Lenine estreia seu "Carbono" em São Paulo

Lenine

No último fim de semana, em uma série de quatro shows, Lenine lançou no palco do Sesc Pinheiros seu mais recente disco, Carbono.

Após as experimentações de Chão (2011), Lenine traz um som bastante distinto em seu novo álbum. Se antes ele buscou os sons da terra, da natureza, a criação e assimilação de tudo, em Carbono ele retoma o elementar, a “liga pra tudo quanto é coisa“, como diz o release, onde ele liga um som pesado ao violão, às guitarras e a bateria, as composições em diversas parcerias ao talento do frontman que brilha sozinho à frente do palco.

Na noite de sexta (01), o Teatro Paulo Autran silenciou perante os efeitos de voz do pernambucano, que transformavam os backing vocals, por vezes executados por apenas um dos membros da banda, em potências capaz de chegar às últimas fileiras do teatro. É preciso talento pra usar tantos efeitos ao vivo, especialmente em um disco recente, ainda pouco conhecido pelo público. Elogio merecido tanto ao músico como à sua equipe de som.

Com isso, o show precisou de alguns minutos pra realmente contagiar o público. Apenas na terceira música, “Na Pressão”, sucesso no álbum homônimo, as respostas da plateia deixaram de ser tímidas e entraram na interação desejada pelo artista. No entanto, a partir de então, cada acorde final era carregado de palmas e empolgação, do desejo de mais. O show seguiu, mesclando poucas músicas antigas, focando no repertório do novo disco, como era de se esperar de um show de lançamento. Ainda assim, misturaram-se a “Cupim de Ferro”, “Causa e o Pó”, “Simples Assim” canções como “Envergo, mas não quebro”, “Se não for amor eu cegue” e “Relampiano”, entre outras. No momento em que ficou sozinho com o público, Lenine deixou que escolhessem duas músicas que não estavam no setlist, que ele tocou em voz e violão. Vieram “Hoje eu quero sair só” e “Jack Soul Brasileiro”, cantadas com entusiasmo muitas vezes sozinhas pela plateia.

A iluminação e cenário do show merecem destaque: ao fundo, pairando sobre as cabeças, surgia por vezes imponente, iluminada, por vezes esquecida, mais uma parte, a molécula de carbono. As luzes no palco eram todas lâmpadas Nokero, sem querosene, cumprindo a bandeira da sustentabilidade importantíssima para o cantor (como evidenciava a música “Quedê Água”). Sem nenhuma luz colorida, a iluminação do palco misturava-se à luz de plateia, que acendia de tempos em tempos, estabelecendo uma conexão importantíssima entre público e palco (ainda que, em alguns momentos, parecesse haver uma oscilação problemática no acender a apagar dessas luzes), e lembrando os versos da primeira canção do disco e do show, “Castanho”: “Não cheguei sozinho…” .

Lenine era um show à parte. Sozinho, o músico é capaz de arrebatar a multidão, e de ganhar o silêncio sepulcral nas partes mais importantes. Fosse com a guitarra, o violão ou somente o microfone, o pernambucano não perdia a ginga em cima do palco, nem a atenção da plateia por um instante sequer. Permitiu-se até, ao final do show, errar a letra de “Do It”, um de seus maiores sucessos, em meio aos risos cúmplices do público, que respondia cantando junto, certo, errado: era chegado o fim, e todos celebravam juntos. No bis, “Caia na Rede” e o retorno ao começo, com “Castanho”: a molécula de carbono encerra-se em si mesma.

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