"Pra mim, a presença dele é permanente", diz Frejat sobre Cazuza

Roberto Frejat foi fundador do Barão Vermelho e assumiu os vocais da banda quando Cazuza a deixou. Nos 25 anos sem o músico, completados essa semana, conversei com o amigo e parceiro de composições, que diz que não é do tipo que fica contando os dias sem o cara. Essa “coisa”, ele deixa pra imprensa e aos fãs. “Pra mim, a presença dele é permanente”, afirma.

Mas, ao ver capas de revista com o amigo e reportagens que revigoram o assunto, ele diz que a saudade aumenta. “Tem certas coisas que me lembram as histórias em que a gente tava junto, conversas… O tempo vai passando e, ao invés de ficar mais distante, fica mais perto. Parece que é mais difícil de esquecer”, reflete. Segundo ele, a pergunta mais difícil até os dias de hoje é sintetizar o amigo porque ele era essa diversidade de gostos e de preferências.

Foi essa dupla, inclusive, que compôs a maior parte dos sucessos e que deu a personalidade autoral à banda, como “Bete Balanço”, “Ideologia”, “Pro Dia Nascer Feliz”. Mas foi outra música, só de Cazuza, que deu título ao filme biografia do cantor, “O Tempo não Para”, de 2005. “Eu fui vítima daquele artifício de roteiro, quando você tem um protagonista. Eu tive que ficar como antagonista. Confiei demais na sensibilidade dos cineastas e puseram coisas que eu nunca falaria. Poderia até ter processado alguém por calúnia ou difamação”, exalta-se.

Roberto Frejat_1Mas, no segundo seguinte, fala que não valeria a pena. “Só me dedico a dizer que jamais falaria uma frase como: ‘nós somos uma banda de rock, não tocamos samba’. Até porque sempre gostei de Cartola, de samba, e foi um dos motivos da minha aproximação com Cazuza”, comenta. “Fora isso, não fico muito preocupado, não. A história vai se contando…Eu faço questão de falar o que me perguntam nas entrevistas, mas também não fico muito preso a ter que participar de todos esses eventos (de homenagem)”.

Para ele, sua maior ode acontece naturalmente. “Toda vez que subo ao palco, toco várias músicas nossas. A presença dele, a qualidade do trabalho, tudo que a gente fez é permanente. É fundamental que ele não seja esquecido, mas acho que é uma coisa que ele não corre o risco. Vejo a garotada muito interessada. Acho isso muito bacana. Fico muito orgulhoso de ele continuar pertinente e relevante pra juventude e pro público brasileiros”.

Questionado sobre uma possível participação no CD de homenagem a Cazuza, ele informou que não estava sabendo nada a respeito.

Também tentei contato com Ney Matogrosso, que foi namorado de Cazuza por três meses, nos idos de 1979. Mas o artista não conseguiu retornar por incompatibilidade na agenda.

*A conversa com Frejat aconteceu nos bastidores do festival João Rock, em Ribeirão Preto, quando o jornalista viajou ao evento à convite da produção.

[hr]

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Por André Aloi, especial para o Site RG
O texto acima é uma reprodução; veja a publicação original

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