Ok Go: direito a dueto com plateia, b-side, guitarras peludas e laser

Foto: Luis Coutinho

Sabe aqueles dias que você tem certeza que vai voltar pra casa, no fim do dia, colocar um pijama e dormir? Sexta (17) era um dia assim. Mas, depois de uma sucessão de surpresas, lá estava eu no Estúdio Emme pra ver o show do Ok Go. A banda sempre esteve na minha lista de espera de “bandas legais que eu posso gostar muito um dia”. Então, ao saber que eu iria ver o show, a primeira pergunta que veio na minha cabeça foi “Quão arrependido ficarei por não ser um fã ainda?”. A resposta foi: muito!

Primeiro, porque o carisma do vocalista Damian Kulash te pega desde a primeira música e, se eu já fosse fã, provavelmente surtaria ao vê-lo, assim como as histéricas representantes da “família Ok Go” que estavam do meu lado. E também porque o grupo faz todas aquelas coisas legais que você espera que uma banda (que você goste) faça num show: teve convite pra subir ao palco pra tocar guitarra (Here it Goes Again), música tocada no meio do público (Last Leaf), b-side – improvisada de última hora – para atender pedido do público (It’s Tough to Have a Crush…), performance com jaquetas de LED (Diodo Emissor de Luz) e guitarras peludas que soltavam raio laser… Tá, talvez você nunca quis que uma banda fizesse isso, mas deveria!

Foto: Luis Coutinho

Aliás, é impossível falar do show sem lembrar de pirotecnia. Quase toda música teve algum elemento visual ou instrumental que fazia a diferença. E já dava para deduzir que seria assim desde antes do show, devido ao verdadeiro arsenal de instrumentos que ocupavam o palco, incluindo até uma mesa com sinos (usada numa performance a capella de What to Do). Só a chuva de papel picado foi meio redundante. Se ela já não tinha mais tanto impacto na segunda vez, depois da quinta vez então…

Como lembrança ruim fica o atraso do show, que estava programado pra começar 23h30, e começou pouco mais de uma hora depois. Mas a melhor lembrança é, com certeza, o final com a ótima This too Shall Pass (que teve Damian mais uma vez indo pro meio do público com direito a todo mundo fazendo coro) e o encore com as tais guitarras peludas.

Se antes do show quase todas as pessoas que eu chamei para ir comigo disseram “Ah, é aquela banda dos clipes legais?”, depois do show estava provado – pelo menos pra mim – o Ok Go é muito mais do que isso.

Foto: Luis Coutinho***

Nesta segunda (20), a banda lançou novo clipe no programa The Ellen DeGeneres Show, da Warner americana.

Mais um para o hall da criatividade: Ok Go – White Knuckles
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nHlJODYBLKs&feature=player_embedded]

[Atualização às 12h28]

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Multishow escolhe melhores da música; nós, os comentários

O 17º Prêmio Multishow de Música Brasileira reuniu, na noite desta terça-feira (24) no Rio de Janeiro, os ‘melhores’ da música na opinião de internautas – foram aproximadamente 30 milhões de votos.

Com 13 categorias, abaixo os vencedores, a premiação foi comandada por Fernanda Torres e Bruno Mazzeo – além de outros apresentadores e participantes dos reality shows do canal pago. Contou com apresentações de Claudia Leitte com Victor & Leo, Caetano Veloso e Maria Gadu, Cine e Lu Alone, Empolga às 9 e Bombay Bicicle Club, entre outros.

VENCEDORES


MELHOR ÁLBUM –
“Maria Gadu”, Maria Gadu
ARTISTA SERTANEJO – Victor & Leo
MELHOR CANTOR – Samuel Rosa
MELHOR INSTRUMENTISTA – Rodrigo Tavares (Fresno)
MELHOR MÚSICA – “Recomeçar”, Restart
TVZÉ – As máscaras”, Claudia Leitte – Thiago Cardoso
REVELAÇÃO – Luan Santana
EXPERIMENTE – Móveis Coloniais de Acaju
MELHOR SHOW – Ivete Sangalo
MELHOR DVD – “Chiaroscope”, Pitty (dirigido por Ricardo Spencer)
MELHOR CLIPE – “Espero a minha vez”, NXZero
MELHOR CANTORA – Ana Carolina
MELHOR GRUPO – Banda Cine

[Veja mais fotos do Prêmio Multishow]

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Separamos alguns tweets, que contam como o assunto foi movimentado no Twitter. Até o apresentador Bruno Mazzeo (@bmazzeo) falou que a hashtag #premiomultishow entrou no Trending Topic mundial (dez assuntos mais comentados do mundo na rede social):

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******(Porque ele pediu para plateia se calar, enquanto lia um SMS da cantora)
Não entendeu? Saiba o porquê… Ou procure no Google: “I’ma Let You Finish

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Com o recorte das imagens do Twitter, colaborou Danilo Canguçu.

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Rock in Rio 4 poderá ter Lady Gaga, Shakira, Radiohead…você decide!

Depois de uma temporada europeia, que passou por Madri (Espanha) e Lisboa (Portugal), e dez anos (o último foi em 2001) sem dar as caras por aqui, o Rock in Rio está de volta ao Brasil. Falta quase um ano até lá, e por isso você pode escolher, na comunidade oficial, quem os organizadores devem trazer para tocar no Brasil.

Estão lá, para votar, entre os shows que não podem faltar: Lady Gaga, AC/DC, Placebo, Britney Spears, Iron Maiden, Shakira, Black Eyed Peas, Eminem, Blink 182, Rihanna, Foo Fighters, Justin Bieber, Pearl Jam, Paul Mccartney, Guns N Roses, Slipknot, Ke$ha, Paramore, Maroon 5 ou você quer outro?

Em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (16), organizador do Rock in Rio 4, Roberto Medina anunciou que o evento será realizado em 2011, durante dois finais de semana consecutivos, lá pro segundo semestre: dias 23, 24, 25 e 30 de setembro e 1º e 2 de outubro. Os ingressos, por dia, custarão R$ 180 (com direito a meia-entrada).

De certo, sabe-se que a quarta edição brasileira terá 108 atrações. E se depender do organizador do evento, Roberto Medina, Lady Gaga, Shakira e Radiohead estarão entre as atrações. “Isso é apenas um desejo, um sonho”, disse Medina em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (15). E, na coletiva, completou: “Também (quero) o Iron Maiden, Radiohead e Guns N´Roses”.

“Ô ô ô ô, ô ô ô ô, ô ô ô ô,
Rock in Rio
(Tema Oficial)

Foram divulgados ainda música e vídeo oficiais do Rock in Rio 4, gravados por os artistas brasileiros. Entre eles, Ivete Sangalo, Jota Quest, dinho Ouro Preto (Capital Inicial), Pitty, Toni Garrido, Pitty etc. (Confira fotos do making of numa galeria do festival).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=z8YCFp9Btfo&feature=player_embedded]

Parque Olímpico Cidade do Rock

O terreno em Jacarepaguá – localizado em frente ao RioCentro, na zona oeste da cidade, tem 150 mil metros quadrados. É uma área menor do que a que recebeu os shows em 2001. O espaço – já batizado de Parque Olímpico Cidade do Rock – terá capacidade para 130 mil pessoas.

Clique para ver no GoogleMaps

Veja também o mapa da disposição dos palcos, áreas etc.

Encube-os: site oficial, Twitter, Facebook, Flickr, YouTube, Orkut.

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Em madrugada fria, Ne-Yo esquenta SP

Era 00h20, já madrugada de sexta (13) para sábado (14 ), quando começaram os testes de luz para o primeiro show, na capital paulista, de três que o rapper Ne-Yo – de nome verdadeiro Shafefr Smith, de 30 anos – faria no Brasil (estavam por vir Rio de Janeiro e Minas Gerais nas noites seguintes). Confira o setlist.

Um grande telão de LED (Diodo Emissor de Luz) compunha o fundo do palco que, ainda nos testes, alimentava a ansiedade da plateia reproduzindo imagens iguais às de um eletrocardiograma, como se estivesse monitorando a pulsação do coração de quem foi acompanhar, sob uma noite madrugada de frio cortante, a apresentação do cantor num sambódromo gelado.

Uma homenagem ao rei do Pop, Michael Jackson, antecedeu a aparição do ‘rapper’: “Numa era em que a música está morrendo, temos de fazer tudo para mantê-la viva. Descanse em paz MJ”, disse Ne-Yo. Exatamente à 0h30 – meia hora de atraso – as luzes se apagaram, imitando um curto-circuíto. Para histeria dos fãs, aparece o cantor sob canhão de luz, de terno e gravata brancos, camisa e chapéu pretos, para as estrofes do hit ‘Because of You’.

Antes da segunda música, Stay, ele dá boas vindas aos fãs paulistas e pede para ser acompanhado com palmas. A cada grito, em Nobody, ele desliza pelo palco com passos semelhantes aos do rei do Pop. Termina a música deitado no chão e se recompõe para mais, demonstrando acanhamento com cara de quem não acreditava na histeria dos gritos. Mas vergonha não está no dicionário do cantor, que começa a se exibir com o pedestal do microfone no pescoço.

O público balbuciava o refrão de Single, e ganhou um agrado das dançarinas do cantor: foram arremessadas dúzias de rosas vermelhas no mar de gente. Ganhou a noite quem conseguiu pegar a única jogada pelo cantor. Nos primeiros acordes da música seguinte, mais um gesto de carinho, que silenciou a multidão. Fez um coraçãozinho com as mãos antes de cantar Sexy Love e ao pronunciar a estrofe inicial, puxada na versão ao vivo por “My love…”, e então título.Ne-Yo

Um ar de cabaré tomou conta do show, quando em Champagne Life (atual single, do álbum Libra Scale, que será lançado em setembro) propôs um brinde (com a bebida que dá nome à música) a São Paulo: “Esta taça é para vocês”,disse, quando recebeu uma camiseta “I ♥ SP” das mãos de uma fã que estava na frente do palco (à esquerda). Em Mad, o cantor pensou que o público não estivesse preparado, mas no refrão aprovou o coro sinalizando com um positivo para a galera. Por fim, disse: “te amo”, carregado no sotaque americano.

A plateia foi ao delírio logo nas primeiras notas de So Sick sem saber que, lá pelo meio, a música ganharia arranjos reggaetown. Sem dúvida foram surpreendidos porque soou como a música mais diferente da versão de estúdio. Como já havia dado certo na anterior, Ne-Yo bancou novamente o regente do coro durante o refrão. Pediu para a galera o acompanhar com os braços para cima e, ao final, emendou mais uma declaração de ‘te amo’ antes de Do You.

Dono de um vozeirão, Ne-Yo cantou sozinho Knock You Down (canção que divide vocais com Kanye West e Keri Hilson) – sem suporte de vídeo ou do clipe com aparição dos companheiros de single ou de um playback com as vozes deles. E, na sequência, Beautiful Monster (outro single que ainda está nas paradas) teve um trecho a capela.

Terminado o show de voz, insinuou que tiraria a roupa: abriu a camisa, dobrou as mangas. Ficou com ar de amante latino para cantar outro sucesso: Miss Independent, que teve um solo de dança – as imagens exibidas no telão, durante a performance, ficaram focadas nos pés do cantor, que deslizava em cada passo. Soltou mais um “te amo”, desta vez mandando beijos para cada canto da plateia.

Um solo da banda e o público gritando o nome do cantor anunciaria o fim do espetáculo? Ainda não era a hora. Voltou novamente sob um feixe de luz e explicou: “acho que estou esquecendo de uma música”, e era Closer, cantada em coro por quem estava lá. Na dancinha, que incluiu perfomance com uma bengala, destaque para o espacate estilo James Brown encenado por Ne-Yo. Estava, de fato, encerrada a apresentação: ele recebeu dois presentes. O primeiro, uma carta gigantesca – daquelas com declaração de fã, e um sapo de pelúcia.

Ali era definitivamente o fim, que não quis ser encarado de forma natural pelo público: afinal, Ne-Yo não repetiu uma só música. Nenhum hit sequer – não faltavam opções. Apenas uma hora cravada tinha passado desde que o coração havia acelerado para espantar o frio na capital paulista.

Agradecimentos: Taiz Dering, do Mosh (Portal MTV).
atualizado em 17/08, às 17h02.

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Elegante e monocromático, Hurts é eletrônico para viver no repeat

Theo Hutchcraft e Adam Anderson formam duo electro de música Anos 80

“Don’t let go / Never give up, it’s such a wonderful life.” (Wonderful Life)

O ar europeu entrega os caras por detrás do Hurts: Theo Hutchcraft (vocal) e Adam Anderson (teclados) – tidos pela BBC como ‘som próspero‘ para 2010 – são britânicos, de Manchester. O estilo musical da dupla carrega referências dos anos 80, como ‘Tears For Fears’, ‘Smiths’ e também ‘Pet Shop Boys’ – tecladinho eletrônico retrô e letras emocionalmente sinceras. O refrão acima, de Wonderful Life, é o próximo single e début de Hurts nas paradas de sucesso.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=N6wEh19B_C0]

“And you see nothing but the red lights / You let your body burn like never before.” (Better Than Love)

Com lançamento previsto para o início de setembro, o CD de estreia Hapiness conta com participação da estrela pop Kylie Minogue (na música ‘Devotion’). Pelas críticas, o CD vai ser daqueles que, daqui dez anos, a gente ainda vai estar escutando.

Apesar de vários clipes publicados no canal de vídeos da banda, incluindo a primeira versão de Wonderful Life, Better Than Love é o único single lançado.

Ao se registrar no site da banda, você recebe uma cópia digital da música “Better Than Love” – veja o vídeo.

Quer mais? Assista também Blood, Tears & Gold e “Pellerin“.

Encube-os: MySpace, Facebook, Twitter, informationhurts.com (disponível em português) e YouTube.


PS = Banda indicada pela @taft.

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Glastonbury dos ‘covers’ memoráveis e parceria

Foto: Glastonbury Festival (www.glastonburyfestivals.co.uk)

O maior evento musical a céu aberto do mundo, o Glastonbury, terminou no último domingo (27). Achamos um post bem bacana no site da New Music Express (NME) falando de alguns ‘covers’ e parcerias que ocorreram durante o festival, que rolou na cidade de Pilton (Inglaterra), e aí vai a tradução:

“Foram os momentos mais emocionantes da festa, que fechou sua edição de número 40”, escreveu o jornalista Luke Lewis, que cobre o festival para site da revista inglesa NME. O momento mais ‘WTF’, com o perdão da palavra – grifo nosso, ‘Que porra é essa?’ foi pra Shakira e sua versão de ‘Islands’, do The XX.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=YtCsM9SeKP4]

O U2 teve de ser substituído pelo Gorillaz por problemas de saúde envolvendo o vocalista Bono. Mas no show do Muse, o guitarrista The Edge fez ponta no cover de ‘Where The Streets Have No Name’.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=GUkw8sJoY7k]

Keane também pagou homenagem, cover de ‘With Or Without You’.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BClAvTosFSo]

Florence And The Machine mandou ver no cover de ‘The Chain’, do Fleetwood Mac (banda britânica de rock dos anos 1960)

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=iGr6mkzTSLQ]

Pet Shop Boys reescreveu ‘Viva La Vida’, do Coldplay, e propôs uma versão eletrônica (oi?). [Como retiraram o vídeo que publicamos, mostramos a mesma versão, mas num show no London O2 Arena]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uXRse–ysXk]

Não achamos vídeo do Glasto, mas La Roux fez – como na sua turnê – cover de ‘Under My Thumb’, dos Rolling Stones. E Rolf Harris de ‘Stairway To Heaven’, mas pelo que se sabe, este último faz esse cover há quase duas décadas. Por isso, catamos o vídeo de 2009:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Drb2E-2hArI]

Por fim, a parceria do Scissor Sister com Kylie Minogue para ‘Any Which Way’:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=NnGNQ8DAGrE]

*atualizado em 07/07/2010

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Transgressões musicais

O ator Wagner Moura, além de jornalista formado pela Faculdade de Comunicação da UFBa, canta. Sua banda – espirituosamente chamada de Sua Mãe – é composta por ex-colegas da faculdade. Em maio último, lançaram o primeiro CD, intitulado The Very Best Of The Greatest Hits Of Sua Mãe, com shows em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

O curioso dessa banda não é só ter Capitão Nascimento como vocalista: a Sua Mãe mistura The Smiths com Reginaldo Rossi, The Cure com Odair José, Radiohead com Wando. E dá certo. O som é pop, acessível, e a voz é marcante – o que é um ponto comum em todas essas referências dos anos 1980 e início dos 1990 e da música brega (a qual Wagner prefere chamar de “música superpopular brasileira”).

O apelo kitsch à emoção, aos sentimentos, também é característico de todos eles, como podemos perceber tanto em “seja meu amigo / me bata, me prenda / faça tudo comigo / mas não me deixe ficar sem ela” de Rossi quanto no “you’re so very special / I wish I was special / but I’m a creep” do Radiohead.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=5LQEXNqfip0]

Outros artistas também propõem essa experiência de perda de preconceitos. O carioca João Brasil, formado na Berklee College of Music e atualmente cursa mestrado em música em Londres, cria músicas para dançar através de mashups (misturas mediadas pelas tecnologias digitais) de música.

A partir de uma base de funk carioca, por exemplo, ele mistura Rolling Stones, Mc Sapão, Michael Jackson, Daft Punk, Nirvana, Tati Quebra-Barraco e muitos outros. O baiano Tom Zé, por sua vez, usa elementos da música erudita para estudar gêneros como o samba, o pagode e a bossa nova.

É possível afirmar que a música provoca experiências fundadoras no homem? Aristóteles, em seu sistema trágico coercitivo, propunha que a Tragédia grega funcionasse como uma forma de moralização da sociedade. O público, ao acompanhar a trajetória de um personagem com uma falha moral, catarticamente se enriqueceria com essa experiência, de modo a não agir senão segundo a forma costumeira, prevista pelas leis, sob o risco de ter o mesmo fim trágico de um Édipo, cego e sem a sua amada.

Proponho aqui observar uma vivência análoga na música popular, não de modo coercitivo – obviamente este tipo de música de Tom Zé, João Brasil e Wagner Moura está muito mais para transgressor do que para conformador – mas como uma forma de sensibilização artística para um questionamento das padronizações culturais.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=pt5h_g1MRu8]

No limite, a questão trata da interação entre obra e espírito, e pergunta o quanto dela é cognitiva e o quanto é estética – proposta que se aproxima, em certos aspectos, da arte conceitual. Suscita a dúvida se, a partir da compreensão da intenção e do contexto da obra – no caso de um funk carioca, por exemplo, se entendido como expressão rítmica e performática do corpo e da situação social dos morros cariocas; podemos passar a apreciá-lo ou se há um limite estético nisso.

Mas, sobretudo, quero dizer: será que uma postura amigável no ouvir bandas como Sua Mãe podem provocar uma nova compreensão do brega, que é um gênero tão estigmatizado mas pouco pensado como experiência estética? Será a intolerância a certos estilos musicais uma reprodução num universo micro dos choques identitários entre indivíduos formados em campos sociais, culturais, econômicos e políticos diversos?

É necessário perceber que, além de conceitual ou formalista, a percepção da arte tem um viés social. Pierre Bourdieu nos esclarece muito dessa questão ao chamar atenção para a dimensão social do gosto, isto é, que muito da nossa fruição estética e cognitiva está relacionado com o jogo social de aparências, de posições de poder e de distinção cultural, e que devemos perceber essa relação para poder questioná-la sempre que quisermos.

Trata-se de reavaliar preconceitos que são herdados sem nenhuma contestação, de pluralizar identidades ao invés de apenas reforçar as já dadas, de saber por que se legitima socialmente a bossa nova e não o pagode, o rock inglês e não a música superpopular brasileira.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hubD31XaHqU]

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Pogo: música eletrônica a partir de fragmentos sonoros

Não… Não estou falando daquele brinquedo idiota que serve de material pra uma vida saudável, uma videocassetada ou até mesmo um instrumento para uma obra artística.

Muito menos nos preocuparemos em escrever sobre aquelas rodinhas suicidas dos shows de punk-rock ou de um crepe de festa fantasiado de cachorro-quente que a wikipedia me mostrou.

Não, meninas e meninos, esse post é sobre o DJ Pogo. Se você o conhece, obrigado pela visita; se não, comece a se sentir feliz com a descoberta.

Sem revelar seu nome real, Pogo é um cabo-verdense de 22 anos que mora em Perth, capital da Australia, e começou seus experimentos na mixagem com o jogo “Music 2000” do Playstation. Pouco tempo depois, o rapaz descobriu o poder dos samples e teve como ferramenta de trabalho os softwares de edição: Adobe Audition e o FLStudio.

O reconhecimento veio na web a partir de 2007, quando seu trabalho Alice saiu do seu iPod para o YouTube. E, se não tivese sido tirado do ar por direitos autorais da Disney, já teria ultrapassado a antiga marca de 3 milhões de acessos – ano passado, com Up, ele fez freelance para Pixar e, esse ano, com Toy Story 3.

O material bruto dos seus experimentos são pedacinhos sonoros de filmes, músicas ou do cotidiano, que são rigorosamente selecionados, escutados e, quando necessário, modificados – “adiantar ou atrasar um compasso pode mandá-lo à mediocridade ou a perfeição”, diz em seu site oficial.

Enquanto a construção quase homeopatica das faixas podem durar dias ou semanas, os vídeos, entretanto são feitos numa media de dois dias. Alguns resultados estão logo abaixo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=TQuqeLBTetA]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=cBN-CAhOYQ0]

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Pogo recomenda:

Experimente mais Pogo no seu canal oficial e não oficial do youtube e conheça-o melhor em seu site.

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Um ano sem Michael Jackson em cópia, passinhos e homenagens

Todo mundo já sabe que, há um ano, Michael Jackson deixou um vazio no mundo pop. Ele encerrou um reinado para ficar eternizado, e um legado para as gerações seguintes.

Para o resto da vida, você vai se lembrar onde estava e o que fazia no anúncio de sua morte.

Nesse post, reunimos quem copiou o artista e quis homenageá-lo, fazendo versões para suas músicas e clipes.

  • ‘Baby’, de Justin Bieber, é cópia de ‘The Way You Make Me Feel’

Aquela velha história da conquista ‘pop’: o cara tá afim da mina, sai atrás dela, ela não quer nada, esnoba, ele canta e dança, ela cai na lábia… Veja o vídeo comparando os dois clipes na montagem do Portal R7:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=NaeRYCvUC1U]

  • Phill Collins e a paródia de ‘Black or White’ no clipe do Genesis

Em Black or White – que tem a participação do então ator-mirim Macaulay Culkin, Michael protagoniza dancinha ao lado de pessoas de diferentes etnias. Ele faz um solo desengonçado que não chega aos pés do momento #vergonhaalheia de Phill Collins e sua paródia no vídeo abaixo. A partir do minuto 4:16, Collins incorpora o astro e manda ver:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=uBhCiu3qLy0]
  • Pomplamoose deixa ‘Beat it’ mais indie

Esqueça a megaprodução do Rei do Pop. Imagine um clipe ‘bem feitinho’, produzido em casa, e ainda assim surpreendente. A banda Pomplamoose, da vocalista Nataly Dawn (mescla de Dido com La Roux) conseguiu deixar ‘Beat It’ numa versão mais lenta pra indie nenhum botar defeito.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=meT2eqgDjiM]

  • Presos e Garner  fazem coreografia que revolucionou o videoclipe

Só no upload original, o vídeo de ‘Thriller’ que reúne 1.500 presos filipinos – e seus uniformes laranjas – já foi visto por 42 milhões de pessoas ao redor do mundo. Baita homenagem! Mas há uma cena de filme que me marcou mais do que ver essa galera toda reunida.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hMnk7lh9M3o&feature=player_embedded]

Há uma cena em “De repente 30” em que a personagem de Jennifer Garner chama um povo pra dançar, e muita gente fica com vergonha porque sabe a coreografia. (Ê geração Anos 80!)

E faz pensar: foi com base nesses passos que  artistas pop da atualidade, como os Justins Bieber e Timberlake, Britney Spears, Madonna e Lady GaGa se inspiram e trazem, em cada clipe, novas danças – que depois viram diferentes virais pela internet e motivo de premiação em canal brasileiro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=hhbYxXg7p-A&feature=related]

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