Telefônica Sonidos acerta na proposta de integração musical latina

“Um festival que mistura estilos por um ideal maior”. Você já ouviu essa história várias vezes, certo? O Telefônica Sonidos, que aconteceu de 24 a 27 de agosto no Jockey Club de São Paulo (não confundir com a Chácara do Jockey), também tinha essa proposta, e seu “ideal maior” era a identidade musical latina. É uma ótima ideia, já que por diferenças culturais centenárias o Brasil é bem isolado culturalmente da América hispânica. Na sexta-feira (26), principal dia do evento, ocorreram quatro shows, sempre com um artista estrangeiro e a participação de um “anfitrião musical” brasileiro.

O primeiro show foi do cubano radicado no Canadá, Alex Cuba, com a participação da meio mineira/meio paulista Tulipa Ruiz. O show foi o único no Palco Jazz Latino, montado de modo elevado e de frente para a arquibancada do Jockey (o fundo do palco, com o “skyline de São Paulo”, era realmente lindo e vale lembrar que o lugar sediará o Lollapalooza em abril do ano que vem). Só tinha acesso a esse palco quem pagasse o dobro do preço do ingresso normal, o resto do público só viu e ouviu pelos telões. Uma atitude meio antipática, não é?

Mas vamos falar de simpatia. Alex Cuba tem um carisma tão extraordinário que conquistou o público desde a primeira música. As pessoas mexiam de um lado para o outro ouvindo sua mistura de pop, rock e jazz, certamente desejando estar em pé e dançando animadamente ao som de músicas como “Tu Boca Loquita“. Quando Alex começou a tocar e cantar uma versão em espanhol da música “Só Sei Dançar com Você”, todos comemoraram a entrada de Tulipa, que adicionou ainda mais luz e energia a um show que já surpreendentemente, ainda podia ficar melhor. Juntos ainda cantaram “Brocal Dourado”, também de Tulipa, e outras de Alex como “Que Pasa Lola”.

O primeiro show do Palco Pop Urban, o principal e com grande capacidade de público, foi do grupo cubano Juan Formell y Los Van Van que já tem mais de 40 anos de carreira! O som impecável da numerosa banda e de seus ritmos caribenhos transformou o Jockey em uma grande pista de dança, repleta de casais dançando de verdade, com direito a passos complicados e giros (era até um pouco difícil se locomover por lá). A energia era contagiante e o participante brasileiro desse show foi Carlinhos Brown, que transformou tudo numa grande micareta. A mistura deu bem certo enquanto Carlinhos só tocava, mas quando ele desandava a falar umas bobagens que beiravam o incompreensível rolava um constrangimento geral.

O segundo (e mais esperado) show foi de Julieta Venegas, cantora nascida nos Estados Unidos mas que cresceu no México. Com a pista lotada, Julieta empolgou com seu pop açucarado a maioria do público que estava lá claramente para prestigiá-la. Todas as músicas, hits ou não, foram celebradas e cantadas a plenos pulmões. A cantora revezava entre piano e acordeon, comandando a grande banda de apoio que ora transformava sua música numa versão repaginada e ampliada de música típica mexicana, ora reproduzia com perfeição a qualidade musical pop que tornou Julieta uma estrela tão renomada.

A participação de Marisa Monte aconteceu na música “Ilusíon“, que gravaram juntas para o “MTV Unplugged” de Julieta, e se estendeu por mais duas músicas, incluindo uma pertinente versão para “Soy Loco por ti, America”. Visivelmente emocionada ao final do show, Julieta agradeceu bastante o público brasileiro e deixou o espaço livre para o terceiro e último show.

Depois de metade das pessoas que estavam no festival irem embora, entrou a banda venezuelana Los Amigos Invisibles, com um show potente e non-stop de dance-rock com um pouquinho assim de brega e música caribenha. Liderada pelo vocalista Julio Briceño, uma mistura latina de Alexis Taylor, vocalista do Hot Chip, com o Leonard de The Big Bang Theory, o show teve seus melhores momentos quando a banda incluía pequenos covers de hits farofa como I Gotta Feeling e We No Speak Americano (sim, o famigerado “Pa-Panamericano”) no setlist, levando ao delírio os fiéis ouvintes que resistiam no frio do Jockey madrugada adentro.

Depois de quase uma hora de pancada eletrônica, a entrada de Seu Jorge esfriou bastante as coisas e, pela primeira vez na sexta, a mistura desandou. As intenções eram ótimas, mas faltou liga, e tudo pareceu meio forçado. Por exemplo, o hiperativo/maluco tecladista Armando Figueiredo, que há pouco estava abusando sexualmente do seu teclado (sim), parecia deslocado sem saber muito o que fazer.

O encerramento do show foi com a bela música “Soy America” de Seu Jorge, mas que nesse contexto acabou soando meio demagógica. Uma pena, já que o balanço geral do festival foi extremamente positivo e mostrou a necessidade de se haver eventos que promovam o intercâmbio cultural entre as Américas de língua portuguesa e espanhola. Foi bonito ver tanta gente de tanto lugar da América Latina (várias carregando bandeiras) juntas no mesmo lugar pelo mesmo motivo: é um público grande de imigrantes que nem sempre é levado em conta nas programações culturais.

Sobre sábado (27) , o leitor do Aos Cubos, Dario Pato, conta o que rolou:

No último dia do festival, os portões do palco Pop Urban abriram às 21h e já havia muitos fãs da banda mexicana Camila, que cantaram em coro enquanto dividiam o espaço com as pessoas que chegavam pra assistir os outros shows. Quando começou a música Abraza-me, subiu ao palco a cantora Wanessa (ex-Camargo) para participar nessa canção.

O público que era em sua maioria formado por mulheres ficou mais heterogêneo quando subiu o Jota Quest, que fez todo mundo sair do chão com seus grandes sucessos. No meio do show, Rogério Flausino chamou os argentinos Illya Kuryaki & The Valderramas e cantaram músicas de ambos os grupos até o final. Muitos já estavam com os pés doendo (a espera foi agravada pelos atrasos), mas mesmo assim se animaram bastante quando Victor e Leo subiram no palco às 3 da manhã. Às 4 da manhã já tinha gente indo embora, mas houveram os que permaneceram até o fim do último show. Sucesso absoluto!

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1 comentário

  1. Difícil mesmo achar um bom show de música latina. Esse foi incrível! As “duplas” de cantores estavam mesmo afiadíssimas.
    Hahaha, engraçado foi o “skyline” nos produtos publicitários. Se bem que estava bonita mesmo a vista…

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