"Ninguém é santo o tempo inteiro", diz Flávio Renegado com novo EP

Se você assiste TV por volta das 19h de segunda a sábado, com certeza ouve Flávio Renegado. É sua voz que acompanha Anitta na abertura da novela das 19h na TV Globo, “Totalmente Demais”, e o projeta para o Brasil. O cantor mineiro acaba de lançar um novo EP, chamado “Relatos de Um Conflito Particular” (Som Livre).

As sete músicas, disponíveis nas plataformas digitais, tratam sobre os pecados capitais. “Me identifico um pouco com todos. O pecado pode ser uma força motriz. A gente fica com esse pensamento católico de que é uma coisa ruim”, pondera. “Ninguém é santo o tempo inteiro. Pecar é legal pra você ter um lance criativo, ter avareza e saber pra onde caminhar. Tudo na medida certa. Se exagera, vira veneno”.

O rapper explica que o álbum nasceu de um processo natural, pois ficou estudando como fazer. Quatro anos separam este do seu último trabalho (“Minha Tribo é o Mundo”, de 2011). Tudo começou com a ideia de lançar o oitavo pecado capital, em janeiro.“Cheguei à conclusão de que o mundo já tá do jeito que tá (cheio de pecados), ainda vou inventar mais um? O que é pecado pra você, pode não ser pro outro. Se torna um conflito particular seu, a sua leitura de mundo”, filosofa. “Sou um cara com vários conflitos. Mas eu acho que o que mais me inspirou para esse disco foi esse, pautado pela religião: do certo e errado. Amar e ao, mesmo tempo, ter raiva porque a gente poderia evitar coisas, como a desigualdade”.

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A mãe do cantor o levou para todas as religiões possíveis, segundo ele, até começar a se inclinar pela qual gostava. “Tenho uma queda muito grande pelas religiões de matrizes africanas. A fé tem que ser renovada sempre”, analisa. Mas não é sobre religião que sua vida é pautada, mas de música: “sou um resumo de tudo o que já ouvi. Sou um cara que a música me influenciou a vida inteira, como James Brown, dai me apaixonei pelo rap, que possibilitou ampliar meu leque de visão e a coisa mais nova que tenho flertado é o rock. E isso transparece no disco”.

Ele conta que cada compositor o levou para uma experiência diferente. “Quando fui fazer o disco em janeiro (de 2015), comecei a compor, pré-produzir. Foi tudo meio junto. Ia estruturando as música pra compor de alguma forma, com letra ou melodia”, explica, citando que “Beagá” está cada vez mais bem posicionada na cena rap, apesar de atualmente morar no Rio de Janeiro e já ter vivido por dois anos em São Paulo. “Até brinco, falo que moro no Sudeste. Fico um pouco aqui, ali. Não sou eu quem escolhe, vou no fluxo do trabalho. A música que me conduz sempre, me leva para onde eu tenho que ir”.

Apesar de estar com um EP para trabalhar, ele diz que o processo criativo não parou. O desdobramento deve ser um CD para o ano que vem, ainda sem pensar muito. “O que mais motiva a compor é a vida, o dia a dia. Acho que sou um grande observador. Gosto de andar e observar as pessoas, como elas se comportam, o que está acontecendo, o rosto, o olhar. Sou muito sensitivo nesse sentido. Gosto de sentir essa energia e transpor para o papel”, garante, enumerando referências de outros estilos do rap, que não se assemelham à sua vertente, como o trap e algumas bandas, como os roqueiros Black Keys e Arctic Monkeys.

Renegado conduz um discurso mais denso e profundo. Com uma carga mais emotiva pra poder representar esses pecados. “Descola um pouco das coisas autobiográficas que tinha nos anteriores. Ele é crítico da situação, uma reflexão da sociedade. Mais do que uma culpa pessoal, é uma culpa social”, reflete. “A gente está num lugar muito doido. Quantas pessoas são assassinadas e ninguém fala nada. É só mais um dia. Cadê o respeito com o ser humano?”, pontua.

Em seu single de estreia, um clipe 360º chama a atenção. Veja “Só Mais Um Dia”!

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