Opinião: @SWUBrasil, o evento milionariamente sustentável do ano

Confesso que, logo no primeiro momento que ouvi falar o que seria o SWU (Starts With You), pensei em duas coisas: nova versão do Rock in Rio e pra quê esse título em inglês? Depois, vieram os primeiros rumores de atrações e toda aquela ‘putaria franciscana’ pra definir a grade principal – era toda a papagaiada do festival de verão de salvador com atrações grandiosamente internacionais. Bastou confirmarem Kings of Leon e Linkin’ Park para que confirmasse a minha presença no megaevento de música e artes em Itu.

A verdade é que eu não tinha dinheiro suficiente pra ir, peguei emprestado o cartão de crédito da minha mãe, peguei aquele dinheiro que minha avó deu, juntei tudo e fui: sem dinheiro nenhum, praticamente. Como nós do aos cubos somos caras-de-pau (pelo menos eu e André Aloi), entramos em contato com a produção do festival, falamos com várias pessoas até que a gente conseguiu o que seria um sonho impossível e distante: credenciamento.

Como todo bom sonho, ele durou muito pouco. Fomos cortados sem nenhum aviso prévio sobre o corte, mas, “justificaram” que haviam credenciado três vezes mais pessoas que o permitido e, por isso, o corte pela produção. Sim e daí? Fomos selecionados e confirmados. Mas ok, não rolou. Demos nosso jeito de sermos notados no meio de milhares de pessoas naquela cidade conhecida por hipérboles exageradamente grandes. Deu certo? Sei lá. Foi divertido e muito prazeroso – não foi necessária nenhuma credencial para ser feliz e infeliz lá.

Eu, André, Gabriela Arena e Hosana (se fala “O”) Padma fomos juntos num celta preto do litoral paulista até a tal da Fazenda Maeda. Ficamos hospedados numa cidade vizinha, Indaiatuba e nos demos mal – nosso hotel ficava depois de um pedágio que custava R$10 a cada travessia. Não importou muito, no fim (tirando o dinheiro extra que gastamos), pois, qualquer detalhe (positivo ou negativo) foi aproveitado na nossa viagem musical. Foi mais que isso: experiência única de vida. Não me arrependo nenhum momento em ter gasto cada centavo que não tinha.

Arestas: @danilocangucu, @gabrielaarena e @aloi

DIAS 1 E 2 – A MARATONA
Gabriela e Hosana iniciaram a aventura primeiro: foram ao primeiro dia. Elas queriam ver, principalmente, o Rage Against The Machine e quase morreram, como vocês puderam ler aqui no aos cubos. No dia seguinte, entretanto, as duas sobreviventes pronunciaram de boca cheia: foi o melhor show que já fui. Sabendo do que nos aguardava, fui preparado.

O segundo dia de festival significava, para mim, apenas uma banda: Kings of Leon. Neste dia, a aresta Mônica Donatelli e o amigo Adriano Carvalho se juntaram à plateia. Escuto e gosto bastante da Regina Spektor – que foi um show, na minha opinião, lerdo e fraco. Sei alguma coisa de Joss Stone (como Fell in Love With a Boy e You Had Me) e imaginava conhecer alguma coisa da Dave Matthews Band – descobri que não sabia nada. Se soubesse daqueles jams que eles produziam duravam dezenas de minutos, me enfiava na tenda da Heineken e só saía pra ver o Kings. Apesar da decepção das bandas anteriores, o melhor me aguardava: os reis do Leon.

Reis? Queridos, não achei não. Eu amo o “Only By The Night”, algumas músicas dos CDs anteriores, mas… não deu não, viu? Nem a beleza latejante do vocalista e aquela voz suave e gostosa tornaram o show uma experiência inesquecível; pra mim, foi bom, apenas. A verdade é que no final de Sex on Fire gritei bem alto: “gozei!” – causando riso nos mortais que me circundavam naquela grua de uma emissora – e… foi só isso.

Bom, mas esse “só” valeu a pena. Foi genial ter visto o espetáculo que eles criaram em cima do palco (água ou ar): as luzes do cenário que se moviam criando painéis diversos e a iluminação que, apesar de simples e essencialmente branca (lê-se por luz branca também a luz amarelada do teatro) era muito bem articulada.

Neste dia, com medo de ser barrado de novo, não levei a minha Nikon e sim meu Nokia e63 para fazer algumas fotos – até que fiz umas legais, gostei. Voltamos, mortos, pra casa.

No dia seguinte, imaginava que todas as carências nas minhas expectativas dos shows seriam acariciadas – e foram. Desta vez, levei a Nikon (no dia anterior eu e André fizemos amizade com uma segurança, que garantiu a nossa entrada portando a câmera) e estava com a faca na mão: o queijo tava por aí. Acho que encontrei alguns no meio da Fazenda Maeda, mas, só vocês, leitores, poderão julgar se acharam meu trabalho digno. Detalhe: não levei meu cartão de 16 gb e tive que me virar com dois cartões de celulares – o meu e o de Dé – que somaram 3 gb. Se você quer fazer um bom trabalho, acredito que não seja necessário quantidade, e sim qualidade. Aprendi, do jeito que pude, a lidar com isso.

Entramos. Minhas primeiras fotos foram do próprio local: tendas, instalações e objetos artísticos. Era a minha arte em cima da arte dos outros; o que acredito ser essencial em qualquer criação artística: na vida e na arte nada se cria individualmente e sim coletivamente. Depois deste discurso socialista (sou muito capitalista também) vamos aos shows.

DIA 3 – OS SHOWS
Fiz alguns cliques no show do Incubus, no meio da multidão. O que fazer nessas horas, cercado por milhares de espectadores loucos pelo som que está sendo transmitido pelas caixas de som? Simples: ‘faça exatamente o que  pode nessas condições. Não adianta, você não vai tirar uma foto perfeita do vocalista se não está próximo dele ou não tem uma câmera equipada por R$ 10 mil ou R$ 20 mil – minhas duas condições. Então, resta usar as cabeças, as mãos, toda a sujeira que qualquer espectador menospreza e criar beleza diante de tanta imundice. Tentei isso. Consegui? só vocês dirão.

Depois fomos (eu e André) comer alguma coisa, a gente estava faminto. Na fila do caixa, conhecemos um rapaz do camping chamado Rafael Pieroni. Segundo o próprio, ele escreverá um livro contando algumas experiências proporcionadas pelo acampamento gigante. Ele contou que foi a melhor coisa que já fez na vida e, em breve, vocês conhecerão um pouco mais dele no blog, aguardem.

Visitamos a tenda da Heineken, andamos de roda gigante e, graças a deus, fomos ao show do CSS (a banda paulistana Cansei de Ser Sexy). Foi, simplesmente, o melhor show do SWU. Plateia insanamente empolgada, banda enlouquecidamente entusiasmada; Tem combinação melhor? Acho que não. As músicas que ouvimos foi um momento de puro êxtase. André, que não conhecia quase nada, pulou muito. Eu, que conhecia tudo, pulei muito, cantei muito e ainda fotografei alguma coisa. Lovefoxx deixava o seu eu-lírico conversar com ela e com a plateia, com interrupções como “gente, eu tô morrendo” ou “alguém liga pra um amigo pra saber como tá a novela?”. Puramente genial. Poesia, rock ‘n’ roll e eletrônico até não caber mais nos microfones. Obrigado, CSS. Espero vê-los ano que vem no palco principal, assim como todos que assistiram ao show.

Vimos também o show da banda carioca Fino Coletivo e fiquei feliz com o som, viu? Na primeira música, captei um Jota Quest refinado. Depois, descobri que eles são mais que isso. Ouvimos algumas músicas e partimos pra grande espera do dia.  Fomos ver o que interessava: Linkin’ Park.

Que show! Que projeções no telão! Que presença no palco! Meninos das misturas musicais: ensinem um pouco de atitude pros caras do Kings of Leon. A banda cantou muitos ou quase todos os seus sucessos dosando (às vezes com doses muito grandes e desnecessárias) com músicas desconhecidas e baladinhas. A gente só queria pauleira, queridos. Se tivessem feito um setlist apenas com sucessos, seriam facilmente a melhor atração do festival e o melhor show da minha vida (o The Killers ainda detém este posto) – mas não foram. Adianta animar a galera, fazer o chão tremer com um hit e depois botar todo mundo pra dormir com uma música de ninar? Não, né? Pois então…

Pra encerrar teve as batidas eletrônicas do Tiësto, que estavam muito boas. As pessoas que ficaram, curtiram muito. Já eu, percebi que o DJ é um rascunho no cenário mundial da música eletrônica: projeções bacaninhas, luz básica… nada que nomes fortes como Daft Punk e Chemical Brothers derrubariam na primeira música. Mas foi interessante, vai. Só não ficamos mais porquê nossos pés e nossa alma não aguentavam mais.

Fomos pro hotel, dormimos um pouco.
Viajamos de volta pro litoral paulista, dormimos muito.

Agora, no avião de volta pra casa (hoje é 13 de outubro), transcrevo esses pensamentos pra vocês. Meu cérebro está cansado e meu corpo um pouco destruído, mas, é necessário relatar coisas que mudam as nossas vidas. Quem sabe elas tornam, pelo menos, o dia de alguém mais feliz.

Hoje, isso basta pra mim.

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