“Tenho responsabilidade comigo mesma de não vacilar todos os dias”, diz Xenia França

Xenia França é a convidada do podcast Aos Cubos, de número 48, divulgado nesta quarta-feira (14.03). A cantora baiana fala sobre empoderamento e negritude, além da música. Militante, ela crê que a representatividade sozinha, no Brasil, não é suficiente. Mas representatividade importa e muito. “A maioria das pessoas negras está em escassez completas, como falta de saúde, educação, amor e carinho, entendimento de si próprio e do seu próprio realizar. Até outro dia me sentia desconfortável nesse papel de ‘sou uma representante’ porque ja tenho que me auto-representar. Tenho uma responsabilidade comigo mesma de não vacilar todos os dias, que é muito grande. É importante, para mim, estar atenta e ser coerente com tudo o que penso, digo e faço”.

Segundo ela, na sociedade há uma cultura de invisibilidade da mulher negra. “Todas as mídias vem se esforçando (para dar visibilidade), mas ainda falta muita coisa”, acredita. Mas ela fala em processo de mudança. “Em sua maioria, as mulheres negras não são escolhidas porque não são vistas com olhar de beleza, desejo ou inteligência. Esse padrão de comportamento ainda está muito arraigado. (…) Tenho amigas negras espetaculares: incríveis, lindas, inteligentes, donas de seu próprio nariz, com seu próprio dinheiro e decididas. Mas estão solteiras – a às vezes estão superfelizes com isso, sem precisar mostrar um homem como um troféu. Como diria Rihanna: I’m Not Looking for a Man (não estou procurando por um homem, em tradução livre, referindo-se à entrevista de 2014, no lançamento de uma fragrância de perfumes). Por volta de 48 minutos.

Apesar de romântica, a cantora baiana fala que a mulher cresce com uma visão deturpada de amor. “A (gente cresce e reproduz que a) mulher tem de ser subserviente, fazer de tudo para conquistar um homem, marido, e quando tem a grande honra de encontrar esse príncipe, tem de fazer de tudo para não perdê-lo. Isso é muito errado. Já acreditei porque aprendi, até certa parte, porque minha mãe nunca foi muito conivente com essa ideia. Sempre me ensinou a ser muito independente, lutar trabalhar e ter meu dinheiro. Mas por causa da TV e dos filmes, a gente acaba escorregando nesse lugar e se iludindo com algumas ideias de que vai encontrar um príncipe”.

No primeiro bloco, a ex-BBB Roberta Freitas, da edição de 2017, dá pitacos na edição 2018 da casa mais vigiada do Brasil. Entre os assuntos comentados no Top ou Flop, tem Oscars 2018!

Da esq. pra dir.: Xenia França, André Aloi, Juh de Oliveira, Victor Albuquerque e Roberta Freitas

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