Ultra Music Festival reúne 20 mil em SP com pé na lama sob forte batidão

DE SÃO PAULO

No sábado (6), o lamaçal que cobria a Chácara do Jockey durante a primeira versão brasileira do Ultra Music Festival (UMF) franquia americana – foi resultado da chuva torrencial que inundou São Paulo na véspera. Apesar de a chuva não ter sido a anfitriã das 20 mil pessoas – segundo a organização, que foram lá amassar barro ao som das “pick-ups” de 40 atrações da cena eletrônica mundial, foi impossível sair de lá com o calçado limpinho.

Os planos de quem pretendia chegar ao local do evento ao meio-dia, horário em que a primeira atração subiu ao palco – os DJs Gui Boratto Anderson Noise, foram frustrados devido à cidade estar intransitável. Cheia de eventos responsáveis pelo caos instaurado, SP tinha show dos Jonas Brothers, Grande Prêmio da Fórmula 1, Salão do Automóvel etc. Talvez, também, os paulistanos não estejam acostumados a um evento diurno – molde que pode ser repensado pelos organizadores, já que a ideia foi aplicada à semelhança do evento de Miami.

Pecado capital da organização do UMF foi não ter divulgado horário em que as atrações ocorreriam, apenas a ordem. Isso pode ter aumentado o nível de ansiedade de quem queria chegar logo. Só no fim da tarde as lacunas de espaço entre uma poça d’água e outra foram sendo completadas, superando a expectativa dos organizadores, que era de 15 mil pessoas.

O palco principal – megatecnológico, ladeado por telões de LED (Diodo Emissor de Luz) em alta definição – reuniu nomes como Groove ArmadaKaskade, e fechou a noite com Above & Beyonde. Antes dessa última, a atração-chave foi Fatboy Slim, codinome de Normam Cook, que não deixou ninguém parado: teve direito a samplers de músicas brasileiras, como “Rap das Armas” – conhecido por ser tema do filme Tropa de Elite – e de sambas.

Nos primeiros minutos da primeira música, a apresentação teve um “apagão”. Nada que amargasse o setlist, que contou com as canções: “The Rockafeller Skank”, “Right Here, Right Now”, “Put Your Hands Up”. Projeções nos telões de imagens psicodélicas – passando por bolinhas e smiles a cenas de artistas e do universo retro, sincronizadas com o remix, acompanhavam cada hit.

Na tenda Carl Cox & Friends, decorada com águas-vivas furta-cor, a principal atração foi Moby, no início da noite. A tenda ficou lotada para receber o nova-iorquino, que mostrou DJ set que ia de músicas de sua autoria até o clássico “Born Slippy”, do Underworld. No mesmo espaço, tocaram também Fedde Le GrandSister Bliss (Faithless DJ Set) e Yousef. Cox fechou a programação no mesmo horário em que Fatboy se apresentava no palco principal, o que fez grande parte do público não entender porque o cara é dos melhores na tecno house.

Tentando abocanhar o público gay, a famosa boate The Week montou espaço próprio, reservado – para não dizer escondido – próximo ao palco principal. Mas passou boa parte do tempo praticamente vazia. Decorada com as cores do arco-íris, o espaço tinha bar e banheiros próprios e nela tocaram John ShelvinRalphi RosarioEric Starsee, além dos brasileiros Guto BumarufJoão NetoPaulo PachecoRenato Cecin, residentes do clube. Um outro espaço, intitulado UMF Brasil Arena, completava os quatro ambientes.

DEPOIMENTO: Apesar de haver 15 bares e seis pontos de alimentação, presenciamos demora e má vontade por parte de quem estava do outro lado do caixa. Quem precisava comprar com cartão de crédito ou débito tinha de esperar porque – segundo o caixa – não havia fichas para vender. Depois, para pegar a cerveja ou lanche, outra demora. Você perdia uns 20 minutos entre a fila e a atendente para te servir. Entradas de camarote e sala de imprensa também estavam com problemas: empurra-empurra e tumulto.

Com edições programadas até 2015, a ideia dos organizadores é encaixar a próxima edição do evento no primeiro semestre de 2011. Espera-se que o horário seja adequado ao público brasileiro, já que nesta, às 2h da manhã, quando o público estava começando a embalar, o som foi encerrado. Mas a gente desculpa porque foram mais de 12 horas de música! Pena de quem dependia de transporte público, que teve de ficar à espera. Ônibus e metrô começam circular às 4h.

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