O show ensolarado do Bombay Bicycle Club em São Paulo

Fotos de Elisa Rodrigues, exclusivas para o Aos Cubos

Poucas vezes me surpreendi tanto com um show quanto este do Bombay Bicycle Club. A jovem banda britânica – jovem mesmo, os integrantes parecem saídos do primeiro colegial – mostrou que não tem energia só pra gravar discos (os três de sua carreira saíram nos últimos três anos) mas embasbacou muita gente que esperava o som épico-fofo de “A Different Kind of Fix” (disco desse ano) ou a tranquilidade de “Flaws” (disco do ano passado). A tranquilidade e a fofura épica estavam lá, mas turbinadas com uma fúria sonora e até alguns momentos de crueza completamente inesperados.

Ou melhor, nem tão inesperados pra quem conhecia mais a “primeira fase” da banda (dá pra falar em fase numa carreira tão pequena?). O show que aconteceu no ainda novo Beco 203 no último domingo (6) teve tudo que um bom show precisa: público empolgado, banda entregue, e um repertório variado (vantagem de se lançar tanta coisa em tão pouco tempo). O único problema foi mesmo o horário absurdo em que o show começou (23:35 e acabou em torno de 0:50). Mas antes que as pessoas fossem jogadas na madrugada sem transporte público paulistana, todo mundo se divertiu bastante com a iluminação musical provocada pelo Bombay Bicycle Club. Parece exagero, mas em algumas músicas como “Lights Out, Words Gone”, “Rinse Me Down” e “Magnet” a banda parece trazer um pequeno sol para cima do palco.

O sentimento ensolarado que durou por quase todo o show também aparece nos momentos de explosão sonora, que fogem do clichê de “música calminha que explode de repente” e caem mais num sentido de “música calminha que explode por causa da energia latente de todos os integrantes da banda”. E dá-lhe head-banging e músicos saindo do nada nesses momentos (até os roadies apareciam de repente tocando algum instrumento), e na última música antes do bis, um medley de “The Giantess” e “Emergency Contraception Blues” – ambas do primeiro disco, “I Had the Blues but I Shook Them Loose” – havia oito pessoas em cima do palco.

O vocalista Jack Steadman tem toda a pose meio líder-loser tão comum entre vocalistas do pop-rock britãnico, e sua voz frágil porém bem particular, também podem ajudá-lo a ser posto entre os maiores do estilo. Mas enquanto a banda trilha o caminho do sucesso, parece estar se divertindo bastante, e também eles ficaram visivelmente embasbacados com a reação tão positiva do público que lotava o Beco: as caras de felicidade do baixista Ed Nash, que viajava de rosto em rosto procurando gente cantando as letras eram impagáveis.

A “integrante de luxo” Lucy Rose, que não faz parte da formação oficial da banda mas que é peça chave no último disco, entrava e saia do palco toda hora, se revezando em vocais, teclado e bateria eletrônica, e também viajando entre os rostos do público, dando sorrisinhos e tchauzinhos. Aliás, pode estar aí o diferencial do Bombay Bicycle Club no mar de bandas de pop-rock britânico-alternativo que surgem todo dia: a banda não tem medo de olhar para o público e não se poupa em nenhum segundo, tocando como se fosse o último show de suas vidas mesmo quando perceberam que o jogo estava ganho desde o primeiro segundo.

***

Veja as fotos da nossa galeria

Talvez você também goste...

6 Comentários

  1. …a tranquilidade e a fofura épica…turbinadas com uma fúria sonora… crueza inesperados…

    Incrível o texto!!! Que fotógrafa é essa??!!! Fotos maravilhosas!!!….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *