Ótimo nome do rock alternativo nacional, Rosie and Me lança primeiro disco em show afiado

Fotos cedidas por Ana Laura Ferraz.

O grupo curitibano Rosie and Me foi ganhando espaço aos poucos ao longo dos últimos anos, e é uma das bandas nacionais mais bem sucedidas ao usar a internet quase como um “lar” mais do que apenas um veículo de divulgação. Sem dispor do apoio de uma grande gravadora ou de um hype exagerado (como outras bandas por aí, inclusive três também de Curitiba que me vieram à cabeça agora) lançou seu ótimo primeiro disco, “Arrow of my Ways”, com um show na Choperia do SESC Pompeia. Esse show foi antecedido por outros três na capital paulista que mostraram uma banda afiada com uma fanbase sólida. A temática de “procurar um caminho certo dentre tantos possíveis” que permeia todo o álbum é completamente pertinente a atual situação da banda, e com o show afiadíssimo que fizeram, só resta esperar que bons ventos levem o Rosie and Me para os melhores caminhos possíveis.

Se eu tivesse que apostar diria que a banda está no caminho certo, já que acabou de chegar de uma mini-turnê nos EUA, passando pelo festival South by Southwest, um dos mais importantes do mundo e seu EP de estreia, “Bird and Whale” de 2010, rendeu o quase-hit “Bonfires” e a música “Darkest Horse” na trilha de um season finale da série “One Tree Hill”. Aliás, se essa trajetória fosse uma corrida de obstáculos, o Rosie and Me já teria passado por barreiras que atropelam a grande maioria das bandas “alternativas” brasileiras por aí: auto-crítica, boas melodias, boas letras, boa produção, vocal original, e finalmente, performance ao vivo coesa e afinada.

O show passou por praticamente todo o álbum de estreia, três do EP (as duas já citadas e “Come Back), e um cover ótimo de “Ready for the Floor” do Hot Chip (que você confere ali no final do post), dedicado pela vocalista Rosanne Machado a “todos os modernos de 2005”. Ao vivo o Rosie and Me tem, em boa parte do tempo, bem mais impacto que no disco. E por mais que o som que eles conseguiram em estúdio até agora seja irresistivelmente afável/agradável (uma massagem no coração, como diria minha vó), talvez seria bom colocar mais desse peso em estúdio, moldado como uma camada a mais para ajudar o som da banda a ficar cada vez mais único – músicas como “Southern Home” e “I Couldn’t Reach You” são tão poderosas que parece faltar pouco para que se tornassem clássicos instantâneos em outro contexto.

Chamou a atenção a timidez do público – claramente interessado, mas que parecia muitas vezes com vergonha de se empolgar muito –  e da banda – claramente entregue, mas que às vezes parecia se afastar um pouco e buscar refúgio entre si. O indie/pop/folk, mesmo “tranquilo”, pode render shows insanos, como o do Camera Obscura no Studio SP em 2010 – ok, tinha whisky de graça nesse show, mas esse não é o ponto – e o Rosie and Me mostra ter tudo para fazer shows insanos, mesmo que introspectivos, mundo afora. O que parece faltar agora é sorte, então desejamos toda a sorte do mundo ao Rosie and Me.

O Rosie and Me se apresenta dia 16 de Junho no SESC Vila Mariana. Mais informações aqui.

P.S. É incrível, mas em pleno 2012 ainda tem gente que pergunta para uma banda brasileira que faz música em inglês porque ela não faz música em português (será que alguém faz essa pergunta pras milhares de bandas que cantam em inglês da Escandinávia, por exemplo?) e outro tipo de gente que diz “É uma banda tão boa que nem parece brasileira” como se fosse elogio. Essas duas situações são tão erradas em tantos níveis diferentes que eu poderia escrever páginas e páginas sobre isso.

Talvez você também goste...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *