O sonho exuberante de 'Varekai', espetáculo do Cirque du Soleil

Fotos do flickr da produtora Time 4 Fun

Você com certeza já ouviu falar do Cirque Du Soleil e de como a companhia canadense de entretenimento revolucionou o conceito de circo. Mas só após entrar na tenda e assistir o espetáculo é possível ter a exata dimensão de quão revolucionário é o trabalho desses artistas e do tamanho da emoção que ele é capaz de causar no público. A equipe do Aos Cubos teve a honra de ser convidada, na última sexta (14), para visitar os bastidores do espetáculo itinerante “Varekai“, que está em São Paulo desde setembro e fica até final de novembro – e depois viaja por várias capitais brasileiras, e que instalou sua tenda magnificente no Parque Villa-Lobos.

Você confere o que vimos nos bastidores no post do Aloi, e neste, fica sabendo como é o espetáculo, e os motivos para não perdê-lo.

A história da montagem, cujo nome vem do romeno “Em qualquer lugar”, é como uma continuação do mito de Ícaro, e acompanha a figura lendária caindo numa floresta misteriosa após perder suas asas e reaprendendo a voar (e a amar) com os exóticos personagens que encontra por lá. A narrativa, falada em uma língua inexistente, e cantada em diversas línguas, é a base para os diferentes números de palhaços, acrobatas e dançarinos (às vezes as três coisas ao mesmo tempo), todos embalados em ações exuberantes e de uma técnica inacreditável.

A história geral é inteligível o suficiente para “toda a família”, mas a diversidade de detalhes nas cores, sons, símbolos, gestos… é um prato cheio para prender a atenção e deslumbrar qualquer pessoa. O caráter narrativo é com certeza um diferencial, como se expandisse a experiência de um filme ou de uma peça de teatro em um combo onírico do qual você não deseja acordar.

E, para completar essa experiência de sonho, tive uma grande surpresa: no número dos palhaços (dupla formada por um mágico picareta e uma assistente romântica e desajeitada), fiquei petrificado ao perceber que a assistente, após descer para o corredor, havia parado do meu lado e que o holofote agora acertava em cheio o meu rosto. Olhei para a cara da assistente e não segurei o riso, o que deve ter sido a “porta de entrada” para que ela pegasse minha mão e, após pedir aprovação do público, me levasse para cima do palco – como não é permitido fotografar durante o espetáculo, a imagem da direita representa o mesmo momento.

Durante cinco minutos (mas que parando pra lembrar, pareceram ser poucos e frenéticos segundos), fui disputado pela assistente, pelo mágico, por uma ninfa, pulei pelo palco, fiquei atrás de um sistema de cortinas que revelava uma surpresa a cada vez que abria (e que revelou pra mim a velocidade e precisão dos acontecimentos que fazem o espetáculo funcionar), fui vestido de assistente e detonei um dispositivo que fez um manequim da assistente original explodir. Uma pena, porque já sentia que tinha criado vínculos com ela (haha).

A memória de ser levado pelo mágico para a beirada do palco, agradecer solenemente o público, e receber aplausos de uma tenda imensa e lotada, com certeza, ficará guardada em um lugar muito precioso da minha mente. E tão preciosas quanto, são as imagens do espetáculo que ficarão na memória das pessoas que vi chorando quando a apresentação acabou, perdendo completamente o fôlego durante as acrobacias, ou gritando quando um movimento absolutamente impossível dava certo. Imagens essas que não seriam tão vívidas se tivessem sido vistas em qualquer outro lugar: a emoção é incomparável quando vista ao vivo.

***

Talvez você também goste...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *