Vampire Weekend empolga SP, mas não o suficiente

O Vampire Weekend já foi duramente criticado por apresentar uma imagem que para muitos é um paradoxo: sua melhor qualidade é o jeito como misturam o rock alternativo com sonoridades africanas, mas todos os quatro membros da banda são jovens de famílias abastadas que se formaram na Columbia, uma das oito universidades mais importantes dos EUA. Tem gente na internet que os chama de “almofadinhas oportunistas”, o que é um erro, certo? Os diferentes ritmos musicais estão aí para serem apropriados por quem acredita ter competência para isso.

O show que aconteceu em São Paulo na última terça-feira (1º) poderia atestar de vez a autenticidade da banda, mas não conseguiu. Vindo divulgar o seu segundo álbum, Contra, elogiadíssimo e incensado por praticamente toda a imprensa musical, o Vampire Weekend fez um show empolgado e competente, mas faltou coerência de todas as partes: a banda fez um show certinho e plastificado demais, a organização escolheu um lugar inadequado, e boa parte do público não se empolgou do jeito que todos esperavam.

O Via Funchal estava grande pro Vampire Weeekend. Uma das características da banda são as músicas muito curtas e animadas que se resolvem muito rápido (alguns dos hits têm menos de 2:30) e a impressão que dava é que quando a empolgação que saía do palco chegava no público mais distante, a música acabava. Animadas mesmo só as 5 primeiras fileiras. O resto do público enchia visualmente o Via Funchal, mas sobrava espaço entre as pessoas no melhor estilo “cada um no seu quadrado”.

A música da banda que implora para ser dançada (a comparação já batida com uma espécie de axé indie faz mais sentido ainda no show) foi ignorada pela maioria dos fãs que ou estava parada, ou se mexia muito discretamente do alto de suas camisas pólo, enquanto as pessoas em volta davam o espaço necessário para o movimento. “Não encoste em mim e eu não encosto em você” parecia ser a palavra de ordem. Talvez um lugar mais compacto que obrigasse as pessoas a compartilharem seu calor humano daria conta do recado.

Os momentos que chegaram mais próximos do nível “empolgação coletiva” foram os singles “Cousins” e “A-Punk”, e a banda tocou exatamente como no CD todas as músicas – salvo raras exceções, como “Horchata”. No final, ficou a sensação de que poderia ter sido bem melhor. O Vampire Weekend se vale de influências “exóticas” para diferenciar sua música mas decepciona ao parecer ignorar a verdadeira animação e naturalidade dos músicos que os influenciam.

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3 Comentários

  1. Boa review Luis!
    Sempre achei isso da banda e não é preciso muito para ver quão superficiais são no que exploram a música.
    Criticas a maneira como eles devolveram a música mas a crítica falha no sentido em que a banda já por si não conhece verrdadeiro experimentalismo.
    Não esperava outro final mesmo

    David.

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