Jake Bugg fascina, mas não empolga totalmente em SP

Jake Bugg fez show no Citibank Hall, em São Paulo, na última quinta-feira (27.11). Nosso colaborador, Raphael Lima, acompanhou a apresentação e conta como foi assistir a um show que o fascinou, mas não o deixou totalmente satisfeito. Entenda!

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Raphael Lima*, especial para o aos cubos

Ainda não sei o que pensar do show. Até agora, quando a apresentação fascinante que ele fez vem à minha cabeça, é impossível também não lembrar algumas coisas que não me deixaram (e também a muitos da plateia) totalmente satisfeito. Como todo bom britânico, o show começou quando o relógio cravou 21h30, pegando uma galera desprevenida que ainda estava batendo um papinho no hall da casa de shows.

Com um setlist recheado das músicas preferidas dos fãs, o rapaz foi conduzindo um espetáculo de talento e qualidade vocal, além de solos hipnotizantes de violão e guitarra. A grande maioria cantava todas as musicas do começo ao fim, até aquelas com as letras mais complicadas, como as animadas “Theres’s a beast and we all feed it”, “Slumville Sunrise” e “Lighting bolt”. As baladas foram o ponto alto da noite. Uníssono da plateia em “A song about love”, “Broken”, “Me and You” e a indescritível “Simple Pleasures” – na minha opinião a melhor da noite .

Os vocais, de tão limpos, pareciam tirados do próprio CD. Isso me incomoda um pouco. Artistas que não saem da zona de conforto tendem a fazer um show “boring”, e eu – pelo menos – vejo como a melhor parte de um show os novos arranjos e improvisos que os artistas procuram desenvolver. O menino é fera, pé no chão, sabe o que quer, canta e toca como ninguém da sua idade, tem um público cativo e fiel, mas seu show é EXATAMENTE como a gravação de estúdio.

No único momento em que ele tentou fazer uma coisa diferente (um acústico de “Broken”, seu maior sucesso), não deu certo . Não emocionou a plateia, faltou energia e vibração, a música mais esperada foi… chata. Para um show de uma hora e quinze, 45 minutos pareceram ter sido de “Broken”.

Ah! Bem lembrado. Quem sai da Inglaterra, atravessa o Atlântico, e faz um show de UMA HORA E QUINZE? Apesar de um show de muita qualidade e um talento indiscutível , Jake ainda precisa melhorar seu contato com o público e sua forma de interagir no palco. Não deu “oi”, não deu “tchau”, ensaiou um “thank you” bem tímido, fez um show curtíssimo. Foi embora sem fazer BIS, deixando os fãs com gostinho de quero mais.

Depois dessa invasão britânica no ultimo mês (Arctic, Paul e Jake), só posso chegar a uma conclusão: o talento de todos é indiscutível, mas acho que a simpatia ficou toda pro nosso querido ex-Beatle.

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*Raphael Lima é dentista e empresário, tem 33 anos, mora em São José dos Campos, e não encontra barreiras para ir atrás das bandas que gosta. Ele cursa “Show Business – Um Panorama do Entretenimento ao Vivo” na On Stage Lab, em São Paulo.

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