Minha infância, o Zeca Camargo e, finalmente, um ingresso pro U2

Depoimento: Muitos amigos reclamam que eu, por ser jornalista, acabo pondo pouco de mim nos textos que aqui escrevo e edito. Mas hoje vou contar um pouco da minha infância com a frustração de não ter visto o U2 em 1998, quando eles passaram pelo Brasil com a turnê PopMart – meu primeiro desejo de ir em um show internacional, que só foi sossegar em março do ano passado, quando vi o Keane no Credicard Hall, em SP.

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Lembro como se fosse hoje das cores vibrantes do logotipo da turnê PopMart (laranja e roxo com um globo no centro), daquele palco com duas hastes enormes interligadas, uma coisa meio oval quando se encontravam, e com um limão gigante suspenso… Pela primeira vez, ouvia falar de gigantes telões de LED. E, naquela época eu nem sabia quem era MGMT (que fazia as vezes do MUSE, enquanto convidado especial). Sonho era ter um desse pra chamar de meu:

Pois é, a banda irlandesa, para mim, é inovação. E não é só porque eles vão trazer, pela primeira vez um palco 360º para o Brasil. Foi numa entrevista do Fantástico que os ouvi falar pela primeira vez, nos idos da década de 1990. E meus olhos ficaram vidrados ao saber de cada detalhe da apresentação. Vou afrescar a memória com um trecho do livro de “A-ha a U2”, do Zeca Camargo (uma bíblia de parte das entrevistas musicais que o cara fez), quando o garoto-fantástico fala que se preparou pra entrevista, ensaiou postura para falar com Bono, e houve toda tensão para entrevistá-lo, só conseguiram se falar à 1h da manhã… Mas bom humor é com quem ele chama de “the man”:

– Eu ainda teria todo o show do U2 para me preparar. Mas quando aquele limão iluminado começou a descer do palco, quem disse que eu seria capaz de me preparar para coisa alguma? Não sou um cara que gosta de shows, e já devo ter me “desculpado” por essa falha no meu caráter  – ou melhor, no caráter de alguém que gosta tanto de música… Mas aquele “Popmart” certamente transcendia qualquer definição de show. Vou pedir desculpas por usá-la, mas aqui vai uma expressão que só funciona em inglês: “that’s entertainment”.

Meu padrasto à época, um marroquino erradicado na capital fluminense, naquele momento em que assistíamos a Bono e o percussionista da banda, Larry Mullen, decidiu: “Nós vamos ao show”! Eu, todo feliz, fiquei com isso na cabeça: “Quero porque quero ir…”. Não lembro quais foram as desculpas, mas minha mãe – estraga prazeres – me privou do desejo como quem tira doce de uma criança. E foi isso, apesar de entender: 11 anos, num mundaréu de gente doida, bebendo, fumando… Ok, vocês conhecem o universo dos shows em estádio.

Vocês vão me crucificar, dizer que eles já tiveram outras vezes no Brasil – como em 2006, até com o lance da Katilce, mas nunca estive tão focado em música como este 2010, eu era desligado  – e por quê não dizer traumatizado? – para ir a shows. E assistí-los em 2011 vai ser uma coroação a isso tudo. Acho que as coisas vêm em momentos certos. Já tenho know-how de como funcionam os shows. Afinal, este ano só nos internacionais estive em Coldplay, Nelly Furtado, Moby, Placebo, SWU (Kings of Leon, Linkin’ Park…), Ne-Yo, tantos outros. E não é pra me gabar, coisas simplesmente aconteceram e eu ganhei grande parte dos ingressos em promoções – que só perco para outra aresta desse blog, o Luis Gustavo, que ganha TODAS.

Agora para a turnê 360º do U2, teve também o lance de ‘conseguir’ o ingresso. Praticamente uma jóis rara. Ninguém dava conta pelo site, pelos pontos de venda, pelo telefone. Quem acompanha meu twitter, viu minha desesperança naquele #tickets4fail nas duas primeiras vezes. E, agora, quando achava que não, na terceira e última noite de shows, consegui – e pela linha congestionada! Claro que sofri por duas horas, na madrugada, tentando comprar pelo site da empresa. Nenhum lugar disponível:

Eu quero e, desta vez, vou assistir os caras de perto. Não sou fã incondicional, apenas digo que sou apreciador pelo que eles representam na música: e não me importa se Bono Vox é conhecido por participações de ações sociais ou o guitarrista The Edge por sua versatilidade musical. Fato: impossível não saber cantar, pelo menos, uma música dos caras. Na minha cabeça, já tenho: “With Or Without”, “One”, “Elevation”, “Beautiful Day”, “Vertigo”, “Stuck in a Moment…”, “City Of Blinding Lights”… Preciso de mais algum motivo para estar entre uma das quase 270 mil pessoas (90 mil a cada dia) que vão assistir os caras por aqui?

E parafraseando o Zeca no “De A-ha…”: Corro agora pra tirar meu atraso de U2, apesar de não me considerar um expert, vou lá entusiasmado aplaudir os caras de pé! E, de quebra, tem o MUSE, né? Ah, tem também a história do Rock in Rio 3, pra ver Britney Spears, que também não pude ir… mas essa é história para um outro post!

One thought on “Minha infância, o Zeca Camargo e, finalmente, um ingresso pro U2

  1. Foi frustrante conseguir o ingresso só para o último dia também. mas pelo menos vou conseguir ir ao show.

    Particularmente, prefiro o Muse. Mas acho que o U2 consegue transformar suas músicas num grande espetáculo dentro de um estádio – e deve valer a pena.

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