iluminação e sinalização acontece mesmo. Mas não deveria né? Puta ingresso caro pow! Deveria ter comida e água de graça e um gps pra cada um ali rs.

    E show do Los Hermanos é assim mesmo. Não tem essa de interação: “Tira o pé do chão e bota a mãozinha pro alto.” rs

    beijos ;*

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