Planeta Terra – parte 1: (quase) tudo sobre o melhor festival do ano

DE SÃO PAULO

Em sua quarta edição, e após o desaparecimento de festivais tradicionais como o Tim Festival, o Festival Planeta Terra fica cada vez mais firme no calendário de eventos de São Paulo, oferecendo sempre uma amostra do que há de mais legal no mundo da música alternativa.

O Festival, que acontece pela segunda vez no Playcenter, ofereceu música ao vivo sem parar das 4 da tarde do sábado (20) até às 3h, invadindo a madrugada de domingo (21), com shows nacionais e internacionais distribuídos em dois palcos: o Palco Principal, com 64 metros de altura e quase assustador de tão imponente, e o Palco Indie, mais amigável e incrustado entre um globo de metal gigante, duas montanhas-russas e o Castelo dos Horrores.

A quantidade ininterrupta de informação – vinda dos shows, dos brinquedos funcionando e das iniciativas dos patrocinadores – causa ao mesmo tempo êxtase e aflição. Em teoria é possível ver meia hora de cada show. Só em teoria. Na prática é necessário fazer escolhas, e mesmo vendo só uma parte do que aconteceu ainda tive que dividir este post em duas partes.

Após chegar lá pelas 15h, rodar cada canto do parque, ir em alguns brinquedos, e acompanhar distraidamente (assim como o resto do público) os shows da banda pernambucana Mombojó e do coletivo Novos Paulistas (formado por Tiê, Thiago Pethit, Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz, que são ótimos, apesar do nome discutível do coletivo) fiquei no Palco Indie e garanti meu lugar na grade pra ver a trinca Holger, Yeasayer e Passion Pit.

O Holger, banda paulista, divulgou o seu primeiro e recém-lançado álbum Sunga e levantou o público formado por uma quantidade considerável de fãs com suas músicas cantadas em inglês e seu som que bate de igual pra igual com o de bandas estrangeiras. Na verdade, a banda se assemelha às outras do estilo que tenta emular até nos trejeitos físicos e na atitude de palco, e isso é metade uma crítica e metade um elogio.

O Yeasayer veio depois. A banda nova-iorquina vem ganhando cada vez mais atenção na cena alternativa mundial, principalmente após o sucesso de seu segundo álbum, “Odd Blood”, bem mais acessível que o primeiro, o viajado “All Hour Cymbals”, e nem por isso pior ou menos experimental. O ritmo do Yeasayer mistura sons culturalmente distantes com a competência de quem sabe o que está fazendo.

Os vocais são revezados entre Chris Keating e Anand Wilder e a grande surpresa vem do baixista Ira Wolf Tuton: vêm dele os sons mais originais da apresentação, sons que você poderia jurar que são do teclado ou da guitarra ao ouvir o cd. O setlist não esqueceu as ótimas “2080” e “Sunrise” do primeiro álbum, e encerrou triunfalmente com “O.N.E.” e “Ambling Alp”.

Meia hora depois subiu o Passion Pit e despejou seu electro-pop épico/verborrágico num público que recebeu super bem, apesar da pouca resposta que recebia da banda. Toda a interação ficou por conta do vocalista Michael Angelakos, que cantava num falsete constante, cambaleando furiosamente pelo palco, e apontando eventualmente o microfone para que o público cantasse os refrões.

O resto da banda raramente olhou pra multidão: olhava desanimada para o chão mesmo nos intervalos (esquisitos e silenciosos) entre as músicas – intervalos esses que ficavam mais estranhos devido à intensidade das músicas. Ficou a clara impressão que havia algo errado. O setlist deu uma atenção exagerada para o EP de estreia “Chunck of Change”, surpreendeu com um cover de “Dreams” do The Cranberries, e cometeu o crime de deixar de lado “To Kingdom Come”, uma das melhores do único CD deles, “Manners”.

Enquanto isso, rolou no Palco Principal o teatral Of Montreal e o Mika, que muitos disseram ter sido o melhor show do Festival.

***

E pra esse post não ficar grande demais, você acompanha o resto num próximo, que será publicado ainda nesta quinta (25) à tarde.

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3 Comentários

  1. Sonora Main Stage era um palco mto lindo. Não cheguei a vê-lo de dia, só à noite, e era mto foda. Não cheguei a entrar no parque também, pois só fui para ver Smashing Pumpkins, que tocou à 1h30, e eu cheguei as 23h rs.

    Aguardo a segunda parte que fala sobre SP.

    Beijos ;*

  2. Pena que a gente não conseguiu se encontrar por lá, mas a parte boa é que sua cobertura me deu uma idéia bem boa do que perdi enquanto estava no outro palco. É a gente precisa mesmo fazer escolhas, mas que bom que são escolhas entre coisas bacanas.

    Ah, e parabéns pelas fotos. =]

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