"Está chegando o momento", afirma Tulipa Ruiz sobre disco novo

Tulipa Ruiz está separando material do que pretende gravar no quarto disco de inéditas, sucessor de Dancê” (2015). “Tá chegando o momento de mexer (nas anotações), já estou com coceira para começar a fazer”, explica. “Tô pensando nele,  gravo uma coisa esse ano, mas estou entendendo ainda o que vai ser. Sigo em turnê até o ano que vem, quando gravo disco com banda”. Ainda não há uma data, mas um novo single deve vir até o fim de 2017. A cantora é a convidada do podcast Aos Cubos de número 30, no ar nesta terça (29.08).

“Tudo o que vou sentindo, intuindo ou entendendo, recebendo das pessoas, vou armazenando e anotando. E só acesso quando vou fazer o disco. Não vou pensando no disco durante o processo, vou arquivando. Quando chega alguma coisa, não quero nem misturar. Na hora de fazer, pego todos esses símbolos e impressões e começo a fazer um novo disco”. No campo dos sonhos, Djavan é uma parceria que ela “amaria” fazer. “Tenho ouvido muito e é um artista que sempre volto e tem uma discografia atemporal. Seria uma honra”.

Depois de gravar “Prumo”, em italiano (que ficou “Cura di Te”), a cantora diz que tem vontade de fazer versões em outras línguas, mas não sabe se tem potencial de mercado. “Quando a gente foi para o Japão fez ‘Quando eu achar’ em japonês. Eu tenho ido muito ao México, engraçado que o Grammy abriu essa porta para o mercado latino, então, seria interessante gravar uma música em espanhol. E ‘Efêmera’ é uma música latina, a gravação ficou muito bem em espanhol (Efimera), a sonoridade teve muito a ver e a gente está lançando o disco (para esse mercado). Se eu não tivesse, não ia fazer”.

Além de Yoko Ono, que é citada em diferentes partes do programa, Tulipa enumera suas divas: Baby do Brasil, Ná Ozzetti, Gal Costa, Elza Soares… “São mulheres que sou apaixonada, reverencio muito e que moram na minha vitrola. Não tenho nenhuma história engraçada com elas, mas adoraria ter alguma experiência assim com alguma delas”, ri.

Ela falou ainda que o primeiro e o terceiro discos devem voltar a ser produzidos em vinil até o início de 2018. “O legal é que a gente tem lançado e ele tem esgotado porque as pessoas têm voltado a ouvir vinil”.

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Visto GG, você P
Durante o programa, também foi abordado padrões de beleza e relação com o corpo, já que há uma opressão pela magreza, seja ela na música ou na publicidade. “Para mim nunca foi uma questão no mercado ser uma pessoa grande, eu ser plus size”, comenta. “Nunca levantei essa bandeira e nunca sofri por conta disso. Onde eu circulo, sempre fui muito bem recebida. Mas é um saco você ir numa loja e não ter uma roupa para você, é um saco você não ter espaço nas revistas. É um saco a beleza ser uma coisa completamente fechada. E a gente está em um momento muito interessante de empoderamento e aceitação, de poder falar sobre isso”.

No programa, citamos a coluna de Flávia Durante, no UOL, em que ela desmistifica o universo plus size, já que tornou-se referência no assunto. Ela também é criadora do bazar Pop Plus, que promove encontros para que a moda para facilitar a compra de roupas em tamanhos maiores. “Eu vou e já comprei muitas coisas. Recomendo muito porque tem coisas muito lindas e difíceis de achar em lojas de rua ou de shopping”, acrescenta.

Participam deste podcast: André Aloi, Victor Albuquerque e Luís Bemti

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“Não é pra pista, mas pra ouvir com o corpo”, diz Tulipa Ruiz sobre CD

De Ilhabela*

Na estrada desde que o novo CD “Dancê” foi lançado, em maio, a cantora Tulipa Ruiz só quer fazer dançar, como sugere o nome do terceiro da carreira, “Dancê”. Trilha sonora da novela “Verdades Secretas”, com “Prumo”, a paulista comenta que primeira intuição que teve sobre esse disco é que ele seria dançante. “Não no sentido pista, mas que você ouvisse primeiro com o corpo pra depois pensar no que a letra tava falando”, expõe.

Sabe aquela sensação que você não sabe que música está tocando, mas seu pé já sacou, e reagiu a esses estímulo? Foi a ideia que Tulipa quis dar ao disco. “A dança foi uma resposta à minha última turnê, quando fui descobrindo que tenho bailarinos maravilhosos na plateia. A pessoa que fecha o olho e dança é a mais livre do mundo. Quando expliquei a ideia pra banda, a gente já tinha um beat para cada coisa e um personagem mais pulsante”. De influências, ela enumera: Connan Mockasin, Tune-Yards, Ava Rocha e Metá Metá.

Com três shows lotados no Sesc Pinheiros, partiu em turnê para Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), e acaba de voltar de uma leg nordestina (Salvador, Recife, João Pessoa e Natal), sua primeira, e promete voltar para fazer outras capitais. “As pessoas já sabiam as letras de um disco que eu ainda tô descobrindo. Elas já haviam ouvido e estavam muito dentro do repertório novo. Fenômeno maravilhoso que a internet proporciona pra gente e ajuda muito na hora do show”, resume.

Tulipa gosta “muito” de estar em turnê porque é um organismo vivo, é apaixonada pela estrada. “Tudo pode acontecer numa turnê”, explica ela. “Nos meus outros dois discos, aprendi e acrescentei coisas até o último dia de show. O setlist nunca foi fixo. Eu sempre falo que é uma troca: o que acontece no palco é uma consequência”.

A cantora afirma que vive sua turnê até o último segundo. O que acontece de criativo para entrar num disco seguinte, ela arquiva. “Se eu tenho alguma heureca, gravo e não presto atenção. Quando começar a época de preparar coisas para um futuro disco, começo a curadoria”. E ela tem gostado, cada vez mais, de estar em estúdio: “Esse foi um disco que eu curti gravar. Em ‘Efêmera’ (seu primeiro, de 2010), fiquei muito assustada com o processo, a respiração, que pode virar um ruído, a ultramicrofonação de tudo”.

Se não fosse cantora, seria jornalista, escritora ou desenhista. Se tivesse do outro lado – coisa que já aconteceu em duas ocasiões: uma vez em um programa da extinta gravadora Trama e outra para cobrir o Abril Pro Rock – e pudesse fazer uma pergunta para si mesma perguntaria qual seu principal desejo, apesar de taxar como algo difícil de responder. “Meu maior esforço é estar 100% presente no agora. Acho que se a gente estiver inteiro em todos os momentos, a vida acaba sendo mais bem aproveitada e o desdobramento é o bem-estar”, ressalta.

Tulipa consome música em streaming, mas com um fone bom para diferenciar cada timbre ou arranjo, e em casa põe um disco. Sua última aquisição foi o do Metá Metá. De tempos em tempos, revisita seu repertório. “Gosto de fazer grandes pausas para dar uma miniesquecida, aí quando vou ouvir, eu curto. Mas não me escuto com frequência. O único CD (do meu repertório) que está sincronizado offline é o Dancê”, arremata.

VENTO FESTIVAL
Tulipa foi a principal atração deste primeiro dia do Vento Festival, nesta quinta (16.07), que acontece gratuitamente no centro de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Também fizeram shows Charlie e os Marretas, Caroço de Azeitona e DJ Dago, com apresentação de Mc Mac B.O.

“Eu vim para esse festival e decidi que vou ficar mais alguns dias, de última hora”, explica porque encontrou vários rostos conhecidos na produção. Em seu primeiro show na capital da vela, a cantora comentou que conhecia Camburi, onde aconteceu a pré-produção de seu mais recente disco, e também havia feito um passeio de barco em torno do arquipélado. “Não tinha pisado ainda”, brincou.

(*O repórter viajou a convite da Recheio Digital, produtora do evento).

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Tulipa Ruiz, Céu, Singapura e mais se apresentam em festival de Ilhabela

Bota a cara no VENTO! É o que pede a produção do festival de mesmo nome, que ganha sua primeira edição em Ilhabela (litoral norte de São Paulo), a partir desta quinta-feira (16.07).

O evento, que acontece na Vila, no centro histórico da cidade, segue até domingo (19.07), reunindo expoentes do cenário nacional, aproveitando o inverno tropical à beira-mar.

Além de nomes conhecidos, como Tulipa Ruiz, Céu, Singapura, reúne uma turma boa da nova safra, como Charlie e os Marretas, O Terno, Guizado, Inky e uma infinidade de DJs. Do tropicalismo ao rock, da psicodelia ao jazz, ao todo são 12 bandas autorais, quatro DJs, além do open mic, que promete animar a galera entre o pôr do sol e o começar da madrugada (19h30 até 1h, mais ou menos). O mestre de cerimônias será o rapper Max B.O.

A idealização e organização é de Anna Penteado, do Núcleo Indahouse, a produção executiva de Bianca Lombardi e artística de Shirlei Vieira, da Recheio Digital. A direção, quem assina, é Tatiana Sobral, da Casco Ilhabela.

Para saber o que vai rolar por lá acompannhe a hashtag #botaacaranovento.

PROGRAMAÇÃO

QUINTA (16.07) MC Max B.O. apresentando 19h às 19h30 – DJ Dago (Neu Club) 19h30 às 20h50 – Open Mic: Caroço de Azeitona 20h50 às 21h – DJ Dago (Neu Club) 21h às 22h – Charlie e os Marretas 22h às 22h30 – DJ Dago (Neu Club) 22h30 às 00h – Tulipa Ruiz 00h à 01h – DJ Dago (Neu Club)

SEXTA (17.07) MC Max B.O. apresentando 20h às 20h40 – Norma Nascimento 20h40 às 21h10 – Singapura 21h10 às 22h10 – O Terno 22h10 às 22h40 – Singapura 22h40 à meia noite – Lira 00h à 01h – Singapura

SÁBADO (18.07) MC Max B.O. apresentando 20h às 21h – Holger 21h às 21h30 – DJ Mataga e Dip 21h30 às 22h30 – Saulo Duarte e a Unidade 22h30 às 23h – DJ Mataga e Dip 23h às 00h20 – Céu 00h20 às 01h0 – DJ Mataga e Dip

DOMINGO (19.07) 19 de Julho – domingo 15h às 16h – Fidura 16h às 16h30 – DJ Phill 16h30 às 17h30 – Piratas da Ilha 17h30 às 18h – DJ Phill 18h às 19h10 – Guizado 19h10 às 19h30 – DJ Phill 19h30 às 20h3 – Inky

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Studio SP encerra atividades com show histórico

07

Por mais que a longevidade de casas noturnas seja uma raridade e mesmo podendo escrever páginas e páginas sobre o que causou o fechamento do Studio SP e de como a casa fará falta para o cenário da música independente brasileira, não falarei sobre isso. Além do incrível encontro de artistas que promoveu em seu pequeno palco na noite de despedida (quinta, dia 2) a noite já começou especial pelo público que reuniu ali: uma amostra diversificada de não-privilegiados resultado de uma confusão sobre o horário em que os ingressos seriam vendidos.

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Vinte discos pra escutar antes que 2012 acabe

Nada me deixou mais apavorado com a real possibilidade do mundo acabar em 2012 do que Fiona Apple, Beth Orton e Cat Power levantando juntas da tumba onde repousavam desde 2006 com (ótimos) discos novos. Já que o mundo não acabou, nos é dada a possibilidade de olhar novamente pra avalanche de lançamentos que tivemos em 2012. E como ainda estou decididamente perdido nessa avalanche, decidi trocar a tradicional lista de melhores do ano por uma lista de álbuns que, na minha opinião, você deveria ouvir ainda esse ano, pra que você possa partir em paz para 2013. Acompanhados de um breve comentário, alguns deles você não vai ver em nenhuma lista de melhores do ano, mas basta perguntar pra alguém que conheça/goste para que este alguém o defenda até a morte.

(Não fiz uma lista, mas esses 6 aí em cima são meus preferidos)

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Tulipa Ruiz: show de lançamento do novo disco passa pelo impecável, o incrível e o quase imperdoável

 Fotos de Pedro Vilhena retiradas do flickr Natura Musical

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Durante a turnê de seu primeiro disco, “Efêmera”, ficava claro existir a Tulipa do disco (com ótimas canções mas cuja produção às vezes esbarrava na imaturidade), e a Tulipa ao vivo, superior a primeira e que expandia o disco a níveis estratosféricos. Com o lançamento do excelente segundo disco, “Tudo Tanto”, ficou a dúvida se a Tulipa ao vivo conseguiria superar essa nova Tulipa do disco, já absurdamente grandiosa. A resposta é sim e não, o que por um lado é bom porque mostra que ela é um ser humano, e não uma entidade sobrenatural como eu cheguei a desconfiar. Por outro lado os tropeços da estreia são facilmente solucionáveis, e  há pouco o que separa a turnê de “Tudo Tanto” de poder ser o melhor show brasileiro da nossa geração. Tulipa emerge de uma cena dominada em sua maioria por uma mpb mumificada, uma música alternativa hermética e um rock nacional que compõe a mesma música há 20 anos, pega o que há de melhor em cada um desses lugares, mistura com referências internacionais de todas as épocas e pronto: estamos enfeitiçados.

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Retrospectiva: Os melhores shows de 2011

Foto do flickr de Liliane Callegari

2012 promete, e antes de nós aqui do Aos Cubos começarmos nossa maratona de shows, vamos relembrar alguns dos que marcaram 2011. Como eu fico por conta do “circuito alternativo”, resolvi fazer uma lista que abrange apenas os shows “indies” e de no máximo 10 mil pessoas (e claro, só os que eu vi), o que exclui automaticamente espetáculos como o show do The Strokes no Festival Planeta Terra, e o do Sonic Youth no SWU.

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EXCLUSIVO: Eliza Doolittle fala o que pensa sobre cantoras brasileiras

Cantora ainda disse qual ator ou modelo brasileiro faz mais “seu tipo” 

Claudia Leitte, Tulipa Ruiz, Ivete Sangalo, Valesca Popozuda, Marisa Monte ou Paula Fernandes… Qual cantora brasileira seria a favorita da britânica Eliza Doolittle, que esteve no Brasil na semana do dia 15 de outubro para divulgar o primeiro CD que leva seu nome? Antes de um showcase (que vai ser veiculado em alguma TV do Brasil, e a imagem do cenário você confere abaixo) só para convidados na sede da produtora XYZ Live, a cantora recebeu a equipe do Aos Cubos para nossa primeira entrevista em vídeo.

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Tulipa Ruiz lança vinil e videoclipe de Efêmera em show emocionante

Fotos do flickr de Clemente Gauer

No ano que sucedeu o lançamento despretensioso de “Efêmera”, seu álbum de estreia, Tulipa Ruiz subiu rápido os degraus do reconhecimento. O show de comemoração do lançamento do videoclipe de Efêmera e da versão em vinil do álbum que aconteceu sexta (30), no teatro do SESC Pompeia, foi um marco que serviu para o público (e com certeza também para a artista e sua banda) reverem o que aconteceu nesse ano de estrada, e imaginar o que o futuro reserva para uma carreira tão promissora.

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