Studio SP encerra atividades com show histórico

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Por mais que a longevidade de casas noturnas seja uma raridade e mesmo podendo escrever páginas e páginas sobre o que causou o fechamento do Studio SP e de como a casa fará falta para o cenário da música independente brasileira, não falarei sobre isso. Além do incrível encontro de artistas que promoveu em seu pequeno palco na noite de despedida (quinta, dia 2) a noite já começou especial pelo público que reuniu ali: uma amostra diversificada de não-privilegiados resultado de uma confusão sobre o horário em que os ingressos seriam vendidos.

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Vários veículos de imprensa divulgaram diferentes horários para o início das vendas e até a página do Studio Sp no Facebook divulgou dois horários diferentes um dia antes do início propriamente dito. Comprei meu ingresso praticamente sem fila às 11 da manhã (uma hora depois do início das vendas) mas duas horas depois os 350 ingressos para ver a fenomenal reunião de Metá Metá, Kurumin, Instituto, Kamau, Tulipa Ruiz, Criolo e Emicida já haviam esgotado. A dispersão causada por essa confusão pelo menos contribuiu pra não causar uma frustração maior ainda que uma fila imensa ou uma venda pela internet certamente causaria com tamanha procura.

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Li em algum lugar que essa derradeira festa Seleta Coletiva, sempre conduzida pelo produtor musical e músico Daniel Ganjaman, deveria ter sido só para convidados. Bobagem. Dava pra ver na diversidade e empolgação do público que teve a sorte de comprar algum ingresso que, se vendê-los daquela maneira talvez não tenha sido a melhor decisão, definitivamente não foi uma decisão equivocada. Para quem não teve a sorte de conseguir algum ingresso, o Studio SP montou um telão do lado de fora para transmitir o show, mas que aparentemente não funcionou bem como deveria.

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O show se construiu no revezamento de “duplas” de artistas, sempre com Daniel Ganjaman e seu Instituto como maestros, e a progressão de revezamentos culminou num número cada vez maior de músicos no palco, até chegar no fim apoteótico em que “Bogotá” de Criolo foi entoada por todos os músicos convidados visivelmente emocionados (Criolo parecia ser o mais abalado de todos), uma plateia ensandecida, e costurada por pequenos trechos de vários clássicos, e discursos inflamados sobre (entre outras coisas) a história do Studio SP, a truculência da polícia e o passado e o futuro da música independente brasileira.

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O sentimento geral de estar diante de um momento histórico já se construía desde a performance curta e explosiva do Metá Metá, e se tornou cada vez mais palpável a cada parceria, como na versão avassaladora de “Só sei dançar com você” entoada por Tulipa e Criolo, cujo trecho você confere aqui embaixo. Podia tentar fazer uma análise repleta de adjetivos épicos sobre esse último show do Studio SP mas prefiro ficar com esse relato humilde e propositalmente superficial, e com as minhas próprias memórias inesquecíveis que vivi ali e que ganharam a companhia de tantos outros momentos dessa “última noite”.

Que venham tantos outros lugares como o Studio e tantas outras gerações de músicos. E pra cada despedida, melhor mesmo encarar como Ganja encarou ao final de “Bogotá”, dizendo que nunca fez “bis” em nenhuma Seleta Coletiva e que não seria ali que ia fazer porque “essa coisa de bis é uma bobagem”.

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E aqui você confere a setlist da última noite do Studio SP:

  1. Metá Metá – Obá Iná
  2. Metá Metá – Oranian
  3. Metá Metá – Rainha das Cabeças
  4. Curumin – Take a Ride
  5. Curumin – In the Rain
  6. Curumin e Kamau – Mal Estar Card
  7. Kamau – Instinto
  8. Kamau e Tulipa Ruiz – Lágrimas do Palhaço
  9. Tulipa Ruiz – Efêmera
  10. Tulipa Ruiz e Criolo – Só Sei Dançar com Você
  11. Criolo – Subirusdoistiozin
  12. Criolo e Emicida – Mariô
  13. Emicida – A Cada Vento
  14. Emicida – Outras Palavras
  15. Emicida, Criolo e Kamau – Cerol
  16. Criolo e todo mundo – Bogotá

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