“As pessoas romantizam as relações abusivas”, afirma Johnny Hooker

Johnny Hooker está prestes a lançar disco ainda sem nome (apesar de na internet já anunciar como “Corpo Fechado”), o que deve acontecer no início da próximo semestre. Com participações de Liniker e Gaby Amarantos, relacionamentos abusivos são a tônica do novo trabalho do cantor recifense. “Quero levantar a bandeira com esse (trabalho) porque as pessoas romantizam as relações abusivas, quero que elas procurem ajuda para renascer, enfrentar as depressões. Enfim, as barras que elas passam na vida. Este disco é sobre renascer, sobre o sol, meu lado mais leonino. É a vontade de renascer e brilhar e sair dali mais fortalecido”.

Ele é o convidado do podcast Aos Cubos neste 22º programa, décimo da segunda temporada, que estreou na terça-feira (06.06), nas plataformas Podcasts, da Apple, e Soundcloud. Ouça:

Liniker e Almério farão shows com Hooker no Rock in Rio na noite de Justin Timberlake e Alicia Keys (17 de setembro). Ele aproveitou a proximidade com a primeira artista para compor uma canção que fala sobre a coragem de amar sem temer (trocadinho que brinca também com o #ForaTemer). “Comecei a observar, nos cinemas, casais gays bem novinhos de mão dada, se beijando (lá no Rio)”, explica sobre esse blues chamado “Flutua” – cujo clipe estreará depois desse “tapa” no RiR. Rainha do tecnobrega, Gaby Amarantos participa em outra faixa com tempero do Pará.

O cantor está no processo de se recuperar da depressão, mas espera que o carinho dos fãs durante a turnê que se aproxima seja força motriz para tirá-lo deste estado. A frase que aprendeu com a avó: “firme e forte feito um touro” está tatuada em seu punho e o ajuda a erguer a cabeça. “Estava sofrendo muito e agora que estou percebendo o que fiz. Às vezes a vida é assim… Apesar de sofrer, fiz o que eu queria”, explica sobre o disco produzido por Leo D, que já trabalhou com Mombojó e Nação Zumbi e no disco anterior de Hooker.

O disco já está gravado, passa por mixagem e masterização, e deve chegar ao público de forma repentina em algum momento do segundo semestre. “Está bem diferente do primeiro, queria trazer para um lugar menos rock ‘n’ roll e agressivo, mas para um lugar do cancioneiro clássico. O primeiro é muito escorpiano, as fases de um relacionamento do luto à superação. Este é mais um renascimento, o que estou passando. Fala tanto do pessoal, como o macro, do momento que o País está passando. Digo que são canções para sobreviver ao fim do mundo”, adianta.

Hooker acredita que a cada dia que passa já deu a hora de subir os créditos, como se fosse o fim de um filme. O disco também reflete o momento que passou há pouco, de enfrentar o fim de um relacionamento que ele taxa como abusivo. “Querer que as pessoas falem sobre isso, denunciem e falem abertamente sobre isso, que não deixem o abusador impune”. Inclusive, o primeiro clipe do disco vai falar exatamente sobre o tema, com divulgação de grupos de ajuda, de incentivar a procura por ajuda, entre outros.

A pergunta mais recorrente que ele tem de responder na vida é se ele já fez macumba para alguém e as pessoas cismam em perguntar sobre Ney Matogrosso, como se fosse alguém íntimo (devido à semelhança entre os estilos). “Deve estar bem, aí, fazendo shows. As pessoas não aceitam que ele não foi uma influência direta do meu trabalho. Claro, ele é incrível e icônico, mas não é (referência). Tá ali no panteão dos ídolos, mas o que sempre ouvi Madonna e minha mãe sempre foi apaixonada por David Bowie, tinha todos os discos e um VHS de Ziggy. E música brasileira, Caetano (Veloso)”. Para ele, Caê é o maior compositor brasileiro vivo.

O cantor ainda fala sobre suas participações em diversos projetos audiovisuais, como o no filme “Berenice Procura”, de Flavia Lacerda, e o programa “Subversão”, com Zelia Duncan, cuja temporada está prevista para 2018.

[hr]

TOP OU FLOP
Neste quadro, a gente apresenta alguns temas variados. Qual sua opinião?

https://goo.gl/fcpoid – As indiretas de Anitta no Twitter deixaram os fãs preocupados. A suspeita é de que a cantora e Maluma tenham se desentendido… O que será que aconteceu? Usar as redes sociais para lavar a roupa suja: top ou flop?

https://goo.gl/4mtfhg – A fotógrafa Laura Sodsworth acaba de lançar o livro “In Manhood: the Bare Reality”, em que explora o conceito da masculinidade. para o projeto, ela fotografou 100 homens e seus pênis. Nudez masculina como tabu: top ou flop?

https://goo.gl/74tiwm – Ariana Grande arrecada mais de r$ 40 milhões com show beneficente em manchester. a renda foi doada para famílias das vítimas e para sobreviventes que sofreram com um ataque terrorista que deixou 22 mortos no início de maio. o show durou três horas e teve participação de Coldplay, Katy Perry, Miley Cyrus, Justin Bieber, Pharrel Williams e mais.

https://goo.gl/G8iZ18 – Ariana Grande ainda rende outro top ou flop: depois de inventar uma nova dupla chamada simone e maraira, a apresentadora do ‘mais você’ atacou novamente. na manhã desta segunda-feira, ela chamou a cantora de  Adriana Grande ao comentar o show #onelovemanchester.

Quer deixar um top ou um flop pra alguma coisa que a gente não perguntou? Comente!

Leia mais

Entre inglês e português com Thiago Pethit, David Fonseca e Falso Coral

EN-PT-2

O extraordinário português David Fonseca conseguiu em sua terra natal um feito que parece improvável aqui no Brasil: cantando rock alternativo em inglês se tornou um dos artistas mais populares de Portugal, inclusive atingindo algumas vezes o primeiro lugar das paradas de lá.

Em outubro de 2015, David lançou seu primeiro álbum solo em português, o excelente “Futuro Eu”, e declarou à revista Estante: “Durante dez anos perguntaram-me porque cantava sempre em inglês. Agora perguntam-me sistematicamente porque canto em português. As entrevistas começam quase sempre com esta pergunta e sinto sempre um bocadinho da minha alma a abandonar o meu corpo enquanto a minha boca responde.”

Pois é. Apesar da aparente “cabeça aberta” do público português, o fardo de ter que se justificar ao cantar em inglês cobre de maneira igual os lusófonos dos dois lados do oceano. Problema que parece não atingir por exemplo os artistas escandinavos que cantam em inglês e dominaram o mundo fazendo isso (The Cardigans, The Raveonettes, Björk, ABBA, Lykke Li, etc.). Juntando declarações de vários artistas e bandas brasileiras recentes que fizeram excelentes trabalhos cantando em inglês (Cambriana, Inky, Far From Alaska, Rosie and Me…) o ponto principal da questão parece ser “compor sem forçar a barra”. Ou seja, compor em inglês porque suas influências te fizeram compor assim, e não pra tentar atingir outro público ou menosprezar o público nacional, como muita gente pensa.

E se você ainda não conhece os goianos do Cambriana, “The Sad Facts” já passou os 185 mil views:

Apesar de existir muita gente que realmente compõe em inglês achando que se tornará automaticamente acessível a qualquer público ou porque acredita não se identificar com a cena nacional, basta pensar no quanto os goianos do Boogarins estão se dando bem no rock alternativo internacional cantando em português. Recentemente, abriram parte da turnê norte-americana do Andrew Bird cantando hits como “6000 dias” e “Lucifernandis”. Complexo, certo?

Dentro desse contexto mas sem escolher nenhum dos dois lados, alguns artistas têm contribuído para um trânsito interessante entre as duas línguas, e talvez ajudado a naturalizar esse fato que não deveria ser uma questão tão importante. E realmente impressiona tanta “problematização” já que esse intercâmbio linguístico está longe de ser novidade. Toda hora é hora de revisitar o álbum de exílio de Caetano Veloso, de 1971, e sua transmutação de “better” para “Bethânia”.

O paulistano Thiago Pethit transformou em marca registrada os refrãos em inglês como ápices de versos em português e vice-versa. Já no terceiro álbum, o deliciosamente híbrido “Rock’n’Roll Sugar Darling”, aperfeiçoou a técnica com maestria. Os trechos em inglês são ao mesmo tempo projeções dos artistas que influenciaram Pethit e elementos super grudentos para suas músicas, no melhor sentido da palavra. Essas intervenções em inglês não parecem afetar a acessibilidade das canções para brasileiros ou estrangeiros, mas seu clipe mais recente, “1992”, estreou pela revista inglesa Hero Mag e o título neutro e o refrão em inglês com certeza fisgaram alguns novos fãs para Pethit.

Uma das empreitadas mais recentes entre os que transitam entre as duas línguas é a do grupo mineiro-paulistano Falso Coral. No EP de estreia “Folia”, duas músicas em inglês e três em português dividem espaço harmonicamente. O grande twist do grupo é que o instrumento principal desse som é a viola caipira de dez cordas. Fazer música contemporânea e em inglês tendo como base um instrumento barroco e tão brasileiro poderia ser interpretado apenas como experimentação, mas é a prova que, imersos num turbilhão de influências, os músicos se tornam canal do que quer que estejam ouvindo.

Voltando para David Fonseca e as perguntas sobre seu som em português, ele conclui: “Tento sempre responder da forma mais genuína possível, mas não há uma resposta exata para esta pergunta. Eu também não sei. A única coisa que quero é fazer canções que aproximem o meu mundo abstrato do mundo real, todo o resto são pormenores e particularidades que só interessam ao seu inventor.” Em várias outras entrevistas sobre o seu mais recente álbum, David conta como foi orgânico o surgimento dos primeiros versos em português que se tornariam o “Futuro Eu”. A maestria com que se moveu de uma língua para outra e os bons resultados em ambos os casos, fazem parecer que de fato a língua é só um detalhe na música. Parece absurdo, mas a ideia toma forma quando pensamos bastante nela.

Na mais extrema das hipóteses, sempre temos os islandeses do Sigur Rós que às vezes usam uma língua inexistente, o hopelandic, para cantar suas músicas. É a maior prova que independente da língua, todo mundo se entende se a música for boa.

Leia mais

SP: "Cartola está acima do bem e do mal", comenta Teresa Cristina

Teresa Cristina começou a cantar Cartola para um pocket show no encerramento de um projeto no Rio de Janeiro, em 2015. Foi tão emocionante, ficou com isso na cabeça, dizendo que queria se apresentar mais vezes. Levou o show para o Theatro Net, no Rio de Janeiro, com direito a duas sessões de ingressos esgotados e gravação para um canal no YouTube. Repetiu a dose nesta segunda (18.01) para ser exibida ao vivo no canal BIS.

Agora chegou a vez de São Paulo conferir de perto a artista portelense “traindo” sua escola-mãe e dando voz a clássicos eternizados por Cartola, que narrou em muitas de suas canções seu amor pela Mangueira. “Aquilo me deu um tesão tão grande. Falei: ‘nossa, que bacana. Uma ideia do nada, de bobeira’. Na vida, as coisas não são à toa. Deus não dorme”, brinca. Ela faz show nos dias 21 de janeiro (esgotados) e 21 de fevereiro (à venda).

TCristina-71

O show cantando Cartola foi uma surpresa, segundo a artista. “Gosto muito dele, sou fã. Mas era algo improvável, já que sou portelense. Tem gente que reclama, fala que eu virei Mangueira, outras acham legal. Eu, sinceramente, acredito que ele esteja tão acima do bem e do mal, que eu nem penso… Quando escolhi fazer, nem passou pela minha cabeça estar traindo a Portela de alguma maneira. Ele é um Jedi (lê-se jedái, fazendo menção aos personagens fictícios da franquia americana ‘Star Wars’)”, brinca.

Ela acredita que o artista está no mesmo patamar de Dorival Caymmi, Nélson Cavaquinho e Pixinguinha. “São compositores com uma assinatura muito forte. Você ouve e identifica, reconhece a obra dele até sem o nome. Poucos compositores têm essa assinatura nas canções”, reflete, dizendo que só há uma música que não se sente muito confortável em cantar. É “Sala de Recepção”, cujos versos dizem: “Temos orgulho de ser os primeiros campeões. E as outras escolas até choram invejando a tua posição. Minha Mangueira da sala de recepção”. Nesse momento, a plateia cai na gargalhada.

TCristina-59

A iniciativa de gravar a apresentação em DVD (para ser distribuído online por meio do YouTube) surgiu da nova empresária de Teresa, Paula Lavigne, que queria preencher o ócio da gravação de um novo CD de inéditas com uma apresentação especial. “Ela é muito esperta, pensa muito rápido. Chegou e falou: ‘já que esse show tá com essa bombação toda, vamos arriscar e gravar logo, direto. Achei meio loucura. Mas também gosto de coisa louca. Falei: ‘vamos’, mas meio assim. E que bom. Acho simpática a ideia de o DVD estar online”.

Ela acredita que o sucesso dessa fórmula se deu por causa da escolha do repertório, estava cantando bem (as músicas) e as coisas acabaram dando certo. “Eu fiz o primeiro show, estava bem nervosa. Quando chegou o segundo, falaram que talvez Caetano (Veloso) fosse. Todas as vezes que olhava pra plateia, não o via. Depois que vi o show filmado, sei o momento certinho que o enxerguei na plateia, estava cantando ‘as Rosas Não Falam’, talvez”, relembra. “Nos primeiros contatos, sempre se mostrou uma pessoa generosa, como quando me chamou para cantar com ele (“Festa modesta”)”, pontua.

Acompanhada do violão de Carlinhos Sete Cordas, a artista sobe ao palco do Theatro Net São Paulo nesta quinta-feira (21.01), com o show “Teresa canta Cartola: um poeta de Mangueira”. Os ingressos para esta apresentação se esgotaram. Uma nova data está à venda: 21 de fevereiro. Custam de R$ 60 (balcão,meia) a R$ 140 (inteira, plateia). Entre outras canções, ela canta “As Rosas Não Falam”, “O mundo é um moinho”, “Alvorada”, “Peito Vazio”, “O sol nascerá” e outros grandes sucessos do saudoso sambista.

SERVIÇO
Teresa Cristina @ Theatro Net SP
Rua Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia (dentro do shopping Vila Olímpia)
Teresa Cristina canta Cartola: um poeta de Mangueira
Dias 21 de janeiro e 21 de fevereiro
Ingressos à venda: de R$ 60 a R$ 140

Leia mais

Dônica, a banda que tenta "se livrar" do título de banda do filho de Caetano

Dônica fez sua estreia nacional em festivais no último fim de semana, no Rock in Rio – ao lado do artista Arthur Verocai. Com um CD novo para mostrar, “Continuidade dosParques” (lançado pela Sony), a banda está feliz com o resultado. O grupo se apresenta nesta quinta-feira (24.09), na Casa da Gávea, também no Rio de Janeiro.

Eles trabalham em dobro para se livrar da fama de banda do filho de Caetano Veloso. “Já falam isso”, diz o vocalista José Ibarra. “Mas vai ouvir o som. Às vezes gosta. Mesmo que tenha uma porrada de gente falando isso, tem quem fale do nosso som. Espero que uma hora parem com esse rótulo”.

O “culpado” por essa estampa, o músico Tom Veloso, começou tímido na banda, nos bastidores, compondo e, de forma natural, foi assumindo nova posição. Hoje, no palco tocando violão, diz que não há uma pressão pelo fato de ser filho do músico (e de Paula Lavigne). “Às vezes, é chato. Quando ouvem sem preconceito, acabam gostando do que a gente faz. Dane-se isso (de nomenclaturas), é algo a mais”, desabafa Tom. E o pai? “Ele ouviu o CD, gostou e se impressionou com os meninos tocando. Sempre elogia muito, e as composições também. E fica brincando sobre rock progressivo porque nunca gostou disso”, ri.

donica3

Ibarra explica que, musicalmente falando, a Dônica foi se aprimorando até chegar perto do que pensavam para o CD. “Queríamos explorar mais os timbres, ter usado mas sintetizadores”, comenta, falando que o processo foi muito intenso: cerca de 20 dias para estar tudo pronto. “Tínhamos tudo na cabeça, mas muitas coisas foram mudando no caminho”, argumenta, falando que a gravadora não deu qualquer pitaco nem foi a nenhuma das gravações. “Entregamos o CD lá e pronto. Tem um pouquinho de cada coisa porque cada um tem uma influência, um estilo”.

Tom e os meninos são a epítome da adolescência, todos têm menos de 20 anos. Suas composições falam sobre experiências do cotidiano. “Teve uma época em que éramos fissurados pelas meninas que conhecia e compunha sobre elas”, explica. “Hoje, não mais. Tem muitas histórias que a gente viveu junto. Cada coisa que surge, dá vontade (de escrever), como situações, amores, saudade, vem naturalmente”, completa Tom.

Apesar de ter cara de banda independente, eles se inspiram numa galera comercial, como Pharrell Williams, Rihanna, Beyoncé. “Eles são muito profissionais, sabem como fazer a parada. Nessa galera, tentamos pegar mais a parte de produção musical: ‘porque o cara fez isso e não aquilo, sabe?’”.

donica2

Apesar de ainda não estarem no patamar que almejam, estão um passo à frente com uma grande gravadora por trás. “Não temos a pressão do que temos que fazer. Só do que não se deve”, brinca. “Musicalmente falando, sempre adotamos uma rotina muito profissional. Antes, só ensaiávamos, não tínhamos show nenhum. Você tem que aprender a lidar com outras coisas, como o público, redes sociais, compromissos”, destaca o vocalista.

Atualmente, eles fazem ensaios duas vezes por semana. “Se fosse mais, não daria espaço pra pensar nos arranjos (e tudo mais)”, diz o vocalista que passou em faculdade de música, assim como Lucas Nunes, o guitarrista. Quanto aos demais integrantes, Deco (André Almeida), o baterista, passou para Engenharia e Tom para Comunicação, largou e deve focar na música. Completa a banda Miguima (Miguel Guimarães), no baixo que ainda nem está na faculdade.

COMPOSIÇÃO
O compositor e violonista baiano César Mendes foi quem deu o ‘start’ para que Tom começasse a focar. Assim como o pai, ele falava que o garoto assoviava no tom. “Nunca liguei pra isso, pra musica. Mas o ele começou a me colocar pra tocar violão gostei, e aprendi rápido”, diz ele que começou a tocar há três anos. A vocação foi bem recebida pela família. “Eu não tinha nenhuma ligação, não gostava. Era viciado em futebol, joguei cinco anos pelo fluminense”, gaba-se. “Depois de um tempo, eles me chamaram pra me juntar (à banda). Foi um processo natural”, finaliza Tom.

Leia mais

SP: Da Tropicália à música inédita, Caetano e Gil reverenciam o Brasil

Caetano Veloso e Gilberto Gil são duas figuras importantes para a música brasileira, fundadores do movimento Tropicália lá nos idos de 60. Desde então, dispararam hits que fizeram sucesso nas últimas décadas na MPB. Até hoje, conseguem ser atemporais e pertinentes. A apresentação de quase duas horas, começou por volta das 22h, com quase 40 minutos de atraso – talvez pelo intenso trânsito da capital paulista em dia de chuva e protesto.

Mesclando passado e presente, apresentaram uma faixa inédita no show que abriu a temporada “Dois Amigos, Um Século de História”, nesta quinta (20.08), no Citibank Hall, em São Paulo – depois de uma temporada na Europa. Nos versos da faixa, ainda sem título, conclamaram “as camélias do Quilombo do Leblon”. A letra remete aos tempos da abolição da escravatura, no Rio de Janeiro, sinônimo claro de resistência à época.

OUÇA

Expoentes da Bahia, mostrando em cena sua baianidade nagô, celebraram seus 50 anos de carreira com uma ode aos estados brasileiros. O palco, além dos banquinhos e violões, tinha um varal com as bandeiras de todos os estados penduradas e um pano colorido com figuras geométricas ao fundo (com até uma estrela de David projetada em luz, assim como a bandeira do Brasil).

Estavam tão em casa que, de surpresa, fizeram o bis do bis. Voltaram duas vezes depois de sair do palco. Na primeira, tentaram terminar o show, dançando na frente do público, puxando o refrão: êta, êta, êta… É a lua, é o sol, é a luz de tieta, êta, êta”. Voltaram mais uma vez para mandar beijos e cantar “Leãozinho” e “Three Little Birds”, com todo o refrão cadenciado de Caetano e direito às onomatopeias de Gil.

Nas primeiras palavras trocadas com o público, Caetano brincou: “Bom estar de volta por São Paulo, com garoa e tudo”, brincou. Gil concordou e riu. Eles nem haviam cantado “Sampa” ainda. No repertório, que visitou, entre outras faixa, as conhecidas “Drão”, “Expresso 2222”, “Filhos de Ghandi”, “Domingo no Parque” e “A Luz de Tieta”.

Além de canções próprias, homenagearam João Gilberto (“É Luxo Só”), Simón Díaz (“Tonada de Luna”, em espanhol) e Tony Dallara (“Come Prima”, em italiano). O pé de Caetano, quando não estava firmando o violão, acompanhava o compasso, batendo-o no chão, com as melodias.

Em cena, nenhum sobressai ao outro. Os dois gigantes conseguem manter sóbrio o diálogo e a parceria, mesmo sendo duas lendas da música nacional. Longe de ter briga de ego. Sem rixas, eles são Paul McCartney e Mick Jagger dos brasileiros, parafraseando a comparação nos jornais lá de fora sobre a turnê. Caetano até que arrisca um passo ou outro, mas nada demais. É só o suingue da Bahia.

Em um dos momentos mais tenebrosos – com luz baixa e batucada no violão sem dedilhar, Gil entoa os versos de “Não Tenho Medo de Morrer”. Mas logo o momento muda porque os dois seguem com fé… até porque á fé não costuma “faiá”. Até domingo, se apresentam no Citibank Hall, na capital paulista, com ingressos esgotados. A apresentação chega ao Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de outubro, dessa vez no Citibank Hall fluminense.

Leia mais

"Dou uma choradinha, lavo o rosto e vou trabalhar", diz mãe de Cazuza

Lucinha-AraujoJá se vão 25 anos sem o cantor Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza. Ícone de sua geração exagerada, cantou sobre o cotidiano e amores desesperados ainda na época do Barão Vermelho, ditava moda, e – quando soube que estava doente – entoou as mazelas da sociedade, escolheu sua ideologia pra viver, e pediu para que o Brasil mostrasse sua cara. Seu tempo parou em 7 de julho de 1990, aos 32 anos, quando perdeu a luta contra as complicações do vírus da aids.

Conversei, por telefone, com Lucinha Araújo, mãe do saudoso Cajú (apelido do apelido), que puxa série de entrevistas sobre o tema. “Não sou masoquista, mas quero sofrer pela falta do meu filho. Posso dar uma choradinha todo dia, depois lavo o rosto e vou trabalhar. Mas não quero deixar de pensar nele com saudade”, diz. “Pra mim é mais um ano sem meu filho. Não tem diferença ele ter morrido na véspera ou há 25 anos. A dor continua igualzinha. O tempo não apaga, não, só vai mudando o sentimento. Não é que eu esteja conformada. A saudade vai existir sempre. Eu quero sofrer”.

Tiete assumida, conta que ele deixou sua marca na música nacional.”Depois que ele soube que estava doente, começou a cantar o País dele. E fez melhor que ninguém. As letras estão atuais até hoje. Eu acho que o cenário musical brasileiro tá meio devagar. Não sei se é por causa da política ou se as pessoas estão cansadas. Mas acho que ainda não surgiu outro Renato Russo ou Cazuza. Depois da geração deles, a música não apontou ninguém com a mesma força”.

O maior legado de Cazuza, explica Lucinha, não foi só de belas canções ou de estilo, mas de coragem. “Ele se confessar soropositivo, no auge da beleza, da juventude, da carreira, ganhando o dinheiro dele. Aquilo foi um ato de extrema coragem. Eu passei a admirar ainda mais meu filho”, refere-se à entrevista que deu ao “Fantástico”, falando ainda que a aids naquela época era tida como uma nova “peste”.

O tempo de Cazuza parou em 7 de julho de 1990 - Foto: Divulgação/Sociedade Viva Cazuza
O tempo de Cazuza parou em 7 de julho de 1990 – Foto: Divulgação

Seu fardo tornou-se inspiração para a Sociedade Viva Cazuza, instituição de luta contra aids. “Eu procuro encontrar nessas crianças um sorriso dele. Tenho vários filhos aqui”, derrete-se pela instituição que atende 15 crianças em regime de internato. “Venho todos os dias aqui, menos sábado e domingo. Adultos são 200 mensalmente, que vêm buscar ajuda ou uma cesta básica”.

Num tributo ao ídolo, ela diz que não pode faltar o amor. Lucinha se intitula “difícil” para escolher uma versão preferida de música de Cazuza. “Sempre acho que a dele é melhor. ‘Codinome Beija-Flor’, o Luiz Melodia cantou quase tão bem quanto ele. Eu sempre brinco: ‘nossa, você quase superou o Cazuza’”. Ela não tem uma única música preferida de Cazuza, depende de seu estado de espírito. Mas gosta muito de “Um Trem Para as Estrelas” porque acha a letra muito bonita. “Eu ouço ele todo dia. Se não estou afim de ouvir, ligo o rádio e está lá tocando”.

No ano em que se faz 25 anos da perda do ídolo, os fãs ganham uma série de presentes. Está previso para o segundo semestre um CD com letras inéditas, musicadas por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Bebel Gilberto, Seu Jorge, Xandy de Pilares, entre outros. Além disso, a reedição de “Só as Mães São Felizes”, livro que deu origem ao filme que trata da relação entre Lucinha e o filho, além da atualização de “Eu Preciso Dizer que te Amo”, um guia sobre as faixas e regravações do astro do rock nacional.

Foto: Divulgação

Negando que possa haver um novo documentário sobre Cajú, diz que fez tudo o que tinha de ser feito, enumerando filme, exposição, livros etc. “Não tenho nem mais idade. Ano que vem vou completar 80 anos, chega, já é bastante”, afirma ela, falando que seu principal objetivo é levar adiante todos os projetos que já estão em andamento.

De mensagem para os fãs, dispara a frase: “Volta, Cazuza. Eu sei que é impossível, mas alimenta muito a alma. Se ele não voltar, vou ao encontro dele. Depois do que eu passei, tiro qualquer coisa de letra. É uma coisa tão anti-natural os pais enterrarem os filhos, você fica vacinada para o resto da vida. Ele foi tão forte, tão corajoso, que não poderia ser diferente. Eu aprendi muito mais com ele do que ensinei”.

SITE_RG

Por André Aloi, especial para o Site RG
O texto acima é uma r
eprodução; veja a publicação original

[hr]

[alert type=”info”] A partir daqui, o conteúdo é exclusivo![/alert]

SUCESSO INTERNACIONAL
Ela não tem uma única música preferida de Cazuza, depende de seu estado de espírito. Mas gosta muito de “Um Trem Para as Estrelas” porque acha a letra muito bonita. “Eu ouço ele todo dia. Se não estou afim de ouvir, ligo o rádio e está lá tocando. É maravilhoso. Melhor do que você ser famoso, é ter um filho famoso”, diz ela, que não é só no Brasil esse carinho. “Fui à Lisboa (Portugal) recentemente e fiquei boba como as pessoas conhecem ele. Cazuza nunca fez um show fora do Brasil. Fico impressionada. Eu encontrei gente na rua, fiquei boba. Falei: ‘meu Deus… olha o que ele perdeu, que pena que ele foi embora tão cedo’”.

O TEMPO NÃO PARA
Sobre o filme de Sandra Werneck e o Walter Carvalho, “Cazuza – O Tempo Não Pára”, de 2004, se sentiu horrível naquele filme. “Me achei tão chata, mas tão chata! Ou me pintaram chata ou eu sou assim. ‘Você zelava pelo seu filho’, ouvia deles. Mas eu falo que eu era chata mesmo. É porque eu só tinha um filho. Filho único, coitado, sofre muito”, explica, reforçando que não mudaria nada dessa relação. “Criança não vem com bula, só tive uma e aprendi tudo naquela. Se tivesse tido outras, talvez tivesse sido mais benevolente”. Ela tentou todos os métodos ao alcance à época, mas não teve sorte. “Deus sabe o que faz, que era pra ter tido um mesmo que ia me dar muito trabalho”.

RELAÇÃO MÃE E FILHO
Ainda sobre essa relação com o filho, ela não acredita que ele fosse difícil de lidar, mas os dois tinham gênios muito parecidos. “Eu casei com meu primeiro namorado, vivi em outros tempos, frequentei colégio de freira, obedecia pai e mãe. Ele nasceu em outra época, a da revolução sexual, de tudo. Então, a gente batia de frente de vez em quando. Mas o amor era muito grande, tanto comigo quanto o pai dele. Comigo, a relação era mais tumultuada, com o pai era mais calma. Mas o amor era igual. Temos uma família muito querida”, diz assim mesmo, no presente.

 

Leia mais