Snow Patrol não sai da zona de conforto, mas faz primeiro show "de verdade" em São Paulo

Fotos de Ana Laura Ferraz exclusivas para o Aos Cubos.

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Foi a terceira vez que a banda irlandesa/escocesa Snow Patrol esteve no Brasil em três anos, mas parecia a primeira vez. Pra quem viu os outros dois shows da banda em festivais com line-ups duvidosos veio a certeza que já se anunciava de longe: esse foi o primeiro show “de verdade” deles por aqui (a escalação deles pro Rock in Rio por exemplo, no mesmo dia que o Red Hot Chili Peppers, só não foi pior que uma escalação pro dia do metal). A apresentação no Credicard Hall na última quarta (10) foi parte de uma turnê no Brasil que ainda incluiu shows no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, e deixou fãs tão satisfeitos quanto a banda, apesar de nenhum dos dois lados terem saído de suas zonas de conforto.

A banda mato-grossense Vanguart abriu o show para um Credicard Hall ainda bem vazio, mas havia pessoas comemorando e cantando o suficiente pra parecer que estavam lá apenas para vê-los, um raro acerto de escalação que captou bem o espírito de boa parte do público presente pra ver o Snow Patrol. A aproximação do show aumentava em quantidade exponencial o número de balões vermelhos, pro que se anunciava ser uma grande festa.

A uma hora e meia de show se estruturou de maneira bem clara: ao invés de mesclar as músicas agitadas com as bem mais lentas (que existem em grande quantidade no repertório da banda), o Snow Patrol prefere concentrar o impacto no começo e no final, deixando um miolo introspectivo que se mostra absurdamente dispersivo em festivais mas que funcionou muito bem num lugar fechado e  com eles no posto de atração principal.

A sequência inicial de “Hands Open”, “Take Back the City” e “Crack the Shutters” poderia convencer algum desavisado de estar diante de um show de rock (soft rock, mas rock mesmo assim) mas essa impressão passa logo. A banda que teve fortes raízes alternativas nos dois primeiros discos (ignorados pela banda e consequentemente pela setlist), manteve alguma “sujeira” em seu som no ótimo “Final Straw”, disco que os colocou nos holofotes da música britânica em 2003, e a partir de “Hands Open” (2006) apresentou um pop rock completamente polido e sem grandes surpresas. Uma mudança completamente autoconsciente e da qual o carismático vocalista Gary Lightbody fala com orgulho em entrevistas.

No miolo do show, o destaque ficou por conta do aparecimento inesperado de “You Could Be Happy”, música “menor” escolhida num quiz relâmpago pelo público em detrimento da genérica “New York” do álbum mais recente; e de “Run”, catártico single do álbum “Final Straw”. Gary dedicou “Run” a um grupo de fãs que havia comprado tênis novos para ele, após ele reclamar no twitter um dia antes ter perdido seus sapatos. Gary por sinal interagiu muito com o público, com sua pose que mistura um pouco de heroísmo bom moço, numa atitude meio desengonçada cool/nerd – características aliás refletidas diretamente no público presente no show. Sobre o presente, Gary disse: “Esses sapatos são mais legais do que eu jamais serei”.

 Após a longa introspecção, onde até dava pra se distrair na impressionante estrutura de luz e vídeo da turnê (com várias câmeras cujas imagens eram enviadas para 5 telões fazendo as vezes de cenário, e mesclando com precisão animações gravadas e a ação ao vivo da banda) o show volta a “acordar” com “Shut Your Eyes”. Logo após dela, “Chasing Cars”, que foi cantada tão alto pelo público que Gary simplesmente deixou o microfone voltado para a plateia que cantou mais da metade da música sozinha, apesar de vários gritos de “Sing it Gary!” e variações menos delicadas em português.

Após uma ótima execução de “Chocolate”, única música tocada do “Final Straw” além de “Run”, veio o único momento surpreendente de fato do show: a sequência “Called Out in the Dark” e a excelente “Fallen Empires”, ambas do disco mais recente de mesmo nome, mostra um Snow Patrol mais dinâmico e disposto a expandir suas fronteiras, apesar de tanto no disco quanto no show esses momentos serem isolados. O final de “Fallen Empires”, em que o show do Snow Patrol vira uma balada eletrônica épica, parecia o momento exato para a despedida antes do bis, mas a banda preferiu emendar o mega hit “Open Your Eyes” (a música mais conhecida deles no Brasil) e “You’re All I Have”.

No bis veio apenas a insossa “Just Say Yes”, amostra de uma banda que se sente extremamente confortável num som pop que faz com qualidade, mas talvez acomodada demais (chinelos velhos são bons, mas você invariavelmente os troca por novos em algum momento). Ficou de fora a belíssima “Lifening”, tocada nos outros dois shows no Brasil. Também faltou um pouco mais de ânimo físico no público, desintegrado principalmente pela grande e desnecessária Pista Premium, que deixou um espaço considerável praticamente vazio entre um público mais velho que parecia não saber muito bem porque estava lá e uma boa quantidade de fãs jovens que deixariam a festa muito mais bonita se não fossem vítimas de um sistema de vendas de ingresso equivocado, segregacionista e desrespeitoso principalmente num contexto de show de rock (mesmo que a banda em questão não seja tão rock assim…).

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1 comentário

  1. Gosto muito do Snow Patrol! Uma pena todos esses imprevistos e probleminhas no show. Com certeza seria muito mais bacana sem tudo isso, mas enfim, acho que quem foi, curtiu um bom show da banda. Bijos, Luuh Martins.