Ricky Martin levanta bandeira de igualdade em show de São Paulo

O Credicard Hall – capacidade para mais de 7 mil pessoas -, em São Paulo, se tornou pequeno na noite de sexta-feira (26) para o show do maior astro latino do mundo pop: Ricky Martin. Os ingressos esgotados têm uma única explicação: os fãs aguardavam seu retorno ao Brasil há seis anos. Mulheres, homens, casais, amigos e fãs de outros estados (com única mochila nas costas somente para passar algumas horas curtindo o show de seu grande ídolo) compunham a plateia.

Por volta das 20h, as portas se abriram e todos correram para garantir uma melhor posição para ouvir e ver Ricky Martin com a turnê de divulgação de seu mais recente CD, “Musica + Alma + Sexo”, de 2011. O show estava prometido para começar pontualmente às 22h e, até lá, um DJ ficou animando a galera . Às 22h15, todas as atenções se voltaram para o telão, onde passava um vídeo sobre a cidade natal de Ricky Martin, Porto Rico (localizado no mar do Caribe), emendada por um outro sobre sua fundação com a mensagem “Reaja. É tempo”. A entidade tem um trabalho voltado para ajudar crianças desde setembro de 2010.

As luzes se apagaram às 22h20, e – sob gritos ensurdecedores do público – e um samba de Seu Jorge começa a tocar. À frente do palco, um tecido branco refletia a iluminação e aumentava a expectativa, criando suspense sobre o cenário.  As luzes azuladas foram substituídas por um vídeo de Ricky Martin acorrentado e com hematomas. Lutava por sua liberdade, até que finalmente cai de joelhos no chão, livre. O tecido foi ao chão, levando o público ao delírio.

Compondo o cenário, Ricky Martin apareceu (vestido com uma jaqueta de couro) – junto com seus dançarinos – sobre andaimes, cantando “Será Será”, hit de seu mais novo álbum “Musica + Alma + Sexo”. Sua voz era real. Aquilo que se ouve em CD é exatamente o que se tem ao vivo. Podemos falar isso sobre poucos cantores, mas Ricky Martin é o que aparenta: belíssimo, possui uma linda voz, sabe dançar (participava de todas as coreografias com seus dançarinos) e parecia estar feliz por estar ali, de volta a São Paulo. Ao final da música, Ricky vira de costas, ainda sobre o andaime, e se joga pra trás caindo sobre os braços de seus dançarinos.

O show inteiro: super produção. Sua banda era completa, composta por trompete, saxofone, tuba, bateria, guitarra, baixo. Sonoridade perfeita.  Na música “It’s All Right”, Ricky Martin aparece apenas com uma blusa de manga comprida preta, transparente e aberta, mostrando seu corpo em ótimas condições aos seus 40 anos (a serem completos em dezembro). “São Paulo, prontos pra festa?”, perguntou o artista. Com poucas luzes acesas ao palco, ele começou a cantar “Vuelve”.

Um de seus dançarinos sobe ao palco sozinho, e por meio dos telões ele contou um pouco de sua história e superações. “Sou gay e aceito isso. Seja você”. Já era de se esperar que Ricky Martin levantasse sua bandeira de igualdade e tentasse transmitir mensagens aos seus fãs. Usou pessoas de sua própria equipe para mostrar que de nada vale o preconceito. O cantor voltouao palco cantando “Shake Your Bon Bon”, com seu figurino ao estilo anos 50, de cabaré. O show parecia um trecho dos musicais da Broadway. O estilo segue até a música “Loaded”.

Depois, foi a vez de seu guitarrista contar sua história de vida, que sofreu racismo e preconceito por ser músico. Ricky voltou ao palco cantando “Frio”, outra música de seu novo álbum. A partir dali, foram as partes mais chocantes do show. Com cenas de sadomasoquismo, à meia luz, com tons vermelhos e rosas, em que suas dançarinas o envolviam com chicotes, e uma orgia em que todos usavam máscaras.

Ao fim deste ato do show, imagens de Ricky Martin passavam no telão. Tudo voltava a ficar mais iluminado e colorido com as músicas “Más”, “Lola”, “La Bomba” e “Maria”, seu maior hit. O cantor além de muito talentoso ainda se mostrou um grande patriota. Sempre exaltando a bandeira de seu país. “Se vocês estiverem planejando suas férias, vocês têm que ir para Porto Rico. Têm que ir para minha ilha”, convidava os todos.

Com a aminação da música “Pegate”, Ricky Martin ainda tirou boas gargalhadas do público quando, durante sua empolgação mandava a todos “tira o chão do pé, tira o chão do pé, oooh, tira o pé do chão!”. Seguiu “Por Arriba, Por Abajo”, jogando ainda sua toalha para uma sortuda do meio da plateia. Outro ponto alto do show foi quando Ricky Martin cantou o tema da Copa do Mundo de 1998, “La Copa de La Vida”. As cores do cenário variavam entre o verde e o amarelo, e o cantor ainda ganhou uma surpresa dos fãs, que desde antes do show haviam comprado bexigas da cor de nossa bandeira, encheram e coloriram o espaço da casa de shows. E ele agradece: “Muito obrigado, Brasil”.

Às 23h40 ele sai do palco. Era o fim do show. Não, claro que não. Ainda havia o “bis”. Voltou ao palco e cantou seu maior sucesso do atual CD, “Lo Mejor De Mi Vida Eres Tu“ e repetiu a dose de “Maria”. Ele ainda ganhou uma bandeira metade Brasil, metade Porto Rico. Secou seu suor, deixou seu cheiro e entregou de volta como um presente a sua fã. Saiu do palco carregando a bandeira do Brasil.

Muitos fãs

A maioria dos fãs presentes eram os que acompanham a carreira do porto-riquenho  desde a época do Menudos, como  Simone Ferraz, de 40 anos, que deixou o marido em casa, na cidade de São Bernardo,  para ver o cantor. Ela faz parte do fã-clube oficial do cantor desde 2007 e já o conheceu pessoalmente. “Ele é natural. Sabe lidar com cada tipo de fã. Abraça, beija, conversa. Parece que ele precisa desse contato, do toque”. Ela é uma das poucas que conseguiu ainda entrar para o Meet & Greet do cantor. Foram 20 pessoas, que além de fazerem parte do fã-clube oficial dele, pagando US$ 50 anualmente, desembolsaram US$ 405 (algo próximo a R$ 700) para terem uns minutos com Ricky Martin na tarde do show, tirando fotos e entregando presentes.

Já, Yara Maria Rodrigues, de 44 anos, fã do cantor desde a Copa do Mundo de 1998, na qual ele cantou a música tema “La Copa de la Vida”, pagou US$ 220 para conferir a passagem de som que ocorreu a tarde, tendo que dividir o ídolo apenas com mais 100 pessoas, ganhando um show mais íntimo. Ricky Martin consegue, por meio de sua música, formar uma unidade entre seus fãs. Homens, mulheres, pessoas de meia idade, jovens, idosos, independente de suas opções sexuais, cor, credo ou classe social. Todos eram iguais e tinham mais um fator em comum: admiração pelo artista. Foi uma noite de festa e quando chegou ao fim, já deixou saudade.

2 thoughts on “Ricky Martin levanta bandeira de igualdade em show de São Paulo

  1. Linda reportagem…quero guardá-la.
    Sou fã do Ricky há 27 anos e só agora consegui realizar meu sonho de estar ao lado dele no meet and greet…acho que ainda não acordei do sonho…fou tudo lindo, ele é atencioso, amoroso, um principe!
    sai de Goiânia pra conhecê-lo e assistir ao show, que foi demais!
    Hoje o amo mais que ontem…sempre será assim!
    Obrigada peloa materia, tá linda!
    beijos
    walquiria (@walzita)

  2. Amei a reportagem. Eu estava no Credicard Hall e foi exatamente como relatado aqui. Realmente o Show M A S é sensacional. O Ricky belíssimo pessoalmente, muito carismático. Sou fã desde o tempo dos menudos e ele continua o mesmo. Excelente presença de palco, voz maravilhosa, gingado inconfundível. otimos bailarinos, repertório que faz a gente tirar o chão do pé literalmente. Foi o melhor show que assisti na vida. Amo Ricky Martin cada vez mais.

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