SP: Rihanna leva 'metralhadora' de hits ao primeiro show do Brasil

DE SÃO PAULO

É fato que em shows de pop a qualidade da performance é tão importante quanto a da música, e uma carreira nesta vertente só se consolida com hits. Rihanna, com apenas 23 anos, mostrou na apresentação que fez em São Paulo no sábado (17) que está no auge de sua qualidade performática e descarregou sua metralhadora de hits em um público que já estava conquistado desde o primeiro segundo.

O show, que aconteceu na Arena Anhembi (um dos piores lugares para grandes shows em São Paulo, com difícil acesso e péssimo estacionamento) se dividiu em cinco atos: um mais eletrônico, um “militar”, um mais calmo, uma última sequência de hits e o bis. Com uma hora de atraso e após o “DJ de aquecimento” ser vaiado, Rihanna subiu ao palco com uma roupa que fazia suas (belas) pernas e seu decote virarem personagens à parte.

A estrutura do palco que não prometia muito antes do show, revelou cinco telões gigantes com um principal que se movia para mostrar surpresas como o globo metálico do qual a cantora de Barbados (ilha mais ao Leste no Caribe) surgiu no primeiro ato, emendando “Only Girl (in the World)”, “Disturbia”, “Shut Up and Drive” (a que teve mais resposta do público) e “Man Down” (um pouco fora do lugar).

Em “S&M”, última do primeiro ato, a sensualidade exacerbada da música não foi fora do comum, já que durante todo o show Rihanna agia de modo extremamente provocante, usando seu corpo e seus olhos verdes (que hipnotizavam o público mesmo pelo telão) a seu favor para carregar o show na palma da mão.

No segundo ato, Rihanna surgiu num tanque de guerra rosa que atirou camisetas (ou calcinhas?) na multidão e se seguiram “Let Me”, “Raining Men”, “Hard”, “Breakin Dishes”, e “Run This Town/Live Your Life”, colaborações com Jay-Z e T.I. Aliás, Rihanna fez várias vezes um triângulo com as mãos, símbolo da gravadora de Jay-Z (músico que a descobriu e que a apadrinhou no início da carreira).

O terceiro ato, com “Unfaithful” (que emocionou muito os fãs), “Hate That I Love You” e” California King Bed”, foi o momento para que Rihanna libertasse sua voz do barulho intenso do resto show, e mostrasse que sua voz tem a qualidade e personalidade esperadas de uma estrela pop do seu nível. Foi só nesse trecho que se encerraram as dúvidas quanto a sua potência vocal, já que até aquele momento, muitas vezes a barra era segurada pelas duas cantoras de apoio: quando ela estava rebolando, engatinhando sensualmente ou simplesmente jogando o microfone para que as pessoas cantassem.

O penúltimo ato emendou os hits “What’s my Name”, “Rude Boy”, “Cheers” e o pop definitivo de “Don’t Stop the Music”. Em “Cheers”, Nuno Bettencourt, guitarrista português membro do Extreme, fez Rihanna mandar um “salut” (ou “salud”) para a galera, ao invés de saúde. Ninguém entendeu. O bis teve “Love the Way You Lie (part II)” e pra encerrar, a onipresente, épica, e talvez insuperável “Umbrella”. Rainha das colaborações, Rihanna cantou sozinha todas as músicas, preenchendo muito bem o vazio deixado pelos numerosos rappers que já participaram de suas músicas.

Assim, misturando sua inconsequência moleca com sua atitude de mulherão, Rihanna contornou muito bem os eventuais problemas (atraso, fãs malucos…) e deixou todo mundo satisfeito. Seja por trabalho próprio, ou seja por apoio de produtores, está claro que ela tem uma identidade musical muito sólida e que sua carreira está no caminho certo após o escorregão comercial que foi “Rated R”: seu último álbum, “Loud”, é hit atrás de hit (que é a característica que a catapultou em “Good Girl Gone Bad”), e isso é extremamente importante para consolidar uma carreira no pop. Mesmo no clichê máximo que foi a chuva de papel picado (com lâminas prateadas e vermelhas)  no final de “Umbrella”, fica a lição: um clichê bem trabalhado é muito melhor do que uma ideia original mal executada.

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Veja a abertura do show em São Paulo:

5 thoughts on “SP: Rihanna leva 'metralhadora' de hits ao primeiro show do Brasil

  1. Muito bacana a matéria Luis, praticamente fui ao show com seu relato, só que obviamente me livrei dos fãs avc-maníacos (aqueles que tem mania de sofrer um avc) e do empurra empurra presença em todos os locais.
    Até gosto da Rihanna, no começo me incomodava muito ouvir suas músicas sempre tão trabalhadas eletronicamente no vocal, me incomodava não o fato de ser eletrônica, me incomodava o fato de nunca ouvir a voz dela de verdade, mas o youtube salvou a pele dela dessas minhas críticas e ela realmente manda muito bem.
    No mais, só a carinha de pobre dela que ainda não engulo, sem falar no fato de voltar com aquele namoradim lá depois de ser espancada, bom no mais, sem mais.

  2. Luís, acompanhei as notícias sobre o show e a sua resenha foi a melhor de todas apresentadas até então. Fiquei feliz com todos os relatos feitos por você e o resultado é que a Rihanna prova que é muito mais que um corpo bonito. Sim, quando se fala em estrutura acredito que faltou um pouco, talvez propositalmente, acredito eu, justamente pra mostrar o talento da cantora.

    Nada de playback, é um talento puro em cima de um palco. Simpatia, respeito. A gafe do guitarrista foi demais. Valeu e já vou acompanhar este site sempre!Tá nos favoritos! Valeu! Texto primoroso, parabéns!

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